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Gêneros jornalísticos: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Gêneros jornalísticos são os formatos do jornalismo para informar, interpretar e opinar — e diferenciá-los é o que garante pontos no ENEM e nos vestibulares.

Jovem jornalista em desenho animado estilo Pixar segurando um microfone e uma folha de jornal em branco, em uma redação animada com outros jornalistas trabalhando em computadores com telas em branco.
Jovem jornalista em desenho animado estilo Pixar segurando um microfone e uma folha de jornal em branco, em uma redação animada com outros jornalistas trabalhando em computadores com telas em branco.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. O que são gêneros jornalísticos?
  3. Os gêneros informativos e os gêneros opinativos
  4. Notícia: o fato, direto e agora
  5. Reportagem: aprofundar é a palavra-chave
  6. Entrevista: a voz do entrevistado em primeiro plano
  7. Editorial: a opinião do jornal
  8. Artigo de opinião: uma pessoa, uma tese
  9. Crônica jornalística: o cotidiano com olhar de escritor
  10. Resenha crítica: informar e avaliar uma obra
  11. Charge: a opinião em desenho
  12. Tabela comparativa: os oito gêneros lado a lado
  13. Tabela comparativa: como diferenciar na prova
  14. Linguagem jornalística: clareza, precisão e adequação
  15. Jornalismo, democracia e desinformação
  16. Como cai no ENEM e nos vestibulares
  17. Mapa mental
  18. SAQ — Perguntas e respostas rápidas
  19. Questões comentadas no estilo ENEM
  20. Dica do professor
  21. Atenção/cuidado
  22. Conexão com outras áreas

Resumo rápido

Todos os dias você lê, ouve ou assiste a textos jornalísticos: a notícia que conta o que aconteceu, a reportagem que aprofunda um assunto, a entrevista com uma pessoa importante, o editorial que mostra a posição de um jornal, o artigo em que alguém defende uma ideia, a crônica que comenta o cotidiano com leveza, a resenha que avalia um livro ou um filme e a charge que critica com humor e desenho. Cada um desses formatos tem um nome: eles são os gêneros jornalísticos. E cada gênero tem uma função, uma estrutura e uma linguagem próprias — é justamente isso que o ENEM e os vestibulares cobram.

A primeira divisão que você precisa dominar é a mais simples e a mais cobrada: de um lado, os gêneros informativos, que têm como compromisso principal relatar fatos — notícia, reportagem e entrevista; do outro, os gêneros opinativos, em que a opinião aparece de forma aberta — editorial, artigo de opinião, crônica e resenha crítica. A charge fica numa posição especial: ela é opinativa, mas fala por meio do desenho e do humor. Saber em que lado da divisão cada gênero está já resolve boa parte das questões, porque muitas alternativas erradas confundem de propósito um gênero informativo com um opinativo, ou atribuem a um texto uma opinião que ele não tem.

Nesta matéria, você vai aprender a reconhecer cada gênero jornalístico pela estrutura, pela linguagem e pela função, vai ver exemplos originais de cada um, vai comparar os gêneros em tabelas, vai entender como a imprensa se relaciona com a democracia e com a luta contra a desinformação, e vai treinar com perguntas rápidas e questões comentadas no estilo do ENEM. No fim, há ainda um mapa mental para revisar tudo em poucos minutos. Se você dominar este tema, ganhará não só pontos em Língua Portuguesa, mas também repertório para a redação e para as provas de Ciências Humanas.

O que são gêneros jornalísticos?

Gênero textual é um formato relativamente estável que usamos para nos comunicar em determinada situação. Uma receita de bolo, um bilhete, um e-mail de trabalho e uma notícia são gêneros diferentes porque servem a propósitos diferentes, circulam em lugares diferentes e seguem estruturas diferentes. Os gêneros jornalísticos são aqueles que nascem dentro do jornalismo, ou seja, no trabalho de apurar, selecionar, organizar e divulgar informações de interesse público em jornais, revistas, sites, rádios, televisões e redes sociais.

Os gêneros informativos e os gêneros opinativos

A classificação mais tradicional do jornalismo brasileiro divide os gêneros em dois grandes grupos. Os gêneros informativos têm como função principal transmitir informações sobre fatos reais, de interesse público, com base em apuração: o jornalista ouve fontes, confere dados, verifica documentos e apresenta o resultado. A opinião do jornalista, nesse grupo, deve ficar em segundo plano. Já os gêneros opinativos têm como função principal expressar um juízo de valor: avaliar, criticar, defender, elogiar ou condenar. Neles, a opinião não só pode como deve aparecer — ela é o próprio conteúdo do texto.

