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Romantismo: Prosa — o que cai no ENEM e nos vestibulares

A prosa romântica inventou o Brasil em romance: índio heroico, moça da cidade, sertão e história nacional, com José de Alencar à frente. Veja os quatro tipos e o que cai na prova.

Escritor brasileiro do século dezenove em desenho animado escrevendo com pena sobre papel em uma mesa de madeira, junto a uma janela aberta com vista para floresta tropical, rio e cidade antiga ao pôr do sol.
Escritor brasileiro do século dezenove em desenho animado escrevendo com pena sobre papel em uma mesa de madeira, junto a uma janela aberta com vista para floresta tropical, rio e cidade antiga ao pôr do sol.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. O que é a prosa romântica
  3. Contexto histórico: um país novo procurando a sua história
  4. José de Alencar: o romancista que inventou o Brasil
  5. Romance indianista: o índio como herói fundador
  6. Romance urbano: amor, casamento e dinheiro na corte
  7. Romance regionalista: o sertão, o pampa e os costumes do interior
  8. Romance histórico: o passado recriado como aventura
  9. Outros autores e obras que podem cair
  10. Características da prosa romântica para memorizar
  11. Linha do tempo da prosa romântica
  12. Tabela comparativa: os quatro tipos de romance romântico
  13. O que cai no ENEM e nos vestibulares
  14. Mapa mental
  15. SAQ — Perguntas curtas com respostas
  16. Questões comentadas
  17. Dica do professor
  18. Atenção/cuidado
  19. Conexão com outras áreas
  20. Incidência

Resumo rápido

A prosa romântica brasileira é o conjunto de romances escritos no Brasil no século dezenove, dentro do Romantismo, o movimento que valorizava a emoção, a imaginação, a liberdade de criação e a identidade de cada povo. Enquanto os poetas românticos escreviam versos sobre o amor, a saudade e a pátria, os romancistas contavam histórias longas, com personagens, conflitos, cenários e desfechos, e usavam essas histórias para apresentar um Brasil que ainda estava se inventando como nação. O Brasil tinha se tornado independente de Portugal em 1822, mas ainda procurava a sua cara própria: que língua falar, que heróis celebrar, que paisagens mostrar e que costumes retratar. O romance romântico respondeu a essas perguntas com histórias apaixonantes, e por isso ele é tão importante para a nossa literatura.

O nome central dessa prosa é José de Alencar (1829–1877), autor de O Guarani, Iracema, Ubirajara, Senhora, Lucíola, O Sertanejo, O Gaúcho e As Minas de Prata. Alencar é tão completo que sozinho cobre os quatro tipos de romance romântico que mais caem na prova: o indianista, que idealiza o indígena como herói; o urbano, que se passa na cidade, geralmente no Rio de Janeiro, e trata de amor, casamento e dinheiro; o regionalista, que retrata o sertão, os pampas e os costumes do interior; e o histórico, que recria um período do passado do Brasil. Ao lado dele, aparecem outros autores importantes, como Joaquim Manuel de Macedo, autor de A Moreninha; Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um Sargento de Milícias; Bernardo Guimarães, autor de A Escrava Isaura; Franklin Távora, autor de O Cabeleira; o Visconde de Taunay, autor de Inocência; e Maria Firmina dos Reis, autora de Úrsula, um romance pioneiro contra a escravidão.

Para a prova, guarde esta ideia simples: o cenário e o conflito entregam o tipo de romance. Se a história se passa na floresta, com índio heroico e encontro entre culturas, é indianista. Se se passa em salões e casas da cidade, com namoro, casamento e herança, é urbano. Se o sertão, o vaqueiro, o gaúcho ou o cangaceiro dominam a cena, com costumes e linguagem do interior, é regionalista. Se a história recria um período passado, como o Brasil colonial, com personagens que viveram ou poderiam ter vivido naquela época, é histórico. Este artigo explica cada tipo com obras, personagens e exemplos, traz tabelas para memorizar rápido, uma linha do tempo, perguntas curtas com respostas e questões comentadas originais, no estilo do ENEM e dos vestibulares. Se quiser situar a prosa dentro do movimento, vale revisar a primeira geração romântica e a segunda geração romântica, que tratam da poesia do período, enquanto este artigo se concentra na prosa.

O que é a prosa romântica

Prosa é o texto escrito em frases e parágrafos, sem versos, como um romance, um conto ou uma crônica. No Romantismo, o romance se tornou o gênero mais popular, porque ele cabia em jornais, em capítulos publicados aos poucos, os chamados folhetins, e porque ele falava de assuntos que interessavam a muita gente: amor, família, dinheiro, honra, aventura e identidade. O leitor do século dezenove acompanhava a história semana após semana, torcia pelo casal, sofria com o vilão e esperava o desfecho. Essa forma de publicação ajuda a entender uma característica dos romances românticos: eles têm reviravoltas, segredos revelados no fim, reencontros improváveis e finais emocionantes, às vezes felizes, às vezes trágicos.

