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Orações subordinadas substantivas: o que cai no ENEM e nos vestibulares

Orações subordinadas substantivas explicadas de forma simples: aprenda a identificar cada tipo, as conjunções que as introduzem e os truques que mais caem no ENEM e nos vestibulares.

Estudante sorridente em estilo de animação escrevendo em um caderno, com peças coloridas de quebra-cabeça e balões de fala vazios flutuando ao redor, simbolizando a montagem das orações em uma frase.
Estudante sorridente em estilo de animação escrevendo em um caderno, com peças coloridas de quebra-cabeça e balões de fala vazios flutuando ao redor, simbolizando a montagem das orações em uma frase.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. O que é uma oração subordinada substantiva
  3. As conjunções integrantes: que e se
  4. Os seis tipos de oração subordinada substantiva
  5. Orações substantivas reduzidas: sem conjunção
  6. Substantiva, adjetiva ou adverbial? Como não confundir
  7. Como as subordinadas substantivas caem no ENEM e nos vestibulares
  8. Erros mais comuns (e como evitá-los)
  9. Mapa mental
  10. SAQ — Perguntas de resposta curta
  11. Questões comentadas
  12. Dica do professor
  13. Atenção / cuidado
  14. Conexão com outras áreas
  15. Incidência

Resumo rápido

Uma oração subordinada substantiva é uma oração que funciona como se fosse um substantivo dentro de outra oração. Ela não existe sozinha: depende de uma oração principal e exerce nela uma função típica de substantivo, como sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto. Por isso o nome: subordinada porque depende da principal, substantiva porque faz o papel de um substantivo.

Observe o par de frases: Quero um livro. e Quero que você me empreste um livro. Na primeira, o objeto direto do verbo querer é o substantivo livro. Na segunda, o objeto direto é a oração inteira que você me empreste um livro. É exatamente essa troca — um substantivo por uma oração — que define a oração subordinada substantiva. Se você conseguir substituir a oração por isso, isto ou algo sem estragar o sentido, quase sempre estará diante de uma substantiva.

As subordinadas substantivas são introduzidas, na maioria das vezes, pela conjunção integrante que ou se, e também podem aparecer sem conjunção, na forma reduzida, com o verbo no infinitivo, no gerúndio ou no particípio. Neste artigo, você vai aprender os seis tipos de subordinada substantiva, como identificar cada um deles, a diferença entre que conjunção integrante e que pronome relativo, as formas reduzidas e os erros mais comuns. Ao final, há um mapa mental, perguntas de resposta curta e questões comentadas originais, no estilo do ENEM, para você testar o que aprendeu.

O que é uma oração subordinada substantiva

Para entender a subordinada substantiva, é preciso lembrar como funciona um período composto por subordinação. Nele, há uma oração principal, que tem sentido mais completo, e uma oração subordinada, que depende dela e exerce uma função sintática dentro dela. Quando essa função é uma função típica de substantivo, a oração é classificada como substantiva.

Compare os exemplos abaixo. Em cada par, a segunda frase substitui um substantivo por uma oração inteira, sem mudar a estrutura básica do período:

  • É certo o resultado. / É certo que o resultado sairá hoje. — o substantivo resultado dá lugar à oração que o resultado sairá hoje, que funciona como sujeito.
  • Desejo a aprovação. / Desejo que você seja aprovado. — o substantivo aprovação dá lugar à oração que você seja aprovado, que funciona como objeto direto.
  • Tenho medo da reprovação. / Tenho medo de que você reprove. — o substantivo reprovação dá lugar à oração de que você reprove, que funciona como complemento nominal.
  • Meu sonho é a aprovação. / Meu sonho é que você seja aprovado. — o substantivo aprovação dá lugar à oração que você seja aprovado, que funciona como predicativo.

Esse teste da substituição é o mais confiável para reconhecer uma substantiva. Troque a oração suspeita por isso: É certo isso, Desejo isso, Tenho medo disso, Meu sonho é isso. Se a frase continuar correta e com o mesmo sentido, a oração exerce função de substantivo. Se a substituição não funcionar, provavelmente a oração é adjetiva ou adverbial, e não substantiva.