Há ainda gêneros que misturam informação e opinião de forma mais explícita, como a crônica jornalística, que parte de um fato do cotidiano para refletir sobre ele com liberdade literária, e a resenha crítica, que informa sobre uma obra e, ao mesmo tempo, a avalia. E há a charge, que é opinativa por natureza: ela não pretende informar o fato, mas comentá-lo com humor, exagero e crítica. Guarde o quadro geral: notícia, reportagem e entrevista informam; editorial, artigo de opinião, crônica, resenha e charge opinam — cada um à sua maneira.

Notícia: o fato, direto e agora

A notícia é o gênero jornalístico mais básico e mais conhecido. Sua função é informar, com rapidez e clareza, um fato recente e de interesse público: algo que aconteceu, que está acontecendo ou que acaba de ser anunciado. Exemplos: a divulgação do resultado de um vestibular, a inauguração de uma escola, a aprovação de uma lei, um jogo decisivo de um campeonato. Se o fato não for novo nem interessar a um público amplo, ele dificilmente vira notícia.

A estrutura clássica da notícia é a pirâmide invertida: as informações mais importantes vêm primeiro, e os detalhes vão aparecendo depois, em ordem decrescente de importância. O primeiro parágrafo, chamado de lide, responde às perguntas básicas do jornalismo: o quê aconteceu, quem está envolvido, quando aconteceu, onde aconteceu, como aconteceu e, quando possível, por quê aconteceu. Essa técnica nasceu nas redações para que o leitor, mesmo lendo só o início, já saiba o essencial — e para que, se o texto precisasse ser cortado por falta de espaço, o corte pudesse ser feito do fim para o começo sem perder o principal.

Veja um exemplo original de lide: “A Universidade Estadual de Vale Verde divulgou nesta terça-feira (12) o resultado do vestibular 2027. Foram aprovados 1.240 candidatos para 42 cursos, e as matrículas começam na próxima segunda-feira no campus central.” Em duas frases, o leitor já sabe o quê (divulgação do resultado), quem (a universidade e os candidatos), quando (nesta terça-feira), onde (no campus central, para as matrículas) e como (com 1.240 aprovados). O restante da notícia desenvolveria os detalhes: os cursos mais concorridos, o número de inscritos, as datas de cada chamada e as declarações da comissão organizadora.

A linguagem da notícia é, em geral, clara, objetiva e impessoal. Predominam a terceira pessoa, os verbos no passado (para fatos já ocorridos) ou no presente (para fatos em andamento) e a ordem direta das frases. É comum o uso de construções com a palavra “se”, como em “divulgou-se o resultado” ou “foram anunciadas as datas”, que reforçam a impessoalidade — um recurso que vale a pena revisar na matéria sobre a palavra “se”. O título, ou manchete, resume o fato com poucas palavras e chama a atenção; o subtítulo complementa a informação. Fotos, legendas e infográficos ajudam a contextualizar, mas não substituem o texto.

Reportagem: aprofundar é a palavra-chave

Se a notícia responde rápido ao que aconteceu, a reportagem vai além: ela investiga, contextualiza, explica causas e consequências, ouve várias fontes e mostra diferentes ângulos de um mesmo assunto. A reportagem é o gênero do aprofundamento. Ela pode nascer de uma notícia — por exemplo, a divulgação de um resultado de vestibular pode gerar uma reportagem sobre o perfil dos aprovados, as dificuldades de acesso ao ensino superior e as políticas de cotas — ou pode nascer de um tema que não é uma novidade do dia, mas que merece ser investigado.

Exemplo original de abertura de reportagem: “Todos os dias, às cinco da manhã, a estudante Marina acorda em sua cidade no interior, pega dois ônibus e viaja quase duas horas até a escola. Ela não é exceção: milhares de estudantes brasileiros enfrentam o mesmo trajeto para chegar à sala de aula. O que essa rotina revela sobre o acesso à educação no país?” Note a diferença em relação à notícia: aqui não há um fato único e urgente, mas um tema — o deslocamento de estudantes — apresentado por meio de uma história concreta, que abre caminho para dados, entrevistas e análise.