Outra característica importante é a idealização, que depois seria questionada pelo Realismo. O herói romântico costuma ser corajoso, honrado e fiel; a heroína costuma ser bela, pura e dedicada; o vilão costuma ser ambicioso e sem escrúpulos; e a natureza costuma ser grandiosa, como se participasse da história. Isso não quer dizer que os romancistas não vissem os problemas do Brasil. Pelo contrário: muitos romances tratam da escravidão, da desigualdade, da vida difícil no interior e das aparências da sociedade da cidade. Mas o olhar romântico prefere emocionar o leitor, e não fazer uma análise fria e científica da sociedade. Essa diferença é fundamental para não confundir Romantismo com Realismo: o romântico idealiza e emociona; o realista, que viria depois, observa e critica com mais distanciamento. Para comparar os gêneros e as formas, vale revisar os gêneros literários.

Há ainda um traço que atravessa toda a prosa romântica: o nacionalismo, isto é, a vontade de mostrar o Brasil como um país com história, natureza e costumes próprios. Por isso os romances valorizam tanto a paisagem brasileira, seja a floresta, o sertão ou o pampa; por isso o índio aparece como herói fundador; e por isso tantos romances se passam em lugares bem brasileiros, e não em cenários europeus genéricos. Ao mesmo tempo, o romance romântico herdou modelos europeus, como o romance de folhetim francês e o romance histórico de Walter Scott, e os adaptou à realidade brasileira. Entender essa mistura — modelo europeu adaptado ao Brasil — ajuda a responder questões que perguntam por que a nossa prosa romântica é ao mesmo tempo parecida com a europeia e tão diferente dela.

Contexto histórico: um país novo procurando a sua história

A prosa romântica brasileira nasce e cresce junto com o Segundo Reinado, o período em que dom Pedro Segundo governou o Brasil, de 1840 a 1889. Era um país que tinha uma monarquia, uma corte no Rio de Janeiro, uma economia baseada na agricultura e no trabalho escravo, e uma elite que lia jornais, frequentava teatros e queria uma literatura nacional. O primeiro romance brasileiro costuma ser apontado como O Filho do Pescador, de Teixeira e Sousa, publicado em 1843, mas foi a partir de A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, em 1844, que o romance brasileiro ganhou público de verdade. A partir daí, os romances se multiplicaram, e José de Alencar, com uma produção enorme entre as décadas de 1850 e 1870, transformou o romance no principal instrumento de invenção da identidade nacional.

Três temas do contexto histórico aparecem o tempo todo nos romances e caem na prova. O primeiro é a formação da nacionalidade: depois da Independência, era preciso dizer o que era ser brasileiro, e o romance fez isso criando heróis, paisagens e costumes que o leitor reconhecia como seus. O segundo é a escravidão: o Brasil do século dezenove era um país escravista, e romances como A Escrava Isaura e Úrsula colocaram o tema no centro da história, defendendo a liberdade e denunciando a violência da escravidão, mesmo dentro das limitações do olhar romântico. O terceiro é a vida na cidade e no interior: o Rio de Janeiro da corte, com seus bailes, casamentos e negócios, contrasta com o sertão, com seus vaqueiros, fazendas e códigos de honra, e os romances exploram esse contraste o tempo todo.

Um cuidado importante: o romance romântico não é um documento histórico fiel. Quando Alencar escreve sobre o encontro entre portugueses e indígenas no século dezesseis, ele não está fazendo um relato exato do que aconteceu; ele está criando uma origem poética para o Brasil, com heróis idealizados. Quando ele descreve o sertão, ele valoriza a coragem e a honra do sertanejo, mas suaviza a dureza da vida real. Saber disso evita um erro comum na prova: tratar o romance romântico como se fosse uma reportagem do passado. Ele é literatura, com imaginação e projeto de nação, e a prova cobra justamente essa leitura crítica: reconhecer a idealização, sem negar o valor literário e histórico da obra.

José de Alencar: o romancista que inventou o Brasil

José de Alencar nasceu no Ceará, em 1829, formou-se em Direito, foi jornalista, deputado e ministro, e escreveu romances, peças de teatro e ensaios sobre a língua e a literatura brasileiras. Ele defendia que o Brasil precisava de uma literatura própria, com temas, palavras e ritmos brasileiros, e não de uma simples cópia dos modelos portugueses. Essa defesa aparece nos prefácios e nas cartas dos seus livros, e também na prática: Alencar usa palavras indígenas, descreve plantas, animais e costumes do Brasil e cria personagens que se tornaram símbolos, como Peri, Iracema e Aurélia.

A obra de Alencar costuma ser organizada nos quatro tipos de romance que este artigo detalha. Essa organização é um recurso didático, e não uma divisão rígida feita pelo próprio autor: um mesmo romance pode ter traços de mais de um tipo, e a prova adora explorar isso. O importante é saber qual traço predomina em cada obra. O Guarani e Iracema são os indianistas mais famosos. Lucíola e Senhora são os urbanos mais cobrados. O Sertanejo e O Gaúcho são os regionalistas mais conhecidos. As Minas de Prata é o histórico mais lembrado. Se você memorizar essa lista, com um exemplo de cada tipo, já resolve boa parte das questões sobre Alencar.

Outro ponto cobrado é a linguagem de Alencar. Ele escreve com frases longas, descrições detalhadas da natureza e dos sentimentos, e um vocabulário rico, com palavras de origem indígena, como Iracema, que é um anagrama de América, segundo a interpretação mais famosa do romance. Ao mesmo tempo, Alencar procurou uma prosa mais brasileira, menos presa às regras de Portugal, e isso gerou polêmica na época. Para a prova, não é preciso decorar a polêmica inteira; basta lembrar que Alencar é o autor que mais associou literatura e identidade nacional, e que a sua prosa é ao mesmo tempo poética e preocupada com o Brasil.

