
Direto ao assunto
- Resumo rápido
- Por que o QUE cai tanto nas provas
- 1. QUE como pronome relativo
- 2. QUE como conjunção integrante
- 3. QUE como conjunção subordinativa adverbial
- 4. QUE como partícula expletiva ou de realce
- 5. QUE como substantivo, advérbio, pronome interrogativo e interjeição
- 6. QUE nas orações adjetivas restritivas e explicativas
- 7. Testes práticos: o passo a passo para a prova
- 8. Tabelas comparativas das funções do QUE
- Mapa mental
- SAQ — perguntas e respostas rápidas
- Questões comentadas
- Dica do professor
- Atenção/cuidado
- Conexão com outras áreas
- Incidência
Resumo rápido
A palavra QUE é uma das mais versáteis da língua portuguesa — e justamente por isso é uma das mais cobradas no ENEM e nos vestibulares. Ela pode ser pronome relativo, conjunção integrante, conjunção subordinativa adverbial (causal, comparativa, consecutiva, final, temporal e outras), partícula expletiva ou de realce, substantivo, advérbio de intensidade, pronome interrogativo e até interjeição. A mesma palavrinha, escrita do mesmo jeito, muda completamente de função conforme a frase.
Em uma frase: não decore listas — faça os testes. Se ele retoma um termo anterior e pode ser trocado por “o qual”, é pronome relativo. Se a oração que ele introduz pode ser trocada por “isso”, é conjunção integrante. Se dá para retirá-lo sem mudar o sentido, é partícula expletiva.
Incidência: Morno — tema presente no ENEM e nos vestibulares, principalmente em questões de morfologia, sintaxe, classificação de orações e interpretação de texto, em que é preciso perceber o que o QUE está ligando, retomando ou intensificando.
Por que o QUE cai tanto nas provas
As bancas adoram o QUE porque ele é um teste perfeito de leitura atenta. Um candidato que só decorou “QUE é pronome relativo” erra questões em que o QUE é conjunção, e vice-versa. Além disso, o QUE aparece em textos de todos os gêneros — notícias, crônicas, poemas, redações —, então ele serve para avaliar morfologia, sintaxe e interpretação ao mesmo tempo.
Outra razão: o QUE está no centro de três assuntos que as provas cobram sem parar — as orações subordinadas adjetivas, as orações subordinadas substantivas e as orações subordinadas adverbiais. Dominar as funções do QUE é, na prática, dominar boa parte da sintaxe do período composto.
Antes de entrar em cada função, guarde uma ideia: o QUE quase nunca funciona sozinho. Ele sempre está ligando, retomando ou reforçando alguma coisa. Pergunte-se: ele retoma um nome? Ele introduz uma oração? Dá para tirá-lo da frase? Essas respostas resolvem a maioria das questões.
1. QUE como pronome relativo
É a função mais famosa — e a mais cobrada. O QUE é pronome relativo quando retoma um termo anterior, chamado de antecedente, e introduz uma oração subordinada adjetiva, que funciona como adjetivo desse antecedente.
- O livro que comprei ontem é raro. — QUE retoma “livro” e introduz a oração “que comprei ontem”, que caracteriza o livro.
- A aluna que passou em primeiro lugar estuda aqui. — QUE retoma “aluna”; a oração “que passou em primeiro lugar” caracteriza a aluna.
- A cidade de que falei fica no interior. — QUE retoma “cidade” e vem precedido da preposição exigida pelo verbo “falar de”.
Dois detalhes fazem toda a diferença. Primeiro: o pronome relativo exerce uma função sintática dentro da oração subordinada. Em “o livro que comprei”, o QUE é objeto direto (comprei o livro). Em “a aluna que passou”, o QUE é sujeito (a aluna passou). Em “a cidade de que falei”, o QUE é objeto indireto (falei da cidade). Para descobrir a função, substitua o QUE pelo antecedente dentro da subordinada e analise o termo resultante, como ensina a matéria sobre a função sintática dos pronomes relativos.
Segundo: o QUE relativo sempre tem antecedente. Se não há um substantivo ou pronome antes dele sendo retomado, desconfie. Compare “Espero que você venha” (sem antecedente; é conjunção integrante) com “O recado que você deixou chegou” (QUE retoma “recado”; é pronome relativo).
Teste prático: o QUE relativo pode ser substituído por “o qual” (e flexões) sem mudar o sentido. “O livro o qual comprei ontem é raro” continua correto, ainda que mais formal. Se a troca soar absurda, não é pronome relativo.
2. QUE como conjunção integrante
O QUE é conjunção integrante quando introduz uma oração subordinada substantiva, isto é, uma oração que funciona como substantivo: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto.