Entrevista: a voz do entrevistado em primeiro plano

A entrevista é o gênero em que o jornalista faz perguntas e o entrevistado responde. Sua função é dar voz a uma pessoa que tem algo relevante a dizer sobre um assunto: um especialista, uma autoridade, um artista, um atleta, um estudante que viveu uma experiência marcante. A entrevista pode ser publicada em formato de perguntas e respostas, mantendo a estrutura do diálogo, ou em formato de texto corrido, em que as respostas são organizadas em narrativa, com trechos citados entre aspas.

Há dois tipos principais que caem nas provas. A entrevista informativa busca esclarecer um assunto: o jornalista pergunta para obter informações, dados e explicações. A entrevista opinativa busca conhecer o ponto de vista do entrevistado: o jornalista pergunta para saber o que aquela pessoa pensa, defende ou critica. Nos dois casos, quem opina é o entrevistado, não o jornalista. O papel do jornalista é conduzir a conversa com boas perguntas: perguntas abertas, que não podem ser respondidas só com “sim” ou “não”, e perguntas de aprofundamento, que pedem exemplos, números e explicações.

Exemplo original de trecho de entrevista, em formato de perguntas e respostas: “Pergunta: O que mudou na rotina dos estudantes com o ensino híbrido? Resposta: Mudou, principalmente, a relação com o tempo. O aluno passou a organizar o próprio horário, mas também passou a sentir falta do contato diário com colegas e professores. A tecnologia ajudou, mas não substituiu a sala de aula.” Perceba que o texto reproduz a fala do entrevistado, com seu vocabulário e seu ponto de vista, e que o jornalista aparece apenas nas perguntas e, às vezes, numa breve apresentação inicial.

Editorial: a opinião do jornal

O editorial é o texto em que o próprio veículo de comunicação expressa sua opinião sobre um assunto de interesse público. Ele não é assinado por um jornalista específico: quem “fala” no editorial é o jornal, a revista ou o portal como instituição. Por isso, o editorial costuma aparecer sem assinatura, ou assinado apenas com o nome do veículo, e ocupa um espaço fixo na seção de opinião.

A função do editorial é posicionar-se: defender uma medida, criticar uma decisão, cobrar uma providência, elogiar uma iniciativa ou alertar para um problema. Sua estrutura se aproxima da do texto dissertativo-argumentativo: apresenta o tema, expõe os fatos relevantes, desenvolve argumentos e conclui com um posicionamento ou uma recomendação. Não por acaso, estudar o editorial ajuda muito na redação do ENEM, porque os dois textos argumentam — com a diferença de que o editorial defende a posição de um veículo, e a redação defende a posição do candidato. Para aprofundar a argumentação, vale revisar a matéria sobre o texto dissertativo-argumentativo.

Exemplo original de trecho de editorial: “O aumento das vagas nas universidades públicas é uma boa notícia, mas não basta. Sem investimento em permanência estudantil — moradia, alimentação e transporte —, as vagas continuarão vazias para quem mais precisa delas. É hora de o poder público tratar o acesso e a permanência como partes do mesmo compromisso.” Note o tom: não há neutralidade aqui. O texto avalia (“é uma boa notícia, mas não basta”), cobra (“é hora de”) e defende uma tese. Essa clareza de posição é a marca do editorial.

Artigo de opinião: uma pessoa, uma tese

O artigo de opinião é o gênero em que um autor identificado — um jornalista, um professor, um especialista, um leitor convidado — defende um ponto de vista sobre um tema atual. Diferente do editorial, o artigo é sempre assinado, e a opinião expressa é do autor, não necessariamente do veículo que o publica. Um jornal pode publicar artigos com posições divergentes entre si e até contrárias à do seu editorial: isso faz parte do debate democrático.

Exemplo original de trecho de artigo de opinião: “Na minha experiência como professora há vinte anos, aprendi que nenhuma tecnologia substitui um bom professor. As plataformas ajudam, os vídeos complementam, mas é na conversa, na pergunta inesperada e no olhar atento que a aprendizagem realmente acontece. Por isso, investir só em equipamentos, sem investir em quem ensina, é construir escolas bonitas e vazias de sentido.” Aqui, a primeira pessoa, a experiência pessoal e a tese clara — “nenhuma tecnologia substitui um bom professor” — identificam o artigo de opinião.

Crônica jornalística: o cotidiano com olhar de escritor

A crônica jornalística é um gênero híbrido, que fica na fronteira entre o jornalismo e a literatura. Ela parte de um fato do cotidiano — uma cena na rua, uma conversa no ônibus, uma notícia curiosa, um hábito da cidade — e o comenta com leveza, humor, lirismo ou reflexão. A crônica não tem a obrigação de informar com rigor de notícia, nem de argumentar com rigor de artigo: sua força está no olhar do autor, que transforma um detalhe aparentemente banal em motivo de pensamento.