Romance indianista: o índio como herói fundador

O romance indianista tem como protagonista o indígena, apresentado como herói corajoso, honrado, leal e em harmonia com a natureza. O enredo costuma girar em torno do encontro entre o mundo indígena e o mundo europeu, geralmente com um amor entre um indígena e um europeu, ou entre um indígena e uma indígena, que simboliza a formação do povo brasileiro. O cenário é a floresta, o rio e a aldeia; o tempo é o passado colonial, nos primeiros séculos da colonização; e o tom é épico, com batalhas, sacrifícios e gestos de honra.

O Guarani (1857) é o indianista mais famoso. Peri, um indígena goitacá, é fiel à família portuguesa de dom Antônio de Mariz, ama Cecília, a filha do fidalgo, e enfrenta inimigos, traições e a destruição da casa para salvá-la. No fim, Peri e Ceci partem juntos, em uma imagem que simboliza a união das origens indígena e europeia do Brasil. Iracema (1865) conta o amor entre Iracema, uma indígena tabajara, e Martim, um português. Iracema abandona a sua tribo por amor, tem um filho, Moacir, que é apresentado como o primeiro brasileiro, e morre, em um desfecho trágico e poético. Ubirajara (1874) completa a trilogia indianista de Alencar, com um herói indígena que une tribos e representa a formação de um povo antes da chegada dos europeus.

É fundamental entender a crítica que se faz hoje ao indianismo: o índio dos romances é idealizado, isto é, ele aparece como um cavaleiro medieval com traços indígenas, falando e agindo como um herói europeu, e não como um retrato fiel das culturas indígenas reais, que são diversas, complexas e historicamente violentadas pela colonização. A prova do ENEM costuma cobrar exatamente essa leitura: reconhecer o projeto nacionalista do indianismo, que escolheu o índio como símbolo de origem, e ao mesmo tempo perceber que essa escolha apagou conflitos reais, como a violência da conquista e a diversidade dos povos indígenas. Um bom resumo para memorizar é: o indianismo celebra o índio como herói, mas não conta a história real dos povos indígenas; ele conta a história que o Brasil do século dezenove queria contar sobre si mesmo.

Romance urbano: amor, casamento e dinheiro na corte

O romance urbano se passa na cidade, quase sempre no Rio de Janeiro, a capital do Império, e retrata a vida da burguesia e da elite: bailes, teatros, passeios, visitas, namoros, noivados, casamentos, dívidas, heranças e aparências sociais. O conflito central costuma ser amoroso e social ao mesmo tempo: um casal se ama, mas o dinheiro, a família, a reputação ou um segredo do passado impede a união. O desfecho revela o segredo, resolve o problema de dinheiro ou prova a honra de um personagem, e o casal se une. Por isso o romance urbano é o mais próximo do folhetim: ele prende o leitor com mistérios, cartas, disfarces e revelações.

A Moreninha (1844), de Joaquim Manuel de Macedo, é o marco do romance urbano brasileiro. Augusto, um jovem da cidade, aposta que não vai se apaixonar, conhece Carolina, a moreninha, em uma ilha, e descobre, no fim, que ela é a menina com quem ele tinha um compromisso de infância. O romance é leve, sentimental e cheio de cenas de convívio social, e inaugurou o gosto do público brasileiro pelo romance de costumes. Lucíola (1862), de Alencar, trata de Lúcia, uma jovem que vive como cortesã no Rio de Janeiro, e do seu amor por Paulo. O romance discute, com o pudor da época, a queda, o arrependimento e a redenção de uma mulher julgada pela sociedade. Senhora (1875), também de Alencar, é o urbano mais cobrado nas provas: Aurélia, uma jovem pobre que recebe uma herança, compra, em um acordo secreto, o casamento com Fernando Seixas, o homem que a abandonou por dinheiro, e o romance inteiro gira em torno do preço do casamento, da honra e do amor. A frase mais lembrada é a ideia de que Aurélia comprou o marido, invertendo o costume de a mulher ser comprada pelo dote.

Outros urbanos importantes são Memórias de um Sargento de Milícias (1852–1853), de Manuel Antônio de Almeida, e A Escrava Isaura (1875), de Bernardo Guimarães, que também trata da escravidão. O romance de Manuel Antônio de Almeida é especial porque foge do modelo idealizado: Leonardo, o protagonista, é um anti-herói, malandro, preguiçoso e esperto, que vive de favores e de trapaças no Rio de Janeiro do tempo de dom João Sexto. Por isso a obra é chamada de romance de costumes com traços que antecipam o Realismo, e a prova adora perguntar por que Leonardo não é um herói romântico típico. Guarde: se o protagonista for um malandro simpático, que se dá bem com jeitinho, e não um herói idealizado, pense em Manuel Antônio de Almeida.

Romance regionalista: o sertão, o pampa e os costumes do interior

O romance regionalista se passa no interior do Brasil e tem como centro os costumes, a linguagem, o trabalho e os valores de uma região. O cenário não é um pano de fundo qualquer: o sertão, o pampa ou a mata são parte da identidade dos personagens. O vaqueiro, o gaúcho, o sertanejo e o cangaceiro aparecem como tipos regionais, com roupas, falas, hábitos e códigos de honra próprios. O conflito costuma envolver a terra, a vingança, a honra, o amor e a sobrevivência em um ambiente difícil, e o narrador descreve com detalhe a paisagem, os animais, as festas e o modo de vida local.