Outro ponto importante: a oração principal, sozinha, fica incompleta quando há uma subordinada substantiva. Em É preciso que você estude, a oração principal é apenas É preciso, que não diz o que é preciso. Falta justamente a informação trazida pela subordinada: que você estude. Essa dependência de sentido é a marca da subordinação.

As conjunções integrantes: que e se

A maioria das orações subordinadas substantivas desenvolvidas — isto é, com verbo em forma conjugada — é introduzida por uma conjunção integrante. As conjunções integrantes são que e se. Elas não têm significado próprio: servem apenas para ligar a oração subordinada à principal, como uma ponte. Por isso, não devem ser confundidas com outras palavras de mesma grafia.

O que integrante aparece na maioria dos casos: Espero que você passe. / É importante que todos participem. / Disseram que a prova foi difícil. O se integrante aparece, sobretudo, depois de verbos que expressam dúvida, pergunta indireta ou incerteza: Não sei se ele vem. / Perguntaram se a aula seria adiada. / Quero saber se você entendeu.

Muita atenção ao se: ele só é conjunção integrante quando a oração subordinada pode ser substituída por isso. Em Não sei se ele vem, a troca funciona: Não sei isso. Já em Se ele vier, ficarei feliz, o se é conjunção condicional e introduz uma oração adverbial, não substantiva — a troca por isso não funciona. O mesmo cuidado vale para o que: quando ele retoma um termo anterior, é pronome relativo e introduz oração adjetiva, como em O livro que comprei é ótimo, em que que retoma livro. Na substantiva, o que não retoma nada: apenas liga as orações, como em Espero que você leia o livro.

Um truque rápido para diferenciar: pergunte se o que pode ser substituído por o qual, a qual ou os quais. Se puder, é pronome relativo e a oração é adjetiva. Se não puder, e a oração puder ser trocada por isso, é conjunção integrante e a oração é substantiva. Compare: O filme que assisti é longo (posso dizer o filme o qual assisti — relativo, adjetiva) e Acho que o filme é longo (não posso dizer acho o qual o filme é longo; posso dizer acho isso — integrante, substantiva).

Os seis tipos de oração subordinada substantiva

A classificação da subordinada substantiva depende da função que ela exerce na oração principal. São seis tipos, e cada um corresponde a uma função sintática que um substantivo também pode exercer. O segredo para classificar bem é sempre perguntar: o que essa oração está fazendo na frase? Ela é sujeito? É objeto? É complemento? É predicativo? É aposto? A resposta dá o nome do tipo.

1. Subjetiva: funciona como sujeito

A subordinada substantiva subjetiva exerce a função de sujeito da oração principal. Ela aparece, com frequência, depois de verbos ou expressões impessoais, como é preciso, é importante, é provável, convém, importa, parece e acontece, e também depois de verbos na voz passiva sintética ou de verbos que não têm sujeito próprio.

  • É fundamental que você revise a matéria. — sujeito: que você revise a matéria (o que é fundamental? Que você revise a matéria).
  • Convém que todos cheguem cedo. — sujeito: que todos cheguem cedo.
  • Parece que vai chover. — sujeito: que vai chover.
  • É provável que o resultado saia amanhã. — sujeito: que o resultado saia amanhã.

Teste prático: pergunte o que é fundamental, convém ou parece. A resposta é a oração subjetiva. Outra forma de conferir é trocar a oração por isso: É fundamental isso, Convém isso. Funciona, porque a oração ocupa o lugar do sujeito.

2. Objetiva direta: funciona como objeto direto

A subordinada substantiva objetiva direta exerce a função de objeto direto, isto é, completa o sentido de um verbo transitivo direto, sem preposição. É o tipo mais frequente nas provas, porque aparece depois de verbos muito comuns: achar, pensar, crer, dizer, afirmar, esperar, desejar, querer, saber, perceber, notar, temer, imaginar, supor.