Exemplo original de trecho de crônica: “Toda manhã, no ponto de ônibus, o senhor de chapéu cumprimenta o motorista pelo nome, e o motorista responde com um aceno que parece ensaiado há anos. Ninguém ali anota nada, ninguém fotografa, mas aquele ritual mínimo diz mais sobre a cidade do que muitos discursos: há lugares em que a gentileza ainda é o primeiro transporte do dia.” Perceba: não há uma notícia, no sentido estrito, nem uma tese argumentada. Há uma cena, uma observação e uma reflexão — e é isso que faz o texto ser uma crônica.

Resenha crítica: informar e avaliar uma obra

A resenha crítica é o gênero em que o autor apresenta uma obra — um livro, um filme, uma peça, um disco, uma exposição, um jogo — e a avalia. Ela cumpre, portanto, duas funções ao mesmo tempo: informar o leitor sobre o que é a obra (tema, enredo, autoria, contexto) e emitir um juízo de valor sobre ela (se é boa, em que acerta, em que falha, para quem se recomenda). Essa dupla função é a marca da resenha e o que mais cai nas questões sobre ela.

Exemplo original de trecho de resenha: “O romance ‘A cidade dos ventos’, da escritora Lúcia Prado, acompanha uma jovem que volta à cidade natal para cuidar da mãe doente. A prosa é ágil e as descrições do interior são o ponto mais forte do livro; em compensação, o desfecho apressado deixa pontas soltas que frustram o leitor. Recomenda-se, sobretudo, a quem gosta de histórias de família com forte ambientação regional.” Note a combinação: informação (do que trata o livro, quem é a autora) e avaliação (prosa ágil, desfecho apressado, recomendação).

É importante diferenciar a resenha crítica do simples resumo. O resumo apenas sintetiza o conteúdo, sem avaliar. A resenha, ao contrário, avalia — e é essa avaliação que a torna um gênero opinativo. Nas provas, a questão pode pedir para identificar a avaliação do resenhista, para distinguir o resumo da crítica ou para perceber que a resenha, embora opinativa, se apoia em informações objetivas sobre a obra. Outra confusão comum é com o artigo de opinião: a resenha opina, mas opina sobre uma obra cultural específica, e não sobre um tema geral da atualidade.

Charge: a opinião em desenho

A charge é o gênero jornalístico opinativo que se expressa por meio do desenho e do humor. Em geral, é um único quadro, publicado em jornais ao lado do editorial, que comenta um fato atual com caricatura, exagero e ironia. Ela não informa o fato: ela o critica, o ironiza ou o denuncia. Por isso, para entender uma charge, é preciso conhecer, ainda que por alto, o fato que ela comenta — sem contexto, a crítica se perde.

Os recursos da charge são visuais: a caricatura exagera traços de figuras públicas para torná-las reconhecíveis e para associar o exagero a uma característica criticada; o tamanho desproporcional sugere poder ou fragilidade; as expressões faciais, os símbolos (uma balança para a justiça, um cofre para o dinheiro público) e o contraste entre a fala do personagem e a imagem completam o sentido. A ironia é o recurso mais frequente: o personagem diz uma coisa e a imagem mostra o contrário, e o leitor precisa perceber que o sentido real é o oposto do literal.

Exemplo original de descrição de charge: um governante sorridente, desenhado minúsculo, tenta alcançar a maçaneta de uma porta gigantesca com a placa “transparência”, enquanto diz “estamos mais abertos do que nunca”. O humor nasce do contraste entre a fala e a imagem, e a crítica é clara: o discurso de abertura não corresponde à prática. Para um estudo completo desse gênero, veja a matéria sobre charges e tirinhas.

