“O Livro das Semelhanças”, de Eliane Brum, emerge como uma obra singular que transcende as fronteiras dos gêneros literários convencionais. Longe de uma narrativa linear com enredo tradicional, o livro é uma profunda imersão em reflexões filosóficas e existenciais, apresentadas através de ensaios, crônicas e prosas poéticas que investigam a teia complexa de conexões que permeia a existência humana. A autora tece suas observações sobre o cotidiano, a natureza e as relações humanas, buscando e revelando as intrínsecas “semelhanças” que unem elementos aparentemente díspares da vida.
O livro não apresenta personagens no sentido ficcional clássico, mas sim um “eu-lírico” observador e meditativo, que serve como guia através de um labirinto de pensamentos sobre tempo, memória, identidade e o impacto da percepção. Os “conflitos” são predominantemente de natureza intelectual e existencial, manifestando-se na inquietação da autora diante das certezas impostas e na sua busca incessante por um entendimento mais profundo da realidade e do lugar do ser humano nela.
A obra convida o leitor a uma desaceleração, a um mergulho na sensibilidade e na capacidade de enxergar o extraordinário no ordinário. Brum explora como a vida é feita de pequenos instantes e como a atenção a esses detalhes pode revelar padrões e sentidos ocultos. Há uma constante provocação à introspecção, levando o leitor a questionar suas próprias concepções e a reconhecer as reverberações de suas próprias experiências nas reflexões da autora.
Através de uma linguagem rica e evocativa, “O Livro das Semelhanças” desvenda as camadas do invisível, do silêncio e da presença, propondo uma nova forma de apreender o mundo. É uma obra que não apenas descreve, mas propõe uma experiência de leitura transformadora, onde a contemplação e o reconhecimento das interligações se tornam o cerne da compreensão do livro e, por extensão, da própria vida.
A incessante busca por conexões e significados na complexidade da existência humana.
Eliane Brum é uma renomada jornalista, escritora e documentarista brasileira, nascida em Ijuí, Rio Grande do Sul. Reconhecida por sua escrita potente e engajada, Brum construiu uma carreira sólida com reportagens e livros que abordam questões sociais, ambientais e de direitos humanos, com especial atenção à região amazônica. Sua obra literária e jornalística é marcada por uma profunda sensibilidade, uma capacidade ímpar de observação e um estilo que frequentemente borra as fronteiras entre o jornalismo e a literatura, conferindo à sua prosa um caráter lírico e reflexivo. Ao longo de sua carreira, Eliane Brum recebeu diversos prêmios importantes, consolidando-se como uma das vozes mais relevantes da literatura contemporânea brasileira e do jornalismo investigativo.
“O Livro das Semelhanças” é uma obra multifacetada de Eliane Brum que se posiciona entre o ensaio, a crônica e a prosa poética. Publicado em 2014, o livro não se propõe a contar uma história no sentido tradicional, mas sim a explorar, através de uma série de textos interconectados, as similaridades e as relações intrínsecas que permeiam a vida, a natureza e a experiência humana. Brum utiliza suas próprias observações e vivências como ponto de partida para reflexões mais amplas sobre temas como a identidade, a memória, a percepção do tempo, a finitude e a incessante busca por sentido em um mundo complexo. A obra desafia o leitor a olhar além das aparências, convidando-o a um exercício de contemplação e à redescoberta da profundidade contida nos detalhes do cotidiano.
No contexto de “O Livro das Semelhanças”, não existem personagens secundários no sentido usual de uma obra ficcional. No entanto, o livro é povoado por figuras, eventos e cenários que servem como catalisadores para as reflexões do eu-lírico. São pessoas anônimas observadas, elementos da natureza descritos, memórias evocadas e situações cotidianas que, embora breves, são essenciais para ilustrar e aprofundar as “semelhanças” que a autora busca e encontra. Estes elementos funcionam como pontos de partida para as divagações filosóficas e para a exploração da interconexão entre tudo que existe.
| Tempo | Não linear, fragmentado, psicológico e atemporal. Transita entre o presente da observação, o passado da memória e reflexões sobre o futuro. |
| Espaço | Variado e multifacetado, abrangendo tanto lugares físicos (como a Amazônia, cidades diversas, ambientes domésticos) quanto espaços mentais e existenciais, onde as reflexões se desenrolam. |
| Narrador | Em primeira pessoa (eu-lírico), com uma voz que oscila entre a observadora aguda e a pensadora profunda, oferecendo uma perspectiva íntima e universal ao mesmo tempo. |
| Linguagem | Rica, poética, ensaística e profundamente reflexiva. Caracteriza-se pelo uso abundante de metáforas, analogias e comparações, buscando evocar sensações e provocar a introspecção no leitor. |
O estilo de Eliane Brum em “O Livro das Semelhanças” é uma fusão notável de lirismo e precisão, característica da prosa poética. A autora emprega uma linguagem densa e evocativa, que explora a sonoridade das palavras e a construção de imagens vívidas. Um dos recursos mais marcantes é o uso extensivo de metáforas e analogias, elementos cruciais para a construção das “semelhanças” que dão título à obra. Brum conecta ideias, sentimentos e objetos que, à primeira vista, parecem desassociados, revelando uma intrínseca unidade. A reflexão filosófica e existencial permeia cada texto, convidando o leitor a questionar sua própria percepção da realidade e do tempo. Há uma intersecção evidente entre o jornalismo de observação, a sensibilidade literária e a profundidade filosófica, resultando em uma escrita que é ao mesmo tempo informativa, bela e profundamente humana. A capacidade da autora de captar o invisível e de expressar o inexprimível confere à obra um caráter atemporal e universal.
Embora “O Livro das Semelhanças” seja predominantemente uma obra de cunho filosófico e existencial, a escrita de Eliane Brum está intrinsecamente ligada ao seu trabalho como jornalista e à sua profunda consciência dos contextos sociais e ambientais. As reflexões sobre a vida, a morte, a memória e a percepção do tempo, presentes na obra, implicitamente dialogam com a aceleração da vida moderna, a fragmentação das relações e a busca por sentido em uma sociedade muitas vezes pautada pelo consumo e pela superficialidade.
A obra, embora não seja uma crítica social direta, convida à desaceleração e à atenção plena, o que pode ser interpretado como uma contraposição à alienação contemporânea. Ao valorizar o silêncio, a contemplação e a conexão com a natureza e com o “outro”, Brum sutilmente aponta para lacunas existentes na forma como a sociedade moderna se relaciona consigo mesma e com o ambiente. O livro encoraja uma postura mais introspectiva e empática, qualidades que são cada vez mais necessárias para enfrentar os desafios sociais e ambientais do nosso tempo.
A FURG antecipou a data do vestibular 2027 para 22 de novembro de 2026. A medida visa evitar conflitos com outros processos seletivos da região.