  • Acho que você está certo. — objeto direto: que você está certo (acho o quê? Que você está certo).
  • Espero que a prova seja tranquila. — objeto direto: que a prova seja tranquila.
  • Disseram que as inscrições foram prorrogadas. — objeto direto: que as inscrições foram prorrogadas.
  • Não sei se devo refazer o simulado. — objeto direto: se devo refazer o simulado.

Perceba que, no último exemplo, a conjunção é se, e não que. Isso não muda a classificação: o que define a objetiva direta é a função, e não a conjunção. Sempre que a oração completar um verbo transitivo direto, sem preposição, ela é objetiva direta.

3. Objetiva indireta: funciona como objeto indireto

A subordinada substantiva objetiva indireta exerce a função de objeto indireto: completa um verbo transitivo indireto, vindo sempre acompanhada de preposição. As preposições mais comuns são de, em e a, e a conjunção integrante vem logo depois da preposição: de que, em que, a que.

  • Preciso de que você me ajude. — objeto indireto: de que você me ajude (preciso de quê? De que você me ajude).
  • Lembro-me de que a aula começa às oito. — objeto indireto: de que a aula começa às oito.
  • Insisto em que todos participem. — objeto indireto: em que todos participem.
  • Chegamos a que todos concordassem. — construção menos comum, mas possível, com objeto indireto introduzido por a que.

O erro mais comum aqui é esquecer a preposição ou usá-la onde ela não cabe. Verbos como precisar, lembrar-se, esquecer-se, insistir e gostar pedem preposição, e a oração subordinada mantém essa preposição: Gosto de que me expliquem com calma está certo; Gosto que me expliquem com calma, na norma culta, está errado, porque falta o de. As provas adoram cobrar justamente essa preposição obrigatória.

4. Completiva nominal: funciona como complemento nominal

A subordinada substantiva completiva nominal exerce a função de complemento nominal: completa o sentido de um substantivo, de um adjetivo ou de um advérbio, vindo sempre acompanhada de preposição. É o complemento de um nome, e não de um verbo — essa é a diferença essencial em relação à objetiva indireta.

  • Tenho certeza de que você vai passar. — complemento nominal de certeza (substantivo).
  • Estou ansioso por que o resultado saia logo. — complemento nominal de ansioso (adjetivo); na escrita corrente, usa-se por que com esse sentido, mas a estrutura é a mesma: preposição + conjunção integrante.
  • Tenho medo de que a prova seja difícil. — complemento nominal de medo (substantivo).
  • Sou favorável a que todos tenham acesso ao material. — complemento nominal de favorável (adjetivo).

Para não confundir completiva nominal com objetiva indireta, pergunte: a preposição está ligada a um verbo ou a um nome? Se estiver ligada a um verbo (preciso de, lembro-me de), é objetiva indireta. Se estiver ligada a um substantivo, adjetivo ou advérbio (certeza de, medo de, favorável a, ansioso por), é completiva nominal. Esse teste resolve quase todas as questões que misturam os dois tipos.

5. Predicativa: funciona como predicativo do sujeito

A subordinada substantiva predicativa exerce a função de predicativo do sujeito: aparece depois de um verbo de ligação (ser, estar, parecer, ficar, tornar-se, continuar) e atribui uma característica ou uma identidade ao sujeito da oração principal.

  • Meu objetivo é que todos aprendam. — predicativo: que todos aprendam (o que é meu objetivo? Que todos aprendam).
  • O problema é que ninguém avisou sobre a mudança. — predicativo: que ninguém avisou sobre a mudança.
  • A verdade é que o conteúdo estava no edital. — predicativo: que o conteúdo estava no edital.
  • Minha esperança é que o esforço valha a pena. — predicativo: que o esforço valha a pena.

Repare que, na predicativa, o sujeito da principal costuma ser um substantivo abstrato — objetivo, problema, verdade, esperança, fato, questão — e a oração subordinada revela o conteúdo desse substantivo. Se você trocar a oração por isso (Meu objetivo é isso, O problema é isso), a frase continua correta, confirmando a função substantiva.