Tabela comparativa: os oito gêneros lado a lado

GêneroFunção principalInformativo ou opinativo?Estrutura marcanteLinguagem predominante
NotíciaInformar um fato recenteInformativoLide + pirâmide invertidaClara, objetiva, impessoal
ReportagemAprofundar um temaInformativoEstrutura livre, com fontes e dadosClara, com descrições e narração
EntrevistaDar voz ao entrevistadoInformativo (a opinião é do entrevistado)Perguntas e respostas, ou texto corrido com citaçõesDiálogo, com marcas de oralidade
EditorialExpressar a posição do veículoOpinativoTema, argumentos e conclusãoFormal, impessoal na forma, opinativa no conteúdo
Artigo de opiniãoDefender a tese de um autorOpinativoTese, argumentos e conclusãoArgumentativa, muitas vezes em primeira pessoa
Crônica jornalísticaComentar o cotidiano com olhar pessoalOpinativoCena do cotidiano + reflexãoSolta, pessoal, com recursos literários
Resenha críticaApresentar e avaliar uma obraOpinativoIdentificação, resumo e avaliaçãoClara e avaliativa, com exemplos
ChargeCriticar com desenho e humorOpinativoQuadro único, caricatura e ironiaVisual: desenho, símbolos e fala curta

Tabela comparativa: como diferenciar na prova

Pergunta para fazer ao textoSe a resposta for…Provavelmente é…
O texto informa um fato novo, de forma curta e direta?Sim, com lide e detalhes em ordem de importânciaNotícia
O texto aprofunda um tema, com várias fontes e dados?Sim, e é longo e contextualizadoReportagem
O texto é organizado como um diálogo de perguntas e respostas?Sim, quem opina é o entrevistadoEntrevista
Quem assina e se responsabiliza pela opinião?O veículo, sem assinatura individualEditorial
Quem assina e se responsabiliza pela opinião?Uma pessoa, com nome e tese própriaArtigo de opinião
O texto parte de uma cena do cotidiano e reflete sobre ela?Sim, com tom pessoal e leveCrônica jornalística
O texto apresenta e avalia um livro, filme ou outra obra?Sim, com resumo e juízo de valorResenha crítica
O texto critica com um único desenho, exagero e humor?Sim, ligado a um fato atualCharge

Linguagem jornalística: clareza, precisão e adequação

A linguagem jornalística tem como ideais a clareza, a precisão e a objetividade, mas isso não significa que todos os gêneros escrevam do mesmo jeito. A notícia e a reportagem buscam a impessoalidade: terceira pessoa, frases diretas, vocabulário preciso, números conferidos e aspas para marcar a fala das fontes. O editorial e o artigo de opinião usam a argumentação: conectivos que organizam o raciocínio (“portanto”, “contudo”, “além disso”), modalizadores que expressam juízo (“é preciso”, “infelizmente”, “felizmente”) e exemplos que sustentam a tese. A crônica permite a liberdade literária: metáforas, coloquialismos e digressões. A entrevista preserva marcas da oralidade do entrevistado. A charge, por fim, fala com poucas palavras e muita imagem.

Outro aspecto da linguagem jornalística atual é a relação com as tecnologias da comunicação e informação: a internet encurtou os textos, criou títulos pensados para a tela do celular, multiplicou o uso de vídeos, áudios, infográficos interativos e links, e aproximou o leitor do jornalista por meio dos comentários. Essa mudança não alterou a essência dos gêneros, mas alterou seu formato e sua velocidade: hoje, uma notícia pode ser atualizada várias vezes ao longo do dia, e uma reportagem pode ganhar versões em texto, vídeo e podcast. Saber disso ajuda a entender questões que tratam do jornalismo digital e das novas formas de circulação da informação.

Jornalismo, democracia e desinformação

O jornalismo tem uma função social que vai além de informar: ele é um dos pilares da democracia. Ao apurar fatos, fiscalizar o poder público, dar voz a diferentes grupos e promover o debate de ideias, a imprensa ajuda os cidadãos a tomar decisões informadas — votar, cobrar políticas públicas, participar da vida coletiva. Por isso, a liberdade de imprensa é garantida como direito em regimes democráticos, e a censura à imprensa é um dos primeiros sinais de regimes autoritários.

O tema se conecta diretamente com um dos maiores desafios atuais: a desinformação. Notícias falsas se espalham porque imitam a aparência do jornalismo — têm manchete, foto e tom de urgência —, mas não passam por apuração. Elas costumam apelar para a emoção, confirmar crenças prévias do leitor e circular em redes sociais e aplicativos de mensagem, onde a checagem é menor — um efeito direto das tecnologias da comunicação e informação. Para se proteger, o leitor precisa de letramento midiático: verificar a fonte, desconfiar de manchetes sensacionalistas, buscar a mesma informação em veículos confiáveis, observar a data e o contexto e não compartilhar antes de checar.

