Sala de estudos

Período Regencial: o que cai no ENEM e nos vestibulares

O Período Regencial (1831-1840): regentes governaram o Brasil em nome de D. Pedro II criança, entre revoltas regionais e a disputa entre centralização e autonomia.

Ilustração estilo Pixar de uma sessão política no Brasil imperial do século XIX, com regentes e deputados em debate no Rio de Janeiro, sem texto.
Ilustração estilo Pixar de uma sessão política no Brasil imperial do século XIX, com regentes e deputados em debate no Rio de Janeiro, sem texto.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. Por que houve um período regencial?
  3. As regências: trina e única
  4. O Ato Adicional de 1834 e a autonomia provincial
  5. As revoltas regenciais: o que cada uma foi
  6. O Golpe da Maioridade e o fim da regência
  7. Balanço do período
  8. Como o tema cai no ENEM e nos vestibulares
  9. Mapa mental
  10. SAQ — Perguntas e respostas rápidas
  11. Questões comentadas
  12. Dica do professor
  13. Atenção/cuidado
  14. Conexão com outras áreas
  15. Incidência

Resumo rápido

O Período Regencial vai de 1831, quando D. Pedro I abdicou, até 1840, quando D. Pedro II foi declarado maior de idade, aos 14 anos, no chamado Golpe da Maioridade. Durante esses nove anos, o Brasil foi governado por regentes, porque o herdeiro do trono era uma criança de 5 anos. Foi uma década de instabilidade: o poder central era frágil, as províncias ganharam mais autonomia com o Ato Adicional de 1834 e explodiram revoltas regionais em praticamente todo o país — Cabanagem, no Pará; Farroupilha, no Rio Grande do Sul; Sabinada, na Bahia; Balaiada, no Maranhão; e a Revolta dos Malês, em Salvador. Ao mesmo tempo, foi um período de aprendizado político: liberais e conservadores se organizaram, o debate sobre centralização versus federalismo amadureceu e o país saiu da crise sem se fragmentar, ao contrário do que aconteceu com boa parte da América espanhola.

Em uma frase: O Período Regencial foi a década em que o Brasil, sem um imperador adulto, testou a descentralização, enfrentou revoltas em quase todas as regiões e acabou optando pela centralização monárquica com a antecipação da maioridade de D. Pedro II.

  • Quando: de 1831 a 1840, entre a abdicação de D. Pedro I e o Golpe da Maioridade.
  • Quem governou: regentes eleitos ou nomeados — primeiro a Regência Trina Provisória e a Regência Trina Permanente, depois o regente único Feijó (1835-1837) e o regente único Araújo Lima (1837-1840).
  • Marco institucional: o Ato Adicional de 1834, que deu autonomia às províncias, criou as assembleias legislativas provinciais e extinguiu o Conselho de Estado.
  • Principais revoltas: Cabanagem (1835-1840, Pará), Farroupilha (1835-1845, Rio Grande do Sul), Sabinada (1837-1838, Bahia), Balaiada (1838-1841, Maranhão) e Revolta dos Malês (1835, Salvador).
  • Fim do período: o Golpe da Maioridade, em 23 de julho de 1840, quando D. Pedro II assumiu o trono aos 14 anos, antes da idade prevista de 18 anos.
  • O que não foi: não foi uma república nem um período de democracia ampla: o voto continuava censitário, a escravidão seguia intacta e a maioria da população estava fora da política formal.
  • Incidência: ♨️ Morno — aparece no ENEM e nos vestibulares, quase sempre ligado ao Ato Adicional de 1834, às revoltas regenciais e ao Golpe da Maioridade.

Por que houve um período regencial?

Tudo começa na abdicação de D. Pedro I, em 7 de abril de 1831. Isolado politicamente, após a crise do Primeiro Reinado, o imperador renunciou em favor de seu filho, D. Pedro de Alcântara, que tinha apenas 5 anos. A Constituição de 1824 previa que, sendo o imperador menor de idade, o país seria governado por uma regência até ele completar 18 anos. O problema é que a regência não tinha a mesma legitimidade nem a mesma força de um imperador adulto: os regentes eram políticos eleitos ou nomeados, disputados por facções, e precisavam negociar com elites provinciais cada vez mais exigentes. O resultado foi uma década de governo frágil, em que o centro perdia força e as províncias ganhavam voz — e, muitas vezes, pegavam em armas.