6. Apositiva: funciona como aposto

A subordinada substantiva apositiva exerce a função de aposto: explica, esclarece ou resume um termo anterior, geralmente vindo depois de dois-pontos, de travessão ou, mais raramente, de vírgula. É como se a oração dissesse, com outras palavras, o que o termo anterior significa.

  • Tenho um desejo: que você seja aprovado. — aposto de desejo: a oração explica qual é o desejo.
  • Só peço uma coisa: que estudem com calma. — aposto de coisa.
  • Ficou claro o recado: que ninguém falte à revisão. — aposto de recado.

A apositiva é o tipo menos cobrado nas provas, mas aparece em textos e em questões de análise sintática. O sinal mais claro dela é a pausa — dois-pontos ou travessão — antes da oração, e o fato de ela poder ser retirada sem destruir a estrutura da frase principal, apenas deixando-a menos explicada. Em Tenho um desejo, a frase está completa; a oração que você seja aprovado apenas especifica qual desejo é esse.

TipoFunção na oração principalPergunta que identificaExemplo
SubjetivaSujeitoO que é preciso, convém, parece?É preciso que você estude.
Objetiva diretaObjeto direto (sem preposição)Verbo + o quê?Quero que você estude.
Objetiva indiretaObjeto indireto (com preposição, ligada a verbo)Verbo + de quê? Em quê?Preciso de que você me ajude.
Completiva nominalComplemento nominal (com preposição, ligada a nome)Nome + de quê? A quê?Tenho certeza de que vou passar.
PredicativaPredicativo do sujeito (após verbo de ligação)O sujeito é o quê?Meu sonho é que você passe.
ApositivaAposto (explica termo anterior, após dois-pontos)Qual? O quê, exatamente?Tenho um desejo: que você passe.

Orações substantivas reduzidas: sem conjunção

Nem toda subordinada substantiva vem com conjunção integrante e verbo conjugado. Quando o verbo aparece em uma forma nominal — infinitivo, gerúndio ou particípio — e a conjunção desaparece, temos uma oração subordinada substantiva reduzida. A função sintática continua a mesma; o que muda é só a forma do verbo.

  • Reduzida de infinitivo (a mais comum): É preciso estudar. (subjetiva: estudar = que se estude) / Quero passar no vestibular. (objetiva direta: passar = que eu passe) / Tenho medo de reprovar. (completiva nominal: de reprovar = de que eu reprove).
  • Reduzida de gerúndio (mais rara): Ouvi os alunos reclamando da prova. Em muitos contextos, porém, o gerúndio com valor substantivo aparece em construções como Prefiro ficar estudando a sair, e as gramáticas divergem sobre alguns casos — nas provas, o infinitivo é disparado o mais cobrado.
  • Reduzida de particípio (rara): Feita a revisão, fomos descansar. Aqui, na verdade, a oração tem valor mais adverbial (temporal) do que substantivo, e por isso as reduzidas de particípio com função substantiva são exceções que quase não aparecem em prova.

Para desenvolver uma reduzida, basta repor a conjunção e conjugar o verbo: É preciso estudar vira É preciso que se estude; Quero passar vira Quero que eu passe. Para reduzir uma desenvolvida, faça o caminho inverso: retire a conjunção e passe o verbo para o infinitivo, ajustando a preposição quando houver: Preciso de que você me ajude vira Preciso de sua ajuda ou, mantendo a oração, Preciso de que me ajudem — na forma reduzida mais natural, Preciso que me ajudem perde a preposição em uso coloquial, mas a norma culta pede atenção à regência do verbo.

Um cuidado importante nas reduzidas de infinitivo: quando o sujeito do infinitivo é diferente do sujeito da principal, ele costuma aparecer antes do verbo, como em É preciso você estudar mais ou Peço a você revisar o texto. E quando o infinitivo vem flexionado (estudarem, fazermos), ele indica claramente quem pratica a ação: É importante estudarmos juntos (nós) / É importante eles estudarem juntos (eles). As provas cobram esse infinitivo flexionado, sobretudo em questões de concordância e de reescrita.