Em Alencar, os regionalistas mais conhecidos são O Sertanejo (1875), com Arnaldo, um vaqueiro do Ceará que é corajoso, leal e apaixonado por Flor, e O Gaúcho (1870), que retrata a vida nos pampas do Sul, com o gaúcho como herói livre e valente. Til (1872), também de Alencar, se passa no interior de São Paulo. Fora de Alencar, os regionalistas mais cobrados são Inocência (1872), do Visconde de Taunay, que conta o amor entre Inocência, uma jovem do sertão de Mato Grosso, e Cirino, um médico viajante, em um ambiente de fazenda, de costumes rígidos e de honra familiar; O Cabeleira (1876), de Franklin Távora, que retrata o cangaço no Nordeste, com um cangaceiro que oscila entre a violência e o arrependimento; e A Escrava Isaura, de Bernardo Guimarães, que também tem fortes traços regionalistas, com fazendas, senzalas e costumes do interior de Minas Gerais e do Rio de Janeiro.

Para não confundir regionalista com indianista, use esta regra: no indianista, o protagonista é indígena e o tempo é o passado colonial, com o encontro entre culturas; no regionalista, o protagonista é um tipo do interior do século dezenove, como o vaqueiro ou o gaúcho, e o tema central são os costumes da região. Para não confundir regionalista com urbano, lembre que o urbano se passa na cidade, com bailes e salões, enquanto o regionalista se passa no campo, com fazendas, estradas de terra e trabalho rural. A prova costuma dar um trecho com descrição de paisagem, de fala regional ou de costume local e perguntar qual é o tipo de romance; nesses casos, a paisagem e o tipo social do personagem são as melhores pistas.

Romance histórico: o passado recriado como aventura

O romance histórico romântico recria um período do passado, com personagens históricos, ou inventados mas verossímeis para a época, e com acontecimentos reais misturados à ficção. O modelo veio do escritor escocês Walter Scott, e no Brasil ele serviu para dar ao país uma história com heróis, aventuras e dramas. O leitor aprende sobre o período, mas aprende por meio de uma história de amor, de vingança ou de honra, e não por meio de um livro de História. Por isso o romance histórico romântico é emocionante, mas não pode ser usado como fonte exata de fatos: ele inventa diálogos, personagens e detalhes para dar vida ao passado.

As Minas de Prata (1865–1866), de Alencar, é o histórico mais lembrado. A história se passa no século dezessete, envolve a busca por minas de prata, disputas de poder, jesuítas, aventureiros e segredos de família, e mistura figuras históricas com personagens inventados. O Guarani e Iracema também têm traços históricos, porque se passam no período colonial, mas o traço predominante deles é o indianista, e é assim que a prova os classifica. O mesmo vale para Memórias de um Sargento de Milícias, que se passa no tempo de dom João Sexto, mas é classificado como romance urbano e de costumes, porque o centro da história é a vida na cidade, e não a recriação de um grande acontecimento histórico. Guarde a regra: o tipo é definido pelo que domina a história, e não por um detalhe isolado.

Um exemplo de questão clássica sobre romance histórico é a que pergunta qual é a função da História no romance romântico. A resposta esperada é que a História funciona como cenário e como fonte de identidade: o passado dá grandeza à história, cria heróis e explica a origem do país, mas o autor tem liberdade para inventar, porque o objetivo é emocionar e construir uma memória nacional, e não registrar fatos com precisão de historiador. Se a questão opuser romance histórico romântico e romance histórico realista ou contemporâneo, lembre que o romântico idealiza o passado, enquanto o realista tende a mostrar as contradições e os conflitos desse passado com mais crueza.

Outros autores e obras que podem cair

Além de Alencar, Macedo, Manuel Antônio de Almeida, Bernardo Guimarães, Franklin Távora e Taunay, dois nomes merecem atenção especial. O primeiro é Maria Firmina dos Reis (1822–1917), autora de Úrsula (1859), considerado o primeiro romance abolicionista brasileiro e o primeiro romance publicado por uma mulher no Brasil. Úrsula conta o amor entre Úrsula e Tancredo, mas dá voz a personagens escravizados, como Túlio e a velha Susana, que narra a sua captura na África e a travessia no navio negreiro. Por isso a obra é tão cobrada no ENEM: ela junta Romantismo, abolicionismo e protagonismo de uma autora negra e maranhense, em um período em que a literatura era dominada por homens brancos. Se a questão falar de romance romântico com denúncia da escravidão e voz de personagens escravizados, pense em Maria Firmina dos Reis.

O segundo nome é o de autores que fazem a transição para o Realismo, como Machado de Assis, que começou no Romantismo e depois rompeu com ele, e que aparece com mais detalhe no artigo sobre Realismo e Naturalismo. Não confunda as fases: os primeiros romances de Machado, como Ressurreição e A Mão e a Luva, ainda têm traços românticos, mas Memórias Póstumas de Brás Cubas, de 1881, marca a ruptura, com narrador irônico, crítica social e anti-heroísmo. A prova costuma usar essa transição para testar se o estudante sabe diferenciar escolas literárias, e não apenas decorar nomes. Para treinar a leitura de trechos de romances em listas de vestibular, vale revisar também a análise de obras da lista da Fuvest.