Dois grupos políticos se organizaram nesse período. Os liberais moderados, depois chamados de liberais, defendiam mais autonomia provincial, um governo mais descentralizado e limites ao poder do Rio de Janeiro. Os conservadores, ou regressistas, defendiam a centralização, a ordem e um governo forte, temendo que a descentralização levasse o Brasil à fragmentação. Essa disputa é a espinha dorsal do Período Regencial: cada avanço liberal, como o Ato Adicional, gerava uma reação conservadora, como a Lei Interpretativa de 1840, que esvaziou parte da autonomia provincial.

As regências: trina e única

A primeira fase foi a Regência Trina Provisória, formada em abril de 1831, logo após a abdicação, com o objetivo de garantir a transição. Em seguida veio a Regência Trina Permanente (1831-1835), eleita pela Assembleia Geral, composta por Francisco de Lima e Silva, José da Costa Carvalho e João Bráulio Muniz. Foi nessa fase que o governo enfrentou os primeiros desafios: a reorganização da Guarda Nacional, criada em 1831, a tentativa de manter a ordem nas províncias e o debate sobre a reforma constitucional.

Em 1834, o Ato Adicional mudou as regras: a regência passaria a ser única, com um regente eleito por voto censitário para um mandato de quatro anos. O primeiro regente único foi o padre Diogo Antônio Feijó (1835-1837), liberal moderado, que tentou governar com mão firme, mas enfrentou a Cabanagem e a Farroupilha e renunciou em 1837. Seu sucessor foi Pedro de Araújo Lima (1837-1840), conservador, que liderou o chamado Regresso: a volta da centralização, com a Lei Interpretativa do Ato Adicional (1840) e a repressão mais dura às revoltas. Foi sob Araújo Lima que as revoltas foram, em sua maioria, derrotadas — mas foi também sob ele que se articulou o Golpe da Maioridade, que encerraria a própria regência.

O Ato Adicional de 1834 e a autonomia provincial

O Ato Adicional de 1834 foi a principal reforma do período. Ele transformou a Constituição de 1824 sem substituí-la: criou as assembleias legislativas provinciais, que podiam legislar sobre assuntos locais, como impostos, obras públicas e cargos; extinguiu o Conselho de Estado, órgão que assessorava o imperador; substituiu a Regência Trina pela Regência Una; e deu ao município neutro, o Rio de Janeiro, uma câmara própria. Na prática, as províncias ganharam poder real pela primeira vez desde a independência.

Para as provas, o ponto central é a tensão: o Ato Adicional foi uma vitória dos liberais e um passo rumo à descentralização, mas não resolveu os problemas sociais que alimentavam as revoltas — miséria, escravidão, exclusão política e conflitos entre elites locais e o governo central. Por isso, a descentralização conviveu com a explosão de revoltas, e não as evitou. E, em 1840, a Lei Interpretativa restringiu a autonomia provincial, proibindo as assembleias de legislar sobre certos temas, como a organização da magistratura e da polícia. É o chamado Regresso conservador: centralizar de novo para garantir a ordem e a unidade.

As revoltas regenciais: o que cada uma foi

As revoltas regenciais são o tema mais cobrado do período, e as provas gostam de compará-las. O truque é não decorar só nomes e datas, mas entender quem se revoltou, contra o quê e com que resultado.

A Cabanagem (1835-1840), no Pará, foi a mais sangrenta: cabanos — índios, mestiços, negros e pobres livres — tomaram Belém, depuseram o presidente da província e governaram a província por quase um ano, até a repressão imperial retomar a cidade. Morreram cerca de 30 mil pessoas, uma parcela enorme da população paraense. A Farroupilha (1835-1845), no Rio Grande do Sul, começou como revolta de estancieiros contra os altos impostos sobre o charque e a centralização, e chegou a proclamar a República Rio-Grandense e a República Juliana, em Santa Catarina, com líderes como Bento Gonçalves. Foi a revolta mais longa do período, terminando só em 1845, já no Segundo Reinado, com a Paz de Ponche Verde. A Sabinada (1837-1838), na Bahia, foi liderada por setores médios urbanos de Salvador, sob o médico Francisco Sabino, e proclamou a República Bahiense, mas mantendo a escravidão — um limite importante. A Balaiada (1838-1841), no Maranhão, reuniu vaqueiros, artesãos e escravizados fugidos, liderados por Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, o Balaio, e pelo negro Cosme, que chegou a comandar milhares de quilombolas; foi duramente reprimida por Luís Alves de Lima e Silva, o futuro Duque de Caxias. A Revolta dos Malês (1835), em Salvador, foi uma revolta de escravizados muçulmanos, chamados de malês, que planejavam tomar a cidade; foi descoberta antes e reprimida com extrema violência.