Substantiva, adjetiva ou adverbial? Como não confundir

Grande parte dos erros em questões de período composto vem da confusão entre os três tipos de oração subordinada. A tabela abaixo resume a diferença essencial, e o teste da substituição por isso continua sendo o melhor aliado: só a substantiva aceita essa troca sem mudar a estrutura da frase.

TipoO que fazComo reconhecerExemplo
SubstantivaExerce função de substantivo (sujeito, objeto, complemento, predicativo, aposto)Pode ser trocada por isso; introduzida por que ou se integrantesEspero que você passe.
AdjetivaExerce função de adjetivo (caracteriza um substantivo anterior)Introduzida por pronome relativo (que, o qual, onde, cujo) que retoma um termo anteriorO aluno que estuda passa.
AdverbialExerce função de advérbio (indica causa, tempo, condição, concessão, comparação, etc.)Introduzida por conjunção subordinativa adverbial (porque, quando, se, embora, como)Estudei porque queria passar.

Um caso clássico de confusão é o se. Em Não sei se ele vem, o se é integrante e a oração é substantiva objetiva direta (não sei isso). Em Se ele vier, passarei, o se é condicional e a oração é adverbial (indica condição). Em Perguntou se a prova seria adiada, o se é integrante de novo, porque a pergunta indireta equivale a um objeto direto: perguntou isso. Sempre pergunte: essa oração responde a o quê de um verbo, ou indica uma circunstância (tempo, causa, condição)? A resposta separa substantiva de adverbial na maioria dos casos.

Outro caso que confunde é a oração introduzida por que depois de substantivo. Em Tenho a certeza de que vou passar, a oração é completiva nominal, porque completa o substantivo certeza e vem com preposição. Em Li o livro que você indicou, a oração é adjetiva restritiva, porque o que retoma livro e caracteriza esse livro. A presença ou ausência da preposição, e o fato de o que retomar ou não um termo anterior, são os dois sinais que mais ajudam.

Como as subordinadas substantivas caem no ENEM e nos vestibulares

No ENEM, as subordinadas substantivas raramente aparecem como uma pergunta seca de classificação. Elas costumam vir dentro de questões de compreensão e reescrita: o enunciado pede a função de uma oração destacada, a reescrita de um período mantendo o sentido, ou a identificação do termo a que uma oração se refere. Nos vestibulares mais tradicionais, como Fuvest, Unicamp e Unesp, também são comuns questões que pedem a classificação direta da oração, com a completiva nominal e a objetiva indireta como principais armadilhas, porque as duas usam preposição e só se distinguem pelo termo a que a preposição se liga.

Os pontos mais cobrados, na prática, são quatro. Primeiro, a distinção entre que integrante e que relativo, que decide entre substantiva e adjetiva. Segundo, a diferença entre objetiva indireta e completiva nominal, que decide se a preposição pertence a um verbo ou a um nome. Terceiro, a regência: a preposição obrigatória antes de que em verbos e nomes que a exigem, como precisar de que, lembrar-se de que e ter certeza de que. Quarto, a reescrita com formas reduzidas, em que o candidato precisa transformar uma oração desenvolvida em reduzida de infinitivo sem mudar o sentido, ou o contrário.

Para treinar, vale resolver as questões comentadas ao final deste artigo e depois revisar os conteúdos de Língua Portuguesa do Clique Vestibular, onde outros temas de sintaxe completam o assunto, como orações adjetivas, adverbiais e coordenadas. A sala de estudo reúne esses conteúdos em ordem, e os guias de vestibulares ajudam a situar cada tema no que cada prova costuma cobrar.