- Espero que você venha. — “que você venha” é objeto direto de “espero”.
- É importante que todos participem. — “que todos participem” é sujeito de “é importante”.
- Disse que chegaria cedo. — “que chegaria cedo” é objeto direto de “disse”.
- Tenho medo de que chova. — “de que chova” é complemento nominal de “medo”.
A conjunção integrante não tem função sintática: ela é apenas um elo, uma “cola” entre a oração principal e a subordinada. É por isso que ela nunca pode ser substituída por “o qual” — e é também por isso que o teste mais famoso funciona tão bem.
Teste prático: substitua a oração inteira introduzida por QUE por “isso”. Se a frase continuar fazendo sentido, é conjunção integrante: “Espero isso”, “É importante isso”, “Disse isso”. Já em “O livro que comprei é raro”, a troca dá “O livro isso é raro” — sem sentido. Logo, ali o QUE não é integrante.
Outra pista: a conjunção integrante costuma aparecer depois de verbos de dizer, pensar, sentir, querer, saber e opinar — dizer, afirmar, achar, crer, esperar, desejar, temer, saber, duvidar, garantir. Se o QUE vier depois de um verbo assim e introduzir o conteúdo do que foi dito, pensado ou sentido, é integrante.
3. QUE como conjunção subordinativa adverbial
Quando o QUE introduz uma oração subordinada adverbial — uma oração que funciona como advérbio, indicando uma circunstância —, ele é uma conjunção subordinativa adverbial, muitas vezes dentro de uma locução conjuntiva. Veja as principais:
- Causal (indica causa; equivale a “porque”): Estuda bastante, que a prova está próxima. Também aparece em “já que”, “visto que”, “uma vez que”.
- Comparativa (compara; vem depois de “mais”, “menos”, “tão”, “tanto”): Ele é mais alto que o irmão. Cuidado: “tanto… que” pode ser consecutivo (veja abaixo); o contexto decide.
- Consecutiva (indica consequência; estrutura “tão/tanto… que”): Estava tão cansado que dormiu na aula. O truque: há um intensificador (tão, tanto, tal) na principal e a subordinada expressa o resultado.
- Final (indica finalidade; geralmente em “para que”, “a fim de que”): Estudou muito para que passasse no vestibular. — Para quê estudou? Para passar. O verbo da subordinada final vem no subjuntivo.
- Temporal (indica tempo; em “assim que”, “logo que”, “antes que”, “depois que”): Assim que chegou, começou a revisar. / Saia antes que a chuva comece.
- Concessiva (indica concessão, algo admitido apesar de tudo; em “ainda que”, “mesmo que”): Ainda que chova, iremos à aula. / Mesmo que não passe agora, tentará de novo.
- Condicional (indica condição; em “desde que”, “contanto que”): Você pode sair, desde que termine a revisão. / Passo no exame, contanto que estude todos os dias. — Atenção: “desde que” também pode ser temporal (“desde que chegou, não parou de estudar”); o sentido da frase decide.
- Proporcional (indica proporção; em “à medida que”, “à proporção que”): À medida que estuda, fica mais confiante.
Repare: nas locuções, o QUE não trabalha sozinho — “para que”, “assim que”, “desde que”, “ainda que” formam blocos com sentido próprio. Na prova, classifique a locução inteira, não o QUE isolado. E o QUE adverbial, como o integrante, não tem função sintática e não pode ser trocado por “o qual”.
4. QUE como partícula expletiva ou de realce
Às vezes o QUE está na frase só para dar ênfase — e pode ser retirado sem mudar o sentido. Nesse caso, ele é uma partícula expletiva (ou de realce). É o QUE “de enfeite”, que reforça o que já foi dito.
- É ele que vai resolver o problema. — Retire “é… que”: “Ele vai resolver o problema.” O sentido continua o mesmo; o QUE só destacava o sujeito.
- Quase que caio da escada. — “Quase caio da escada” diz a mesma coisa; o QUE é expletivo.
- Foi ontem que te liguei. — “Foi ontem [que] te liguei” realça o momento; sem o QUE, a ênfase some, mas a informação continua.
Teste prático: retire o QUE da frase. Se o sentido permanecer praticamente o mesmo, é partícula expletiva; se a frase desmontar, não é. Na construção “é… que”, retire o bloco inteiro para o teste funcionar.
Não confunda com o QUE relativo: em “É ele que vai resolver”, a análise mais cobrada é a de partícula de realce, justamente porque o QUE pode ser suprimido.
5. QUE como substantivo, advérbio, pronome interrogativo e interjeição
Essas funções são menos frequentes, mas valem ponto justamente porque pouca gente as estuda.