AutorObra mais cobradaTipo predominanteIdeia para memorizar
José de AlencarO Guarani / IracemaIndianistaÍndio heroico e origem do Brasil
José de AlencarSenhora / LucíolaUrbanoAmor, casamento e dinheiro na corte
José de AlencarO Sertanejo / O GaúchoRegionalistaVaqueiro e gaúcho como heróis do interior
Joaquim Manuel de MacedoA MoreninhaUrbanoPrimeiro grande sucesso do romance brasileiro
Manuel Antônio de AlmeidaMemórias de um Sargento de MilíciasUrbano e de costumesLeonardo, o anti-herói malandro
Bernardo GuimarãesA Escrava IsauraUrbano e regionalista, abolicionistaEscrava branca e denúncia da escravidão
Maria Firmina dos ReisÚrsulaAbolicionistaVoz de escravizados e pioneirismo feminino
Visconde de TaunayInocênciaRegionalistaAmor no sertão e honra familiar
Franklin TávoraO CabeleiraRegionalistaCangaço no Nordeste

Características da prosa romântica para memorizar

As características abaixo aparecem em quase todas as questões sobre o tema. Vale decorar a lista e saber dar um exemplo de cada item. Primeiro, a idealização do herói e da heroína: personagens bons são muito bons, e personagens maus são muito maus, sem muitos meios-termos. Segundo, o sentimentalismo: a história aposta na emoção, com amores intensos, sacrifícios, lágrimas e reencontros. Terceiro, a natureza como personagem: a floresta, o sertão, o rio e o pampa não são apenas cenário; eles acompanham os sentimentos dos personagens, com tempestades em momentos de conflito e amanheceres em momentos de esperança. Quarto, o nacionalismo: a busca por temas, heróis e paisagens brasileiras. Quinto, o folhetim: a publicação em capítulos, com suspense, segredos e reviravoltas para prender o leitor. Sexto, a linguagem emotiva e descritiva: frases longas, adjetivos fortes e descrições detalhadas, com o uso de figuras de linguagem para intensificar a emoção.

Quanto ao narrador, o mais comum é o narrador em terceira pessoa, que sabe tudo sobre os personagens e comenta os acontecimentos, às vezes conversando com o leitor. Em alguns romances, como em partes de Lucíola, aparece a forma de cartas e de relatos em primeira pessoa, o que aproxima o leitor do personagem. O tempo da história costuma ser linear, com o passado revelado aos poucos por meio de lembranças e de segredos, e o espaço é bem marcado: ou a cidade, ou o campo, ou a floresta, cada um com os seus costumes. O desfecho romântico costuma ser moralizante: o bem é recompensado, o mal é punido ou se arrepende, e o amor verdadeiro vence, mesmo que o preço seja a morte de um personagem, como acontece em Iracema.

ElementoComo aparece na prosa românticaExemplo rápido
HeróiIdealizado, corajoso e honradoPeri, em O Guarani
HeroínaBela, pura e dedicada, mesmo em conflitoAurélia, em Senhora; Iracema
VilãoAmbicioso, traidor ou preconceituosoOs inimigos de Peri; os que exploram Isaura
NaturezaGrandiosa e ligada aos sentimentosFloresta em Iracema; sertão em O Sertanejo
EnredoAmor com obstáculo, segredo e revelação finalA Moreninha; Senhora
NarradorEm terceira pessoa, que comenta e orienta o leitorPredominante em Alencar e em Macedo
DesfechoCasamento, redenção ou morte poéticaSenhora; Iracema

Linha do tempo da prosa romântica

AnoAcontecimentoPor que importa para a prova
1822Independência do BrasilCria a necessidade de uma literatura nacional
1836Início do Romantismo no Brasil, com a poesiaMarca o movimento; a prosa vem logo depois
1843O Filho do Pescador, de Teixeira e SousaApontado como o primeiro romance brasileiro
1844A Moreninha, de Joaquim Manuel de MacedoPrimeiro grande sucesso do romance urbano
1852–1853Memórias de um Sargento de MilíciasAnti-herói malandro e romance de costumes
1857O Guarani, de José de AlencarIndianista mais famoso do Brasil
1859Úrsula, de Maria Firmina dos ReisPrimeiro romance abolicionista e de autoria feminina
1862Lucíola, de José de AlencarRomance urbano sobre queda e redenção
1865Iracema, de José de AlencarAmor, origem do Brasil e morte poética
1872Inocência, do Visconde de TaunayRegionalista do sertão mais cobrado
1875Senhora, de Alencar; A Escrava IsauraDinheiro e casamento; denúncia da escravidão
1881Memórias Póstumas de Brás CubasMarca a ruptura com o Romantismo e o início do Realismo

Tabela comparativa: os quatro tipos de romance romântico

IndianistaUrbanoRegionalistaHistórico
Onde se passaFloresta, rio e aldeiaRio de Janeiro, salões e casas da corteSertão, pampa, fazenda e interiorPassado colonial ou imperial recriado
Quando se passaPeríodo colonial, primeiros séculosSéculo dezenove, tempo do autorSéculo dezenove, interior do paísSéculo dezesseis, dezessete ou dezoito
Protagonista típicoIndígena heroicoJovem da cidade, moça de famíliaVaqueiro, gaúcho, sertanejoHerói ligado a um fato histórico
Conflito centralEncontro entre culturas; amor proibidoAmor, casamento, dinheiro e reputaçãoHonra, terra, costumes e sobrevivênciaAventura ligada a um período histórico
Exemplo de AlencarO Guarani; IracemaSenhora; LucíolaO Sertanejo; O GaúchoAs Minas de Prata
Outro exemploUbirajaraA MoreninhaInocência; O CabeleiraRomances coloniais de aventura
O que a prova cobraIdealização e projeto nacionalistaCasamento como negócio socialCostumes, fala e paisagem regionalPassado como cenário de identidade