Erros mais comuns (e como evitá-los)

  • Chamar de substantiva toda oração introduzida por que — se o que retoma um substantivo anterior, a oração é adjetiva, não substantiva.
  • Confundir objetiva indireta com completiva nominal — pergunte se a preposição se liga a um verbo ou a um nome; verbo indica objetiva indireta, nome indica completiva nominal.
  • Esquecer a preposição obrigatória — preciso de que, lembro-me de que, tenho certeza de que: sem o de, a construção fere a norma culta.
  • Usar preposição onde ela não cabe — verbos transitivos diretos como achar, esperar, dizer não pedem preposição: o certo é acho que você tem razão, e não acho de que você tem razão.
  • Classificar a subjetiva como objetiva — em É preciso que você estude, a oração é sujeito de é preciso, e não objeto; não há verbo transitivo direto ali.
  • Trocar se integrante por se condicional — em pergunta indireta (não sei se vem), o se é integrante e a oração é substantiva; só é condicional quando indica condição (se vier, ficarei feliz).
  • Na reescrita, mudar o sentido ao reduzir — ao passar para o infinitivo, preserve o sujeito da ação: É importante que eles estudem vira É importante eles estudarem, e não É importante estudar, que apaga quem estuda.

Uma estratégia de revisão ajuda muito: diante de uma oração suspeita, faça os três testes em ordem. Primeiro, troque-a por isso: se funcionar, é substantiva. Segundo, pergunte qual função ela exerce: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto. Terceiro, verifique a preposição: ela existe? A que termo ela se liga? Com esses três passos, você classifica a maioria das orações sem precisar decorar a lista de tipos na hora da prova — e evita os deslizes que mais custam pontos, inclusive na redação do ENEM, onde períodos bem construídos e com regência correta contam na competência de norma culta.

Professora em estilo de animação apontando para um quadro com peças coloridas de quebra-cabeça encaixadas, enquanto alunos observam atentos, ilustrando como uma oração se encaixa dentro de outra.
Professora em estilo de animação apontando para um quadro com peças coloridas de quebra-cabeça encaixadas, enquanto alunos observam atentos, ilustrando como uma oração se encaixa dentro de outra.
Estudante animado em estilo de animação erguendo um lápis em comemoração, cercado por peças coloridas de quebra-cabeça e lâmpadas acesas, celebrando o entendimento da matéria.
Estudante animado em estilo de animação erguendo um lápis em comemoração, cercado por peças coloridas de quebra-cabeça e lâmpadas acesas, celebrando o entendimento da matéria.

Mapa mental

  • Oração subordinada substantiva: oração que exerce função de substantivo na oração principal
    • Teste: pode ser substituída por isso sem estragar a frase
    • Conjunções integrantes: que e se (sem significado próprio, só ligam as orações)
    • Formas: desenvolvida (verbo conjugado, com conjunção) ou reduzida (infinitivo, gerúndio ou particípio, sem conjunção)
    • Os seis tipos:
      • Subjetiva: sujeito — É preciso que você estude.
      • Objetiva direta: objeto direto, sem preposição — Quero que você passe.
      • Objetiva indireta: objeto indireto, com preposição ligada a verbo — Preciso de que me ajudem.
      • Completiva nominal: complemento nominal, com preposição ligada a nome — Tenho certeza de que vou passar.
      • Predicativa: predicativo do sujeito, após verbo de ligação — Meu sonho é que você passe.
      • Apositiva: aposto, após dois-pontos, explicando termo anterior — Tenho um desejo: que você passe.
    • Não confundir:
      • Que relativo retoma termo anterior e introduz adjetiva; que integrante só liga e introduz substantiva
      • Se condicional indica condição e introduz adverbial; se integrante introduz substantiva em pergunta indireta
      • Preposição ligada a verbo = objetiva indireta; ligada a nome = completiva nominal
    • Na prova: classifique pela função, confira a preposição e teste a troca por isso