O que as revoltas têm em comum? Quase todas nasceram de descontentamento local — impostos, miséria, exclusão, autoritarismo dos presidentes de província — e foram reprimidas pelo governo central, que via nelas uma ameaça à unidade nacional. E o que as diferencia? A Farroupilha e a Sabinada tiveram forte componente separatista e republicano de elites e setores médios; a Cabanagem e a Balaiada tiveram forte participação popular e de pobres livres e escravizados; a Revolta dos Malês foi uma revolta de escravizados, com identidade religiosa própria. Saber essa diferença é o que separa uma resposta certa de uma errada nas questões comparativas.

Tabela 1: as principais revoltas regenciais

RevoltaOnde e quandoQuem participouDesfecho
CabanagemPará, 1835-1840Cabanos: índios, mestiços, negros e pobres livresRepressão imperial; cerca de 30 mil mortos
FarroupilhaRio Grande do Sul, 1835-1845Estancieiros e militares, liderados por Bento GonçalvesProclamou repúblicas; terminou com a Paz de Ponche Verde (1845)
Revolta dos MalêsSalvador, 1835Escravizados muçulmanos (malês)Descoberta antes da eclosão e duramente reprimida
SabinadaBahia, 1837-1838Setores médios urbanos de Salvador, liderados por Francisco SabinoRepública Bahiense proclamada e depois derrotada
BalaiadaMaranhão, 1838-1841Vaqueiros, artesãos e escravizados, com o Balaio e CosmeReprimida por Luís Alves de Lima e Silva (Caxias)

O Golpe da Maioridade e o fim da regência

Em 1840, liberais e conservadores concordaram em um ponto: a regência tinha se esgotado. As revoltas, embora derrotadas, mostravam que o país precisava de um governo com mais legitimidade. A solução foi antecipar a maioridade de D. Pedro II: em 23 de julho de 1840, a Assembleia Geral declarou o jovem imperador maior de idade, aos 14 anos, embora a Constituição previsse 18. Foi o Golpe da Maioridade — chamado de golpe porque alterou a regra constitucional por decisão política, sem reforma formal, para resolver uma crise. D. Pedro II foi coroado em 1841 e governaria até 1889, no longo Segundo Reinado.

O Golpe da Maioridade não foi uma revolução: manteve a monarquia, a escravidão e o voto censitário. Mas foi uma virada política: encerrou a experiência regencial, devolveu ao trono um símbolo de unidade nacional e abriu caminho para a centralização conservadora do Segundo Reinado. Para as provas, vale a frase-síntese: a maioridade antecipada foi a resposta das elites à instabilidade regencial — trocar um governo fraco e contestado por um imperador jovem, mas legítimo, capaz de unificar o país.

Balanço do período

O balanço do Período Regencial é duplo. De um lado, foi a década mais instável do Império, com revoltas em todas as regiões, milhares de mortos e um governo central frágil. De outro, o Brasil não se fragmentou: ao contrário da América espanhola, que se dividiu em vários países, o Império manteve sua unidade territorial, e o debate entre centralização e autonomia amadureceu as instituições — assembleias provinciais, partidos, Guarda Nacional. É por isso que o ENEM costuma cobrar o período não como uma lista de revoltas, mas como um teste de unidade nacional: por que o Brasil ficou inteiro, mesmo com tanta revolta?

Como o tema cai no ENEM e nos vestibulares

As provas cobram o Ato Adicional de 1834 e a tensão centralização versus descentralização, a comparação entre as revoltas regenciais, o papel da escravidão e da exclusão social nas revoltas populares, e o Golpe da Maioridade como solução política das elites. Para revisar História na sala de estudo, vale reler o Primeiro Reinado, as revoltas nativistas do período colonial e a economia açucareira, que ajuda a entender as elites regionais.

Ilustração estilo Pixar de uma revolta popular no Brasil do século XIX, com cabanos e farroupilhas em cenário rural, sem texto.
Ilustração estilo Pixar de uma revolta popular no Brasil do século XIX, com cabanos e farroupilhas em cenário rural, sem texto.
Ilustração estilo Pixar de um jovem D. Pedro II sendo aclamado imperador em 1840, com multidão no Rio de Janeiro, sem texto.
Ilustração estilo Pixar de um jovem D. Pedro II sendo aclamado imperador em 1840, com multidão no Rio de Janeiro, sem texto.