O que cai no ENEM e nos vestibulares

As questões sobre prosa romântica raramente pedem apenas a decoreba de datas. Elas costumam apresentar um trecho de romance e pedir que o estudante identifique o tipo de romance, a característica romântica presente, a função da natureza, a crítica social ou o projeto nacionalista da obra. Por isso, treine a leitura de trechos com estas perguntas: onde a história se passa? Quem é o protagonista? Qual é o obstáculo do amor ou da honra? A natureza está apenas de enfeite ou acompanha os sentimentos? O trecho idealiza o personagem ou mostra os seus defeitos? Se você responder a essas perguntas, a classificação do romance fica muito mais fácil.

Os temas mais recorrentes são: a idealização do indígena em O Guarani e Iracema; o casamento como transação em Senhora; o anti-herói em Memórias de um Sargento de Milícias; a denúncia da escravidão em Úrsula e em A Escrava Isaura; e a descrição do interior em O Sertanejo e em Inocência. Também caem comparações entre Romantismo e Realismo, e entre os tipos de romance, como indianista contra regionalista, e urbano contra histórico. Uma dica prática: quando a questão falar de índio idealizado, não marque regionalista; quando falar de vaqueiro ou gaúcho, não marque indianista; e quando falar de salão, baile e dote, não marque regionalista. O cenário é a pista mais segura.

Por fim, atenção aos vestibulares que cobram obras completas, como a Fuvest e a Unicamp, que já incluíram Alencar e outros romancistas em suas listas. Nesses casos, não basta saber o resumo: é preciso conhecer personagens, enredo, desfecho e trechos importantes. Leia pelo menos o resumo detalhado de Senhora, Iracema e Memórias de um Sargento de Milícias, que são as três obras mais pedidas, e treine com as questões comentadas abaixo, que foram criadas para este artigo, no estilo do ENEM, sem copiar nenhuma questão real.

Casal indígena idealizado em desenho animado à beira de um rio em floresta tropical ao pôr do sol, com palmeiras, pássaros coloridos e uma canoa na margem.
Casal indígena idealizado em desenho animado à beira de um rio em floresta tropical ao pôr do sol, com palmeiras, pássaros coloridos e uma canoa na margem.
Vaqueiro e jovem em desenho animado caminhando por um caminho de terra no sertão ao pôr do sol, entre cactos e uma casa simples de fazenda, com montanhas ao fundo.
Vaqueiro e jovem em desenho animado caminhando por um caminho de terra no sertão ao pôr do sol, entre cactos e uma casa simples de fazenda, com montanhas ao fundo.

Mapa mental

  • Prosa romântica brasileira
    • Contexto: Independência, Segundo Reinado, busca de identidade nacional
    • Centro: José de Alencar, o romancista mais completo do período
    • Indianista: O Guarani, Iracema, Ubirajara — índio heroico, floresta, origem do Brasil
    • Urbano: A Moreninha, Lucíola, Senhora — cidade, amor, casamento e dinheiro
    • Regionalista: O Sertanejo, O Gaúcho, Inocência, O Cabeleira — sertão, pampa, costumes e honra
    • Histórico: As Minas de Prata — passado recriado como aventura e memória nacional
    • Outros nomes: Macedo, Manuel Antônio de Almeida, Bernardo Guimarães, Taunay, Franklin Távora, Maria Firmina dos Reis
    • Características: idealização, sentimentalismo, natureza grandiosa, nacionalismo, folhetim
    • Temas de prova: indianismo e crítica à idealização, casamento em Senhora, anti-herói Leonardo, abolicionismo em Úrsula
    • Transição: Realismo rompe com a idealização a partir de 1881

SAQ — Perguntas curtas com respostas

1. Quem é o autor central da prosa romântica brasileira e por quê?
José de Alencar, porque ele escreveu os romances mais importantes dos quatro tipos: indianista, urbano, regionalista e histórico.

2. O que caracteriza o romance indianista?
O protagonista indígena idealizado como herói, o cenário da floresta e o encontro entre o mundo indígena e o europeu, geralmente com um amor que simboliza a origem do Brasil.

3. Qual é o conflito central de Senhora?
Aurélia, enriquecida por uma herança, compra em segredo o casamento com Fernando Seixas, e o romance discute amor, honra e o casamento tratado como negócio.

4. Por que Leonardo, de Memórias de um Sargento de Milícias, não é um herói romântico típico?
Porque ele é um anti-herói malandro: preguiçoso, esperto e cheio de defeitos, que se dá bem com jeitinho, e não um herói idealizado e perfeito.

5. Qual é a diferença entre romance indianista e romance regionalista?
O indianista tem protagonista indígena e se passa no período colonial, com o encontro entre culturas; o regionalista tem um tipo do interior do século dezenove, como o vaqueiro, e trata dos costumes de uma região.

6. Por que Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, é tão importante?
Porque é o primeiro romance abolicionista brasileiro e o primeiro romance publicado por uma mulher no Brasil, e dá voz a personagens escravizados, denunciando a escravidão.