SAQ — Perguntas de resposta curta

  1. Pergunta: O que é uma oração subordinada substantiva? Resposta: É uma oração dependente que exerce, na oração principal, uma função típica de substantivo, como sujeito, objeto, complemento nominal, predicativo ou aposto.
  2. Pergunta: Quais são as conjunções integrantes? Resposta: Que e se. Elas ligam a oração subordinada à principal sem ter significado próprio.
  3. Pergunta: Classifique a oração destacada: “É importante que todos revisem o conteúdo.” Resposta: Subordinada substantiva subjetiva, porque funciona como sujeito de é importante.
  4. Pergunta: Classifique a oração destacada: “Espero que a prova seja tranquila.” Resposta: Subordinada substantiva objetiva direta, porque completa o verbo transitivo direto esperar, sem preposição.
  5. Pergunta: Qual é a diferença entre objetiva indireta e completiva nominal? Resposta: Na objetiva indireta, a preposição se liga a um verbo (preciso de que); na completiva nominal, a preposição se liga a um substantivo, adjetivo ou advérbio (certeza de que).
  6. Pergunta: Classifique a oração destacada: “Meu objetivo é que todos aprendam.” Resposta: Subordinada substantiva predicativa, porque funciona como predicativo do sujeito meu objetivo, após o verbo de ligação é.
  7. Pergunta: Desenvolva a oração reduzida em “É preciso estudar todos os dias.” Resposta: “É preciso que se estude todos os dias.” A forma reduzida de infinitivo vira desenvolvida com a conjunção que e o verbo conjugado.
  8. Pergunta: Por que, em “O livro que comprei é ótimo”, a oração não é substantiva? Resposta: Porque o que retoma o substantivo livro e funciona como pronome relativo; a oração caracteriza livro, logo é adjetiva, não substantiva, e não aceita a troca por isso.

Questões comentadas

Questão 1

Assinale a alternativa em que a oração destacada é subordinada substantiva subjetiva:

a) Espero que você chegue cedo.
b) É fundamental que todos participem da revisão.
c) Tenho certeza de que o conteúdo vai cair.
d) Meu sonho é que você seja aprovado.
e) Preciso de que me avisem com antecedência.

Gabarito: B. Em (b), a oração funciona como sujeito da expressão impessoal é fundamental: o que é fundamental? Que todos participem da revisão. Em (a), é objetiva direta; em (c), completiva nominal; em (d), predicativa; em (e), objetiva indireta.

Questão 2

Na frase “Os professores insistiram em que os alunos refizessem o simulado”, a oração subordinada é:

a) Substantiva objetiva direta.
b) Substantiva objetiva indireta.
c) Substantiva completiva nominal.
d) Adjetiva restritiva.
e) Adverbial concessiva.

Gabarito: B. A oração completa o verbo transitivo indireto insistir, com a preposição em: insistiram em quê? Em que os alunos refizessem o simulado. Como a preposição se liga a um verbo, e não a um nome, a classificação é objetiva indireta, e não completiva nominal.

Questão 3

Assinale a alternativa em que há erro de regência com oração subordinada substantiva, segundo a norma culta:

a) Tenho certeza de que o edital será publicado hoje.
b) Lembro-me de que a aula começa às oito.
c) Acho que você tem razão sobre o gabarito.
d) Preciso que você me ajude na revisão.
e) Estou convencido de que o esforço vale a pena.

Gabarito: D. O verbo precisar, no sentido de necessitar, é transitivo indireto e exige a preposição de: o certo é “Preciso de que você me ajude”. Nas demais, a regência está correta: certeza de que, lembrar-se de que, achar que (transitivo direto, sem preposição) e convencido de que (adjetivo com preposição).

Questão 4

Em “Não sei se o resultado sai hoje”, a oração subordinada é classificada como:

a) Adverbial condicional, porque é introduzida por se.
b) Substantiva objetiva direta, porque completa o verbo saber e pode ser trocada por isso.
c) Substantiva completiva nominal, porque depende de um nome.
d) Adjetiva, porque o se retoma um termo anterior.
e) Coordenada, porque tem sentido próprio.

Gabarito: B. O se aqui não indica condição, e sim uma pergunta indireta: não sei o quê? Se o resultado sai hoje. A troca por isso funciona (“Não sei isso”), confirmando a função substantiva de objeto direto do verbo transitivo direto saber.

Questão 5

Assinale a alternativa em que a oração destacada é subordinada substantiva predicativa:

a) É provável que o resultado saia amanhã.
b) Quero que você revise a redação.
c) O problema é que ninguém avisou sobre a mudança de sala.
d) Tenho um pedido: que estudem com calma.
e) Duvido que a prova seja fácil.