- Substantivo: quando vem precedido de artigo ou outro determinante, o QUE vira substantivo, com sentido de “um certo algo”. Nesse uso, escreve-se quê, com acento: Há um quê de mistério na história. / O quê da questão é o tempo de estudo. O acento marca que a palavra é tônica e funciona como nome.
- Advérbio de intensidade: em frases exclamativas, o QUE intensifica um adjetivo ou advérbio, equivalendo a “quão”: Que lindo esse pôr do sol! / Que bem você explicou!
- Pronome interrogativo: em perguntas diretas ou indiretas, o QUE pergunta pela identidade ou natureza de algo: Que livro você vai ler? (adjetivo interrogativo) / Que você quer dizer com isso? (pronome interrogativo) / Não sei o que aconteceu. (interrogativa indireta).
- Interjeição: sozinho, em tom de surpresa, o QUE vira interjeição, sempre na forma tônica quê: — Você passou em primeiro lugar! — Quê?!
Um uso raro, só para conhecer: em expressões fixas mais antigas, o QUE pode ter valor de preposição, equivalendo a “de”, como em “não há que temer” (não há do que temer). As provas dificilmente o cobram.
6. QUE nas orações adjetivas restritivas e explicativas
Voltando ao QUE relativo, onde mora a maior parte das questões: a oração adjetiva pode ser restritiva ou explicativa, e a vírgula denuncia o tipo.
- Restritiva (sem vírgula): restringe o antecedente, diz qual deles. Os alunos que estudaram passaram. — Só os que estudaram passaram; os outros, não.
- Explicativa (entre vírgulas): acrescenta uma informação sobre um antecedente já identificado. Os alunos, que estudaram muito, passaram. — Todos passaram; o estudo é só um detalhe.
O QUE relativo também muda de função sintática conforme a subordinada, e as provas adoram pedir isso:
- Sujeito: O professor que chegou é novo. (o professor chegou)
- Objeto direto: O professor que conheci é novo. (conheci o professor)
- Objeto indireto: O professor de que falei é novo. (falei do professor)
- Adjunto adverbial: A escola em que estudo é nova. (estudo na escola)
- Adjunto adnominal: O aluno cuja redação venceu é dedicado. — aqui o relativo é “cuja”, mas o mecanismo é o mesmo.
Regra de ouro da regência: quando o verbo da subordinada exige preposição, ela vem antes do QUE relativo. “A prova para que estudei”, “o filme a que assisti”, “a cidade de que me lembro”. Omitir a preposição (“a cidade que me lembro”) é erro de regência e pesa também na redação.
7. Testes práticos: o passo a passo para a prova
Quando encontrar um QUE na questão, aplique os testes nesta ordem:
- Tem antecedente? Procure um substantivo ou pronome antes do QUE que ele esteja retomando. Se houver, e o QUE introduzir uma oração que caracteriza esse termo, é pronome relativo. Confirme trocando por “o qual”.
- Dá para trocar a oração por “isso”? Se sim, é conjunção integrante (oração substantiva). “Acho que vai chover” → “Acho isso”.
- Dá para retirar o QUE sem mudar o sentido? Se sim, é partícula expletiva. “Quase que caio” → “Quase caio”.
- Ele vem com “mais”, “menos”, “tão”, “tanto”, “para”, “assim”, “desde”, “ainda”, “mesmo”, “contanto”? Provavelmente faz parte de uma locução conjuntiva adverbial — classifique a locução inteira (comparativa, consecutiva, final, temporal, concessiva, condicional).
- Ele intensifica um adjetivo em exclamação? (“Que lindo!”) É advérbio. Ele pergunta algo? É pronome interrogativo. Vem com artigo? (“um quê”) É substantivo. Aparece sozinho, exclamando surpresa? (“Quê?!”) É interjeição.
Exemplo completo. Frase: “Disseram que o aluno que faltou perdeu a prova.” São dois QUEs. O primeiro não tem antecedente e a oração pode virar “isso” (“Disseram isso”) → conjunção integrante. O segundo retoma “aluno” e pode virar “o qual” → pronome relativo, com função de sujeito (o aluno faltou). Dois QUEs, duas funções, uma frase — exatamente o tipo de questão que o ENEM adora.
