“Prosperidade” é uma peça teatral de Oswald de Andrade, um dos mais importantes autores do Modernismo brasileiro. A obra, de cunho satírico, mergulha na crítica à busca desenfreada pelo progresso material e à superficialidade das relações sociais que emergiam na burguesia brasileira do início do século XX, em meio ao fervor da modernização e industrialização. O enredo, com sua estrutura modernista marcada pela fragmentação e pelo humor ácido, acompanha personagens que funcionam como arquétipos da sociedade da época, imersos em conflitos gerados pela ascensão social, o dinheiro e o choque cultural entre o “novo” e o “velho” Brasil.
Os principais conflitos na trama giram em torno de heranças disputadas, casamentos de interesse e a constante perseguição por uma “prosperidade” que, na visão do autor, muitas vezes se revela vazia de significado e moral. Oswald de Andrade utiliza o teatro como um potente instrumento para expor as contradições de uma elite que, ao mesmo tempo em que almejava se alinhar com o “progresso” europeu, mantinha vícios e costumes provincianos. A peça explora a hipocrisia e o deslumbramento de uma sociedade em rápida transformação, onde o valor das pessoas é frequentemente atrelado à sua fortuna e ao seu status.
Os personagens são construídos como caricaturas que servem aos propósitos da crítica social de Oswald. Há a figura do burguês emergente, ávido por riquezas; a mulher que busca a ascensão pelo casamento; o intelectual pretensioso e o caipira astuto que transita entre esses mundos. Cada um, à sua maneira, contribui para o mosaico de absurdos que o autor constrói para denunciar os descompassos do Brasil moderno. A trama se desenvolve em cenários urbanos e rurais, alternando-se entre ambientes que contrastam a modernidade forçada e a tradição resistente.
Em síntese, “Prosperidade” é uma comédia de costumes com forte cunho social. Ela desmascara as ilusões da riqueza e do progresso desmedido, mostrando como a sociedade brasileira daquele período se debatia entre a imitação do exterior e a urgente necessidade de encontrar uma identidade própria. A peça é um convite à reflexão sobre os verdadeiros valores humanos e sobre o impacto da modernização na vida das pessoas e na cultura nacional, um tema perene na obra de Oswald de Andrade.
A crítica à superficialidade da busca por riqueza e ao progresso material desumanizado na sociedade brasileira.
Oswald de Andrade (1890-1954) foi um dos mais revolucionários escritores e pensadores do Modernismo brasileiro. Nascido em São Paulo, demonstrou desde cedo seu espírito vanguardista, sendo um dos principais organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922, evento que marcou a ruptura com os padrões estéticos do passado. Sua vasta obra é caracterizada pela ironia, pela experimentação formal e pela crítica contundente à cultura brasileira e à influência europeia. Ele é o autor do famoso Manifesto Antropófago (1928), que propunha a “devoração” cultural do que vinha de fora para criar algo autenticamente brasileiro. Além de dramaturgo, foi romancista, poeta e ensaísta, deixando um legado fundamental para a compreensão e construção da identidade cultural do Brasil.
A peça teatral “Prosperidade”, de Oswald de Andrade, é uma comédia satírica que mergulha nas contradições da sociedade brasileira do início do século XX. Publicada em um período de efervescência cultural e social, a obra reflete o olhar crítico do autor sobre a burguesia emergente, seus valores e sua busca por um progresso muitas vezes superficial. Através de um humor mordaz e diálogos afiados, Oswald de Andrade constrói um panorama da modernização do Brasil, expondo as máscaras sociais e os conflitos gerados pela ascensão econômica. A peça é um excelente exemplo do estilo provocador e inovador que caracteriza toda a produção do autor, reafirmando sua posição como um dos grandes nomes da literatura brasileira.
| Tempo | A narrativa se desenrola em um tempo cronológico, abrangendo um período relativamente curto e focado em eventos específicos que culminam em revelações e desfechos. Reflete o dinamismo e a pressa de uma sociedade em transformação. |
| Espaço | Principalmente em ambientes da burguesia urbana, como salas de estar, escritórios luxuosos e locais de lazer. Pode haver menções ou breves passagens por ambientes rurais, contrastando o campo com a cidade que se modernizava rapidamente. |
| Narrador | Em peças teatrais, não há um narrador onisciente como em romances. A “narração” ocorre através das falas e ações dos personagens, complementadas pelas indicações de cena (didascálias) do autor, que orientam a encenação e a compreensão do público. |
| Linguagem | Coloquial, permeada por gírias e expressões típicas da época, com um tom predominantemente irônico e satírico. Oswald de Andrade explora a oralidade brasileira, por vezes com quebras de formalidade e inversões sintáticas, características marcantes do Modernismo. |
O estilo de Oswald de Andrade em “Prosperidade” é inconfundível, marcado pela ironia, pelo humor ácido e por uma crítica social explícita e direta. O autor utiliza a caricatura como um recurso central para construir seus personagens, exagerando seus traços e comportamentos a fim de ridicularizar os vícios e a hipocrisia da burguesia. A linguagem coloquial, a incorporação de elementos da cultura popular brasileira e a quebra de formalidades são traços modernistas evidentes na obra. Oswald emprega o diálogo rápido e, por vezes, a fragmentação narrativa para refletir a efervescência e a falta de coesão da sociedade que retrata. Há também um uso recorrente de alusões e referências culturais, que contextualizam a obra no cenário do início do século XX. A sátira é a ferramenta principal para questionar a busca cega pela “prosperidade” material e os valores deturpados que a acompanham.
“Prosperidade” emerge em um Brasil em plena transformação, no início do século XX, período marcado pela Primeira República, por uma incipiente industrialização e pela busca por uma identidade nacional moderna. A Semana de Arte Moderna de 1922, da qual Oswald foi um dos maiores protagonistas, havia chacoalhado as estruturas culturais do país, propondo uma ruptura com o tradicional. A peça critica abertamente a burguesia brasileira que, em sua ânsia por se modernizar e se equiparar à Europa, muitas vezes caía na imitação superficial de valores estrangeiros e no abandono de elementos autênticos da cultura nacional. A obra denuncia a hipocrisia social, a corrupção dos valores pelo dinheiro e a alienação cultural, mostrando como a “prosperidade” material podia vir acompanhada de um grande vazio existencial e moral. É uma crítica contundente à visão ufanista de progresso e um convite a olhar para as entranhas do “novo” Brasil, desvendando suas contradições e mazelas.
| Título Original | Prosperidade |
| Autor | Oswald de Andrade |
| Gênero | Teatro (Comédia Satírica) |
| Ano de Publicação | 1932 (referente à primeira publicação em livro ou encenação relevante) |
| Movimento Literário | Modernismo Brasileiro |
| Localização da Ação | Brasil (principalmente São Paulo, em um contexto urbano de efervescência social) |
Confira um resumo em vídeo sobre esta obra:
A FURG antecipou a data do vestibular 2027 para 22 de novembro de 2026. A medida visa evitar conflitos com outros processos seletivos da região.