Mapa mental

  • Período Regencial (1831-1840)
    • Origem: abdicação de D. Pedro I em 1831; herdeiro com 5 anos; regência prevista na Constituição de 1824.
    • Regências: Trina Provisória e Trina Permanente (1831-1835); Feijó, regente único (1835-1837); Araújo Lima (1837-1840), o Regresso.
    • Ato Adicional (1834): assembleias legislativas provinciais; fim do Conselho de Estado; Regência Una; autonomia provincial.
    • Revoltas: Cabanagem (Pará), Farroupilha (RS), Sabinada (Bahia), Balaiada (Maranhão), Malês (Salvador).
    • Disputa central: liberais querem descentralizar; conservadores querem centralizar para manter a ordem e a unidade.
    • Fim: Golpe da Maioridade, 23 de julho de 1840; D. Pedro II assume aos 14 anos; início do Segundo Reinado.
    • Limites: voto censitário mantido; escravidão mantida; maioria da população fora da política formal.
    • Erro comum: dizer que o Período Regencial foi uma república, ou confundir a Farroupilha com uma revolta só de pobres.

SAQ — Perguntas e respostas rápidas

  1. Por que o Brasil teve um Período Regencial? Porque D. Pedro I abdicou em 1831 em favor do filho de 5 anos, D. Pedro de Alcântara, e a Constituição previa uma regência até a maioridade do imperador.
  2. O que foi o Ato Adicional de 1834? Uma reforma da Constituição de 1824 que criou as assembleias legislativas provinciais, extinguiu o Conselho de Estado e substituiu a Regência Trina pela Regência Una.
  3. Quem foram os regentes únicos? Diogo Antônio Feijó (1835-1837), liberal moderado, e Pedro de Araújo Lima (1837-1840), conservador, líder do Regresso.
  4. O que foi a Cabanagem? Uma revolta popular no Pará (1835-1840), em que cabanos tomaram Belém e governaram a província, até a repressão imperial, com cerca de 30 mil mortos.
  5. O que foi a Farroupilha? Uma revolta no Rio Grande do Sul (1835-1845), de estancieiros contra impostos e centralização, que proclamou a República Rio-Grandense e só terminou em 1845.
  6. O que foi a Sabinada? Uma revolta em Salvador (1837-1838), de setores médios urbanos liderados por Francisco Sabino, que proclamou a República Bahiense, mantendo a escravidão.
  7. O que foi a Balaiada? Uma revolta no Maranhão (1838-1841), de vaqueiros, artesãos e escravizados, liderada pelo Balaio e por Cosme, reprimida por Luís Alves de Lima e Silva.
  8. O que foi o Golpe da Maioridade? A antecipação da maioridade de D. Pedro II, em 23 de julho de 1840, quando ele assumiu o trono aos 14 anos, encerrando o Período Regencial.

Questões comentadas

Questão 1

O Ato Adicional de 1834, aprovado durante o Período Regencial, é mais bem caracterizado como:

a) a proclamação da república no Brasil, com o fim da monarquia.
b) uma reforma que ampliou a autonomia das províncias, criando suas assembleias legislativas.
c) a abolição da escravidão em todo o território brasileiro.
d) a instituição do voto universal, incluindo mulheres e escravizados.
e) a restauração do Conselho de Estado e da Regência Trina.

Gabarito: b) uma reforma que ampliou a autonomia das províncias, criando suas assembleias legislativas.

Comentário: O Ato Adicional não acabou com a monarquia nem com a escravidão, e não ampliou o voto. Ele descentralizou o Império: deu às províncias assembleias próprias, extinguiu o Conselho de Estado e criou a Regência Una.

Questão 2

A Cabanagem (1835-1840) e a Farroupilha (1835-1845) se diferenciam, sobretudo, porque:

a) a primeira foi uma revolta popular no Pará, e a segunda, uma revolta de estancieiros no Rio Grande do Sul.
b) ambas foram revoltas de escravizados muçulmanos em Salvador.
c) a primeira defendia a monarquia absoluta, e a segunda, o retorno de Portugal.
d) ambas ocorreram apenas em 1835 e terminaram no mesmo ano.
e) a primeira foi liderada por D. Pedro II, e a segunda, por Feijó.