Gabarito: C. Em (c), a oração vem após o verbo de ligação é e funciona como predicativo do sujeito o problema. Em (a), é subjetiva; em (b) e (e), objetiva direta; em (d), apositiva, após os dois-pontos.

Questão 6

A reescrita correta, na forma desenvolvida, da frase “É importante estudarmos juntos até a véspera da prova” é:

a) É importante que estudemos juntos até a véspera da prova.
b) É importante que estudarmos juntos até a véspera da prova.
c) É importante estudar juntos até a véspera da prova.
d) É importante que nós estudamos juntos até a véspera da prova.
e) É importante estudando juntos até a véspera da prova.

Gabarito: A. Ao desenvolver a reduzida de infinitivo flexionado estudarmos (nós), repõe-se a conjunção integrante que e conjuga-se o verbo no presente do subjuntivo, estudemos, que é a forma exigida após é importante que. A alternativa (b) mantém o infinitivo após que, o que é incorreto; (d) usa o indicativo, inadequado nesse contexto; (c) e (e) não desenvolvem a oração.

Dica do professor

Não comece pela classificação: comece pela função. Diante de qualquer oração introduzida por que ou se, faça três perguntas, sempre nesta ordem: primeiro, ela pode ser trocada por isso? Se sim, é substantiva. Segundo, o que ela faz na frase: é sujeito, objeto, complemento, predicativo ou aposto? Terceiro, há preposição? Se há, a quem ela se liga, a um verbo ou a um nome? Quem responde a essas três perguntas classifica qualquer subordinada substantiva sem decorar frases prontas — e, de quebra, resolve também as questões de regência, que quase sempre vêm junto.

Atenção / cuidado

Cuidado com dois deslizes muito comuns. O primeiro é chamar de substantiva qualquer oração com que: se o que retoma um substantivo anterior, a oração é adjetiva, e a troca por isso não funciona. O segundo é confundir objetiva indireta com completiva nominal só porque as duas usam preposição: o que decide é o termo a que a preposição se liga, verbo ou nome. Outro cuidado: na pressa, é fácil esquecer a preposição obrigatória em precisar de que, lembrar-se de que e ter certeza de que, ou colocá-la onde ela não cabe, em achar que e esperar que. Revisar a regência do verbo ou do nome antes de classificar evita os dois erros de uma só vez.

Conexão com outras áreas

As subordinadas substantivas se conectam diretamente com a concordância, a regência e a interpretação de texto: entender a função de cada oração é o que permite analisar períodos longos, reescrevê-los sem mudar o sentido e identificar a quem cada informação se refere. Na redação, dominar essas estruturas ajuda a construir argumentos mais claros e períodos mais coesos, sem repetir o mesmo padrão de frase o tempo todo. Em Literatura, a análise de períodos complexos revela o estilo de um autor: frases com muitas subordinadas tendem a um ritmo mais reflexivo, enquanto frases curtas e coordenadas dão ritmo mais ágil à narrativa. E em Língua Portuguesa como um todo, a substantiva é a porta de entrada para o estudo do período composto: quem domina a função substantiva entende com mais facilidade as adjetivas e as adverbiais. Para continuar, explore os conteúdos de Língua Portuguesa do Clique Vestibular e os guias de ENEM disponíveis na sala de estudo.

Incidência

Incidência: ♨️ Morno. As orações subordinadas substantivas são um tema recorrente em Língua Portuguesa, mas aparecem com mais frequência diluídas em questões de análise sintática, reescrita e interpretação do que como assunto isolado. No ENEM, elas costumam valer pontos dentro de questões de Linguagens que pedem a função de uma oração ou a reescrita de um período; nos vestibulares tradicionais, aparecem em questões objetivas de sintaxe, quase sempre com as armadilhas clássicas: que integrante versus que relativo, objetiva indireta versus completiva nominal e a preposição obrigatória antes de que. Vale a revisão porque é um conteúdo de alto retorno: poucas regras — a troca por isso, a pergunta pela função e o teste da preposição — resolvem muitas questões, e os mesmos erros se repetem ano após ano.