Como cai no ENEM e nos vestibulares

Um conselho prático para a prova: antes de olhar as alternativas, identifique o gênero com suas próprias palavras. Diga mentalmente: “isto é uma notícia, porque informa um fato recente com lide” ou “isto é um artigo, porque um autor assinado defende uma tese”. Depois, leia as alternativas e elimine as que contrariam essa identificação. Muitas alternativas erradas são construídas justamente para quem não fez essa primeira identificação: elas atribuem opinião a um texto informativo, confundem editorial com artigo, chamam de reportagem o que é notícia ou tomam a ironia de uma charge ao pé da letra.

Repórter em desenho animado estilo Pixar entrevistando uma mulher sorridente com um microfone, enquanto um cinegrafista filma a conversa, com caderno e folhas em branco sobre a mesa.
Repórter em desenho animado estilo Pixar entrevistando uma mulher sorridente com um microfone, enquanto um cinegrafista filma a conversa, com caderno e folhas em branco sobre a mesa.
Dois estudantes em desenho animado estilo Pixar lendo juntos um jornal aberto em branco em uma sala de aula, conversando animados, com cadernos e lápis sobre a mesa.
Dois estudantes em desenho animado estilo Pixar lendo juntos um jornal aberto em branco em uma sala de aula, conversando animados, com cadernos e lápis sobre a mesa.

Mapa mental

  • Gêneros jornalísticos: formatos do jornalismo para informar, interpretar e opinar, que circulam em jornais, revistas, sites, rádio, TV e redes sociais.
  • Informativos: notícia (fato recente, lide, pirâmide invertida), reportagem (tema aprofundado, várias fontes e dados) e entrevista (diálogo de perguntas e respostas; quem opina é o entrevistado).
  • Opinativos: editorial (posição do veículo, sem assinatura individual), artigo de opinião (tese de um autor assinado), crônica (cotidiano com olhar pessoal e literário), resenha crítica (apresenta e avalia uma obra) e charge (crítica em desenho, com humor e ironia).
  • Notícia: o quê, quem, quando, onde, como e por quê, logo no lide; linguagem clara, objetiva e impessoal; declarações entre aspas são da fonte, não do jornalista.
  • Reportagem x notícia: notícia informa o fato imediato; reportagem explica o fato e seu contexto, com mais extensão, fontes e dados.
  • Editorial x artigo: no editorial, quem se responsabiliza é o veículo; no artigo, é uma pessoa assinada, com tese própria.
  • Charge: quadro único, caricatura, exagero e ironia; exige conhecimento do fato comentado; nunca tomar a fala irônica ao pé da letra.
  • Linguagem: clareza e precisão na notícia; argumentação no editorial e no artigo; liberdade literária na crônica; oralidade na entrevista; imagem na charge.
  • Função social: informar, fiscalizar o poder, promover o debate e sustentar a democracia; credibilidade depende de apuração, checagem e separação entre informação e opinião.
  • Na prova: identifique primeiro o gênero, depois a função predominante; elimine alternativas que confundam informativo com opinativo ou que generalizem a crítica.

SAQ — Perguntas e respostas rápidas

1. O que são gêneros jornalísticos? São os formatos usados pelo jornalismo para informar, interpretar e opinar, como notícia, reportagem, entrevista, editorial, artigo de opinião, crônica, resenha crítica e charge.

2. Qual é a diferença entre gêneros informativos e opinativos? Nos informativos, o centro é o fato, e a opinião do jornalista fica em segundo plano; nos opinativos, o centro é o juízo de valor, e a opinião aparece de forma aberta.

3. O que é o lide de uma notícia? É o primeiro parágrafo da notícia, que responde às perguntas básicas: o quê, quem, quando, onde, como e, quando possível, por quê aconteceu o fato.

4. Qual é a diferença entre notícia e reportagem? A notícia informa um fato recente, de forma curta e direta, em pirâmide invertida; a reportagem aprofunda um tema, com mais extensão, várias fontes, dados e contexto.

5. Qual é a diferença entre editorial e artigo de opinião? No editorial, quem opina é o veículo, sem assinatura individual; no artigo, quem opina é uma pessoa assinada, que defende uma tese própria, que pode divergir da posição do veículo.

6. Por que a charge exige conhecimento do contexto? Porque ela comenta um fato atual com desenho, exagero e ironia; sem conhecer o fato comentado, o leitor pode achar o desenho engraçado, mas perde a crítica — que é o centro do gênero.