Gabarito: a) a primeira foi uma revolta popular no Pará, e a segunda, uma revolta de estancieiros no Rio Grande do Sul.

Comentário: A Cabanagem teve base popular — cabanos pobres, índios, mestiços e negros —, enquanto a Farroupilha foi liderada por estancieiros gaúchos insatisfeitos com impostos e centralização. Confundir a composição social das revoltas é a armadilha mais comum desse tema.

Questão 3

O Golpe da Maioridade, em 1840, pode ser entendido como:

a) a abdicação de D. Pedro II em favor de um regente.
b) a proclamação da República Rio-Grandense.
c) a antecipação da maioridade de D. Pedro II, aos 14 anos, para encerrar a instabilidade regencial.
d) a aprovação do Ato Adicional, que criou as assembleias provinciais.
e) a extinção da monarquia e a eleição de um presidente.

Gabarito: c) a antecipação da maioridade de D. Pedro II, aos 14 anos, para encerrar a instabilidade regencial.

Comentário: A Constituição previa 18 anos para a maioridade. Em 1840, liberais e conservadores anteciparam a assunção de D. Pedro II para dar ao governo um símbolo legítimo de unidade e encerrar a regência, sem mudar o regime monárquico.

Questão 4

Durante o Período Regencial, a disputa entre liberais e conservadores girava, principalmente, em torno de:

a) manter ou abolir a escravidão já em 1831.
b) centralizar o poder no Rio de Janeiro ou dar mais autonomia às províncias.
c) restaurar o domínio português sobre o Brasil.
d) adotar o parlamentarismo inglês sem qualquer adaptação.
e) transferir a capital do Império para o Nordeste.

Gabarito: b) centralizar o poder no Rio de Janeiro ou dar mais autonomia às províncias.

Comentário: Liberais defendiam a descentralização e a autonomia provincial, consagrada no Ato Adicional de 1834; conservadores, no Regresso, defendiam a centralização para garantir a ordem. A escravidão não foi abolida no período, e o retorno português não estava em debate.

Questão 5

A Revolta dos Malês (1835), em Salvador, destaca-se entre as revoltas regenciais porque:

a) foi liderada por estancieiros do sul do país.
b) foi uma revolta de escravizados muçulmanos, com identidade religiosa própria.
c) proclamou a República Bahiense, mantendo a escravidão.
d) durou dez anos e terminou com a Paz de Ponche Verde.
e) foi a revolta que levou ao Golpe da Maioridade em 1840.

Gabarito: b) foi uma revolta de escravizados muçulmanos, com identidade religiosa própria.

Comentário: Os malês eram escravizados e libertos muçulmanos de Salvador. A revolta foi descoberta antes de eclodir e reprimida com violência. A República Bahiense foi a Sabinada, e a Paz de Ponche Verde encerrou a Farroupilha.

Dica do professor

Monte um quadro com as cinco revoltas: lugar, datas, quem participou e desfecho. Depois, decore duas datas-âncora: 1834, Ato Adicional, e 1840, Golpe da Maioridade. Se a questão citar assembleia provincial, pense Ato Adicional; se citar imperador de 14 anos assumindo antes da hora, pense Golpe da Maioridade; se citar República Rio-Grandense, pense Farroupilha.

Atenção/cuidado

Cuidado com cinco armadilhas: (1) dizer que o Período Regencial foi republicano — ele manteve a monarquia, com regentes no lugar do imperador criança; (2) confundir Cabanagem com Farroupilha, trocando Pará por Rio Grande do Sul e base popular por estancieiros; (3) achar que o Ato Adicional acabou com as revoltas — elas explodiram justamente nesse período; (4) dizer que D. Pedro II assumiu aos 18 anos — ele assumiu aos 14, em 1840, antes da idade constitucional; (5) achar que a Sabinada aboliu a escravidão — a República Bahiense manteve a escravidão.

Conexão com outras áreas

O tema conecta História com Geografia (as regiões do Império, as províncias e a unidade territorial), com Sociologia (elites, exclusão política, escravidão e movimentos populares), com Língua Portuguesa (a leitura do Ato Adicional e dos manifestos das revoltas) e com Redação (argumentação sobre centralização versus autonomia, unidade nacional e os limites das reformas liberais no século XIX).

Incidência

♨️ Morno — o Período Regencial aparece com frequência no ENEM e nos vestibulares, geralmente ligado ao Ato Adicional de 1834, à comparação entre as revoltas regenciais e ao Golpe da Maioridade de 1840.