7. Qual é a principal crítica atual ao indianismo romântico?
A de que o índio é idealizado como um herói europeu com traços indígenas, e não retratado de forma fiel, o que apaga a violência da colonização e a diversidade dos povos indígenas reais.

8. O que diferencia o romance romântico do romance realista?
O romântico idealiza os personagens, aposta na emoção e no final moralizante; o realista observa a sociedade com distanciamento, mostra defeitos e contradições e critica as aparências sociais.

Questões comentadas

Questão 1. Um trecho de romance descreve um guerreiro indígena que, sozinho, enfrenta inimigos para proteger uma jovem portuguesa, em meio a uma floresta descrita como grandiosa e sagrada. O narrador exalta a coragem, a lealdade e a pureza do herói. Esse trecho é mais característico de qual tipo de romance romântico?
A) Romance urbano, porque trata de um amor na cidade.
B) Romance indianista, porque idealiza o indígena como herói fundador.
C) Romance regionalista, porque retrata os costumes do sertão.
D) Romance histórico, porque recria uma batalha real documentada.
E) Romance realista, porque analisa com frieza a sociedade colonial.
Gabarito: B. Comentário: A) está errada, pois não há cidade, salão ou vida na corte no trecho. B) está certa, pois o herói indígena idealizado, a floresta grandiosa e o encontro entre culturas são as marcas do indianismo. C) está errada, pois o sertão e o vaqueiro não aparecem; o cenário é a floresta colonial. D) está errada, pois o trecho não se organiza em torno da recriação de um fato histórico documentado, e sim do herói indígena. E) está errada, pois o tom é de exaltação emotiva, e não de análise fria e crítica, como no Realismo.

Questão 2. Em um romance urbano do século dezenove, uma jovem rica propõe um acordo secreto para se casar com um homem que a abandonou por interesse financeiro, e passa o romance inteiro cobrando dele a honra e o amor verdadeiro. Qual é a leitura mais adequada desse enredo?
A) O casamento aparece apenas como um final feliz, sem nenhum sentido social.
B) O romance defende que o amor romântico não tem nenhuma relação com dinheiro.
C) O casamento é tratado como uma transação social, e a obra critica o valor do dinheiro nas relações.
D) A protagonista é uma heroína realista, sem idealização, porque age com frieza científica.
E) O enredo pertence ao romance regionalista, porque se passa em uma fazenda.
Gabarito: C. Comentário: A) está errada, pois o acordo secreto é o centro do conflito, e não um detalhe do final. B) está errada, pois o romance mostra justamente que dinheiro e amor se misturam na sociedade da época. C) está certa, pois Senhora, de Alencar, usa o casamento comprado para discutir honra, interesse e amor. D) está errada, pois Aurélia é uma heroína romântica, intensa e idealizada, e não uma observadora fria. E) está errada, pois o cenário é a cidade, e não a fazenda ou o interior.

Questão 3. Um estudante afirma que Memórias de um Sargento de Milícias é um romance romântico típico, porque o seu protagonista é um herói perfeito, como Peri. Essa afirmação está:
A) Correta, pois todo protagonista romântico é idealizado da mesma forma.
B) Correta, pois Leonardo é um guerreiro indígena que defende a honra.
C) Incorreta, pois Leonardo é um anti-herói malandro, cheio de defeitos, que se diferencia do herói idealizado.
D) Incorreta, pois a obra é um poema épico, e não um romance.
E) Incorreta, pois a obra se passa no sertão e é regionalista.
Gabarito: C. Comentário: A) está errada, pois Manuel Antônio de Almeida foge do modelo idealizado. B) está errada, pois Leonardo não é indígena nem guerreiro; ele vive no Rio de Janeiro do tempo de dom João Sexto. C) está certa, pois Leonardo é preguiçoso, esperto e vive de favores, o que faz da obra um romance de costumes com traços que antecipam o Realismo. D) está errada, pois a obra é um romance em prosa. E) está errada, pois o cenário é a cidade, e não o sertão.

Questão 4. Sobre o romance indianista, a leitura crítica mais cobrada nas provas atuais é a de que:
A) Ele retrata com fidelidade documental todas as culturas indígenas do Brasil.
B) Ele escolhe o indígena como símbolo de origem nacional, mas o idealiza, apagando conflitos reais da colonização.
C) Ele condena o indígena e defende a colonização europeia como única origem do Brasil.
D) Ele pertence ao Realismo, porque descreve a sociedade com distanciamento científico.
E) Ele não tem relação com o nacionalismo, pois se passa apenas na Europa.
Gabarito: B. Comentário: A) está errada, pois o índio romântico é uma criação literária idealizada, e não um retrato fiel das diversas culturas indígenas. B) está certa, pois o indianismo celebra o índio como herói fundador, mas suaviza a violência da conquista e ignora a diversidade real. C) está errada, pois o indianismo exalta o indígena, e não o condena. D) está errada, pois a idealização emotiva é romântica, e não realista. E) está errada, pois o projeto indianista é profundamente nacionalista e brasileiro.