7. O que diferencia a resenha crítica de um simples resumo? O resumo apenas sintetiza o conteúdo de uma obra; a resenha, além de apresentar a obra, a avalia, apontando pontos fortes e fracos e, muitas vezes, recomendando-a ou não.

Questões comentadas no estilo ENEM

Questão 1. Leia o trecho a seguir, publicado num jornal: “A prefeitura de Santa Rosa anunciou nesta segunda-feira (9) a abertura de 500 novas vagas em creches municipais. As inscrições começam na próxima semana e serão feitas pela internet, segundo a Secretaria de Educação.” O gênero do texto é a notícia, porque ele

a) defende a tese de que a prefeitura deveria abrir mais vagas.
b) informa um fato recente, de forma direta e impessoal, com as informações essenciais logo no início.
c) apresenta um diálogo de perguntas e respostas com a secretária de Educação.
d) avalia, com humor e desenho, a política de creches do município.
e) narra uma cena do cotidiano para refletir sobre a infância.

Gabarito: B. Comentário: o texto informa um fato novo (a abertura de vagas), com data, agente, número e procedimento, em linguagem impessoal, sem defender tese — as marcas da notícia e do lide. A alternativa A confunde notícia com texto opinativo; C descreveria uma entrevista; D, uma charge; E, uma crônica.

Questão 2. Uma revista publicou um texto longo sobre a evasão escolar no ensino médio, com depoimentos de estudantes, dados do censo escolar, entrevistas com especialistas e a história de uma jovem que voltou a estudar depois de dois anos fora da escola. O gênero desse texto é, predominantemente, a reportagem, porque ele

a) limita-se a informar um único fato ocorrido no dia da publicação.
b) expressa a opinião oficial da revista, sem assinatura individual.
c) aprofunda um tema, contextualizando-o com várias fontes, dados e histórias.
d) avalia uma obra cultural, recomendando-a ou não ao leitor.
e) comenta o cotidiano com leveza e tom pessoal, sem compromisso com a apuração.

Gabarito: C. Comentário: extensão, multiplicidade de fontes, dados e contextualização de um tema — e não de um fato isolado — são as marcas da reportagem. A alternativa A descreveria uma notícia; B, um editorial; D, uma resenha; E, uma crônica.

Questão 3. Num jornal, um texto sem assinatura individual afirma: “O reajuste do transporte público, sem melhoria correspondente na qualidade do serviço, é inaceitável. Cumpre ao poder público rever a medida antes que o custo recaia, mais uma vez, sobre quem depende do ônibus todos os dias.” O texto é um editorial, porque

a) reproduz um diálogo entre jornalista e entrevistado.
b) apresenta e avalia um livro recém-lançado.
c) expressa a posição do próprio veículo, de forma institucional, sobre um tema de interesse público.
d) narra uma cena cotidiana com tom literário e pessoal.
e) limita-se a informar o valor do novo reajuste, sem emitir juízo.

Gabarito: C. Comentário: a ausência de assinatura individual, o tom institucional e a cobrança (“cumpre ao poder público rever”) identificam o editorial: quem opina é o veículo. A alternativa E descreveria uma notícia; as demais, outros gêneros opinativos ou informativos que não correspondem ao trecho.

Questão 4. Um texto assinado por uma professora começa assim: “Trabalho há quinze anos em escola pública e afirmo: nenhuma reforma educacional funciona se não ouvir quem está todos os dias na sala de aula.” A seguir, a autora desenvolve argumentos, cita exemplos de sua experiência e conclui defendendo a participação dos professores nas decisões. O gênero do texto é o artigo de opinião, porque nele

a) uma autora identificada defende uma tese própria, com argumentos e conclusão.
b) o veículo expressa sua posição institucional, sem assinatura.
c) o jornalista apenas reporta um fato recente, sem opinar.
d) um entrevistado responde a perguntas formuladas pelo jornalista.
e) uma obra cultural é apresentada e avaliada.

Gabarito: A. Comentário: assinatura, primeira pessoa, experiência pessoal, tese explícita (“nenhuma reforma funciona se não ouvir quem está na sala de aula”) e desenvolvimento argumentativo são as marcas do artigo de opinião. A alternativa B descreveria um editorial; C, uma notícia; D, uma entrevista; E, uma resenha.

