O ano de 2026 apresenta-se como um divisor de águas para muitos que almejam a estabilidade no serviço público ou ensino superior de qualidade. Com um número crescente de concursos anunciados e vagas em aberto, e os já tradicionais vestibulares a demanda por métodos de estudo eficazes é mais relevante do que nunca. Entre as inovações que surgem nesse cenário, destaca-se o uso de Inteligência Artificial (IA), que promete revolucionar a forma de preparação para esses desafios. No entanto, surge a questão: até que ponto essa tecnologia pode realmente auxiliar os candidatos?
A ascensão dos concursos públicos em 2026
No Brasil, as oportunidades para quem busca um cargo público são inúmeras e variadas. Concursos como o da Câmara dos Deputados e o do Tribunal de Contas da União (TCU) atraem muitos candidatos devido aos salários atrativos e à segurança que esses cargos oferecem.
Além disso, no Rio Grande do Sul, o Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4) já está com concursos autorizados para técnicos e analistas, enquanto a Polícia Penal RS e o Instituto de Previdência do Estado (IPE Prev) estão avançando em suas seleções.
Esse panorama evidencia um ano de oportunidades para os concurseiros. Contudo, a concorrência é cada vez mais acirrada, e a utilização de Inteligência Artificial no processo de estudo se torna uma realidade palpável. Mas será que essa tecnologia pode realmente acelerar a aprovação dos candidatos?
O papel da IA na preparação para concursos e vestibulares
A professora Rosa Maria Viccari, do Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), acredita que a IA pode criar uma “fotografia” do nível de conhecimento do aluno e auxiliar na identificação de áreas de dificuldade.
Ela explica que a tecnologia pode proporcionar feedbacks personalizados, sugerir conteúdos relevantes e testar o desempenho do estudante com base em provas anteriores. No entanto, a eficácia desse método depende de como as ferramentas são utilizadas.
Como as ferramentas de IA funcionam
Na prática, a utilização de IA nos cursos preparatórios já é uma realidade. Nidal Ahmad, CEO e professor do Ceisc, aponta que a IA é uma ferramenta poderosa para filtrar conteúdos essenciais, levando em conta as particularidades de cada banca examinadora.
Ele afirma que é possível mapear os conteúdos de maneira objetiva e precisa. A IA pode até simular o padrão de escrita de instituições como FGV e Cebraspe, criando enunciados e padrões de resposta. Contudo, é importante que os candidatos utilizem comandos bem definidos, chamados de prompts, para obter os melhores resultados.
No entanto, há um cuidado fundamental: o risco de a IA “alienar” o aluno. Isso ocorre quando a tecnologia gera informações incorretas, levando o estudante a confiar cegamente em dados que podem estar errados. Assim, é vital a revisão rigorosa por parte do professor ou do próprio aluno.
Os limites da Inteligência Artificial
A professora Rosa Maria também ressalta que a IA generativa opera com raciocínio probabilístico e pode se basear em fontes limitadas:
- É crucial entender que a IA pode parecer confiável, mesmo em situações onde trabalha com dados incompletos.
- A produção de resultados mais precisos tende a ocorrer em áreas com abundância de informações.
- Conteúdos que sofrem mudanças contínuas podem não ser bem representados pela IA.
A ilusão do aprendizado com IA
Além dos riscos técnicos, existem preocupações pedagógicas. O professor Eliseo Berni Reategui, da Faculdade de Educação da UFRGS, destaca que o verdadeiro aprendizado não reside nas respostas que a IA fornece, mas sim em como os alunos interagem com essas respostas.
Ele argumenta que anotar, questionar e relacionar ideias são ações que promovem reflexão e construção de conhecimento. Resumos podem ser úteis para retenção a curto prazo, mas a preparação para grandes provas e concursos exige uma conexão entre novos conteúdos e conhecimentos pré-existentes.
A leitura repetida de resumos pode criar uma falsa sensação de aprendizado.
Reategui também acredita que, embora a personalização do estudo com IA seja viável, a complexidade das tarefas como identificar dificuldades e ajustar percursos de aprendizagem exige um acompanhamento mais profundo, que vai além do que ferramentas como o ChatGPT podem fornecer.
A tecnologia como suporte na educação
A visão dos especialistas é clara: a tecnologia deve atuar como suporte e não como substituta do esforço individual e do papel do professor, que desempenha uma função crucial na estratégia de aprendizado. Ahmad reforça que o “maior pecado” dos candidatos é acreditar que a tecnologia fará o trabalho por eles.
O professor continua sendo insubstituível, pois é ele quem orienta o aluno sobre como aplicar o conhecimento de forma estratégica. A IA é uma ferramenta poderosa, mas não estuda pelo aluno.
Para aqueles que desejam utilizar a tecnologia de maneira produtiva, Reategui sugere considerar a IA como uma ferramenta ativa, capaz de apoiar diferentes tipos de atividades de estudo.
A tendência é que a IA se torne cada vez mais presente na rotina de quem estuda, pois facilita o acesso à informação e permite novas estratégias de aprendizado. O estudante pode usá-la para gerar perguntas, simular exercícios ou testar respostas, desde que compreenda seus limites e não substitua seu próprio processo de reflexão.
*com supervisão de Juliana Lisboa