Questão 5. Um trecho descreve com detalhe a lida do vaqueiro, a fala do interior, a fazenda, a seca e o código de honra de uma família sertaneja. O tipo de romance a que esse trecho pertence é o:
A) Indianista, pois o vaqueiro é um indígena idealizado.
B) Urbano, pois a fazenda fica perto da corte.
C) Regionalista, pois o centro é a vida, a linguagem e os costumes de uma região do interior.
D) Histórico, pois todo romance do século dezenove é histórico.
E) Realista, pois a descrição da seca é sempre uma crítica científica.
Gabarito: C. Comentário: A) está errada, pois o vaqueiro não é o indígena do período colonial. B) está errada, pois o cenário é o interior, e não os salões da cidade. C) está certa, pois a paisagem, a fala regional e os costumes locais são as marcas do regionalismo, como em O Sertanejo e em Inocência. D) está errada, pois nem todo romance do século dezenove recria um período passado como tema central. E) está errada, pois a descrição emotiva e idealizada do sertanejo é romântica, e não uma análise realista.

Questão 6. Úrsula, de Maria Firmina dos Reis, é destacado nas provas por reunir Romantismo e abolicionismo. Isso se deve, principalmente, ao fato de a obra:
A) Defender a escravidão como necessária para a economia do Império.
B) Dar voz a personagens escravizados, que narram a violência da captura e da travessia, denunciando a escravidão.
C) Se passar na Europa e tratar apenas de amores da corte portuguesa.
D) Apresentar um herói indígena que funda o Brasil, sem tratar da escravidão.
E) Ser um romance realista, sem nenhum traço romântico.
Gabarito: B. Comentário: A) está errada, pois a obra é abolicionista, e não defensora da escravidão. B) está certa, pois personagens como Túlio e Susana narram a captura na África e a travessia, o que dá força à denúncia, além do pioneirismo de uma autora mulher no século dezenove. C) está errada, pois a obra se passa no Brasil e trata da sociedade escravista brasileira. D) está errada, pois o centro da obra não é o herói indígena fundador. E) está errada, pois Úrsula mantém traços românticos, como o amor sentimental e a idealização, ao mesmo tempo em que denuncia a escravidão.

Dica do professor

Monte um cartão com quatro colunas: indianista, urbano, regionalista e histórico. Em cada coluna, escreva um cenário, um protagonista e uma obra de Alencar. Indianista: floresta, índio heroico, O Guarani. Urbano: Rio de Janeiro, moça da corte, Senhora. Regionalista: sertão, vaqueiro, O Sertanejo. Histórico: passado colonial, aventura, As Minas de Prata. Revise esse cartão por dois minutos antes de fazer questões, e complete com A Moreninha no urbano, Memórias de um Sargento de Milícias como anti-herói urbano, Inocência no regionalista e Úrsula no abolicionista. Com esse cartão, a maioria das questões de classificação se resolve pelo cenário e pelo protagonista, sem precisar decorar a obra inteira. Continue a revisão na página de Literatura, com foco no ENEM e nos vestibulares.

Atenção/cuidado

Os erros mais comuns são: chamar todo romance com índio de regionalista, quando o indianista se passa no período colonial e tem o indígena como herói fundador; chamar todo romance do interior de indianista, quando o regionalista trata do vaqueiro, do gaúcho e dos costumes do século dezenove; achar que o romance romântico é um relato fiel da História, quando ele idealiza e inventa para emocionar; e confundir o herói romântico com o anti-herói Leonardo, de Manuel Antônio de Almeida. Outro erro é esquecer Maria Firmina dos Reis: quando a questão junta Romantismo, mulher autora e denúncia da escravidão, a resposta quase sempre é Úrsula. Por fim, não confunda Lucíola com Senhora: em Lucíola, o tema é a queda e a redenção de Lúcia; em Senhora, o tema é o casamento comprado por Aurélia. Se restar dúvida entre prosa e poesia, reveja a primeira geração romântica, que trata dos poetas do período.

Conexão com outras áreas

A prosa romântica se conecta com a História do Brasil, porque ela ajudou a criar a memória nacional depois da Independência e durante o Segundo Reinado, escolhendo heróis, paisagens e origens para o país. Ela se conecta com a Geografia, porque os romances mapeiam o Brasil em regiões: a floresta do indianismo, a corte do urbano e o sertão e o pampa do regionalismo, cada um com costumes e paisagens próprios. Ela se conecta com a Sociologia, porque os romances urbanos mostram como casamento, dote, reputação e dinheiro organizavam a vida da elite, e porque os romances abolicionistas denunciam a escravidão como estrutura social. Ela também se conecta com a Redação, porque o estudante que entende o projeto nacionalista do Romantismo consegue escrever melhor sobre identidade, memória e diversidade cultural, sem cair na idealização ingênua do passado. Para revisar a escola que veio antes do Romantismo, consulte o Arcadismo, e para seguir para a escola que rompeu com ele, veja o Realismo e Naturalismo. Este artigo faz parte da revisão de Literatura do cliquevestibular.

Incidência

Incidência: ♨️ Morno. A prosa romântica cai com frequência moderada no ENEM e nos vestibulares, geralmente por meio de trechos de Senhora, Iracema, O Guarani e Memórias de um Sargento de Milícias, e com presença crescente de Úrsula, de Maria Firmina dos Reis. Ela cai menos do que a poesia romântica em algumas provas, mas é decisiva nos vestibulares que cobram obras completas, como a Fuvest e a Unicamp. Por isso, vale dominar os quatro tipos de romance, os três romances mais pedidos e a leitura crítica do indianismo, que são os pontos que mais aparecem nas questões.