Questão 5. Uma charge publicada num jornal mostra um cidadão minúsculo tentando empurrar uma porta gigantesca com a placa “emprego”, enquanto um homem de terno, do alto de uma escada, diz: “Basta ter força de vontade!”. A crítica da charge se constrói, principalmente,

a) pela descrição objetiva do mercado de trabalho.
b) pelo contraste irônico entre a fala do homem de terno e a imagem do obstáculo desproporcional enfrentado pelo cidadão.
c) pela ausência de qualquer posicionamento do autor.
d) pela apresentação neutra de dados sobre o desemprego.
e) pelo diálogo de perguntas e respostas entre os dois personagens.

Gabarito: B. Comentário: a charge é opinativa e fala por imagem: a porta gigante simboliza o obstáculo, o cidadão pequeno simboliza a fragilidade, e a fala “basta ter força de vontade” é irônica — o desenho mostra que vontade, sozinha, não basta. Tomar a fala ao pé da letra, como conselho sincero, é a armadilha clássica das questões sobre charge.

Questão 6. Um site de cultura publicou o seguinte trecho: “O filme ‘Travessia’ acompanha dois irmãos que cruzam o país de bicicleta. A fotografia é belíssima e o roteiro emociona no primeiro ato, mas o ritmo cai na metade final, e o desfecho parece apressado. Vale a sessão para quem gosta de dramas de estrada, com uma ressalva: vá sem esperar um final redondo.” O gênero do texto é a resenha crítica, porque ele

a) informa um fato recente, com lide e pirâmide invertida.
b) defende uma tese sobre um tema geral da atualidade.
c) apresenta uma obra e a avalia, apontando pontos fortes e fracos e recomendando-a com ressalvas.
d) reproduz uma entrevista com o diretor do filme.
e) comenta uma cena do cotidiano, sem avaliar nenhuma obra.

Gabarito: C. Comentário: a dupla função — apresentar a obra (do que trata o filme) e avaliá-la (fotografia belíssima, ritmo que cai, desfecho apressado, recomendação com ressalva) — define a resenha crítica. Um simples resumo não avaliaria; um artigo opinaria sobre um tema geral, e não sobre uma obra específica.

Dica do professor

Faça um treino de cinco minutos por dia durante uma semana: abra um jornal ou portal, identifique um texto de cada gênero — notícia, reportagem, entrevista, editorial, artigo, crônica, resenha e charge — e escreva, ao lado de cada um, a função dele numa frase. Ao fim da semana, você terá lido mais de cinquenta textos jornalísticos com olhar de prova, e a identificação de gênero, que hoje parece difícil, terá virado reflexo. Na véspera do exame, revise apenas a tabela comparativa desta matéria e a diferença entre editorial e artigo, que é a confusão mais comum.

Atenção/cuidado

Cuidado com quatro armadilhas. Primeira: declaração entre aspas não é opinião do jornalista — é opinião da fonte, e a notícia continua informativa. Segunda: editorial não é artigo — no editorial, quem fala é o veículo, sem assinatura; no artigo, quem fala é uma pessoa assinada. Terceira: notícia não é reportagem — texto curto, fato imediato e pirâmide invertida indicam notícia; texto longo, tema aprofundado e várias fontes indicam reportagem. Quarta: na charge, nunca tome a fala irônica ao pé da letra — se o desenho contradiz a fala, o sentido real é o do desenho, não o das palavras. Por fim, não generalize a crítica de um texto: identificar o alvo exato da crítica, sem ampliar nem inverter o sentido, é o que separa a alternativa certa das erradas.

Conexão com outras áreas

Os gêneros jornalísticos conversam com várias disciplinas. Com História, porque jornais antigos e charges de época são documentos históricos que revelam como cada sociedade via seus governantes, suas guerras e suas crises. Com Sociologia e Filosofia, porque a liberdade de imprensa, o papel da mídia na formação da opinião pública e o combate à desinformação são temas centrais dessas áreas. Com Artes, porque a charge e o fotojornalismo são linguagens visuais, e ler uma imagem é também ler arte. Com as tecnologias da comunicação e informação, porque a internet transformou a circulação, a velocidade e o formato dos gêneros jornalísticos. E com a redação, porque ler editoriais e artigos de opinião é o melhor treino para organizar tese, argumentos e proposta de intervenção — a base do texto dissertativo-argumentativo cobrado no ENEM.

Incidência: ♨️ Morno. Gêneros jornalísticos aparecem com frequência moderada no ENEM e nos vestibulares, quase sempre em questões de identificação de gênero, função do texto e interpretação de charges e artigos — um tema que vale revisar com atenção, sobretudo pela confusão frequente entre notícia e reportagem e entre editorial e artigo de opinião.