8. Tabelas comparativas das funções do QUE
Tabela 1 — As funções mais cobradas
| Função | Como reconhecer | Teste | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Pronome relativo | Retoma um antecedente e introduz oração adjetiva | Trocar por “o qual” | O livro que li é ótimo. |
| Conjunção integrante | Introduz oração substantiva, sem antecedente | Trocar a oração por “isso” | Espero que venha. |
| Conjunção adverbial | Introduz oração adverbial, muitas vezes em locução | Equivale a “porque”, “para”, “quando” etc. | Saiu, que estava cansado. |
| Partícula expletiva | Só dá ênfase, não liga nem retoma nada | Retirar sem mudar o sentido | É ele que resolveu. |
Tabela 2 — As funções menos frequentes
| Função | Como reconhecer | Exemplo |
|---|---|---|
| Substantivo | Vem com artigo; escreve-se “quê” | Há um quê de ironia. |
| Advérbio | Intensifica adjetivo ou advérbio em exclamação | Que lindo! |
| Pronome interrogativo | Pergunta direta ou indireta | Que você quer? |
| Interjeição | Expressa surpresa, sozinho | Quê?! |
| Preposição | Uso raro, em expressões fixas, com valor de “de” | Não há que temer. |
Tabela 3 — Pronome relativo x conjunção integrante: o confronto que mais cai
| Pronome relativo | Conjunção integrante | |
|---|---|---|
| Tem antecedente? | Sim | Não |
| Tem função sintática? | Sim, dentro da subordinada | Não, é só um elo |
| Troca por “o qual”? | Sim | Não |
| Troca a oração por “isso”? | Não | Sim |
| Oração introduzida | Adjetiva | Substantiva |
| Exemplo | A ideia que tive foi boa. | Acho que a ideia foi boa. |


Mapa mental
- A palavra QUE → muda de função conforme a frase → use os testes, não decore.
- Pronome relativo → retoma antecedente → oração adjetiva → teste “o qual” → funções: sujeito, objeto direto, objeto indireto, adjunto adverbial.
- Restritiva → sem vírgula → restringe o antecedente.
- Explicativa → com vírgulas → só acrescenta informação.
- Conjunção integrante → sem antecedente → oração substantiva → teste “isso” → sem função sintática.
- Conjunção adverbial → oração adverbial → em locução: causal, comparativa, consecutiva, final, temporal, concessiva, condicional, proporcional.
- Partícula expletiva → só realce → teste: retirar sem mudar o sentido → “é… que”, “quase que”.
- Outras funções → substantivo (“um quê”, com artigo e acento) · advérbio (“Que lindo!”) · interrogativo (“Que você quer?”) · interjeição (“Quê?!”) · preposição (uso raro, expressões fixas).
- Passo a passo na prova → antecedente? → teste “o qual” → teste “isso” → teste da retirada → locução? → exclamação, pergunta ou artigo?
SAQ — perguntas e respostas rápidas
1. Como sei se o QUE é pronome relativo?
Ele retoma um termo anterior (o antecedente) e introduz uma oração que caracteriza esse termo. Confirme trocando por “o qual”: “o livro que li” vira “o livro o qual li”.
2. Como sei se o QUE é conjunção integrante?
Não há antecedente, e a oração introduzida por ele pode ser substituída por “isso”: “Espero que venha” vira “Espero isso”.
3. Qual é a diferença entre o QUE relativo e o QUE integrante?
O relativo tem antecedente e exerce função sintática dentro da subordinada; o integrante não tem antecedente nem função sintática — é só um elo que introduz uma oração substantiva.
4. Quando o QUE é partícula expletiva?
Quando pode ser retirado da frase sem mudar o sentido, servindo só para dar ênfase: “É ele que resolveu” vira “Ele resolveu”.
5. O que indica o QUE em “mais alto que o irmão” e em “tão cansado que dormiu”?
No primeiro, comparação (conjunção comparativa, depois de “mais”). No segundo, consequência (conjunção consecutiva, na estrutura “tão… que”).
6. Por que “um quê de mistério” leva acento?
Porque ali o QUE funciona como substantivo (precedido de artigo), é palavra tônica e, como substantivo, escreve-se “quê”, com acento circunflexo.
7. Como descubro a função sintática do QUE relativo?
Substituindo-o pelo antecedente dentro da subordinada: em “o livro que comprei”, “que” vale por “o livro”, objeto direto de “comprei”. Para treinar, revise as classes gramaticais e as funções sintáticas.
Questões comentadas
As questões abaixo são originais, criadas no estilo do ENEM para treino, e não reproduzem nenhuma prova real.
Questão 1. Leia: “Os professores avisaram que a revisão que estava marcada para sexta foi adiada.” Nesse período, os dois QUEs exercem, respectivamente, as funções de:
a) pronome relativo e conjunção integrante.
b) conjunção integrante e pronome relativo.
c) partícula expletiva e pronome relativo.
d) conjunção integrante e partícula expletiva.
e) pronome relativo e pronome relativo.
Gabarito: B. O primeiro QUE introduz a oração “que a revisão… foi adiada”, objeto direto de “avisaram” e trocável por “isso” (“avisaram isso”) — é conjunção integrante. O segundo QUE retoma “revisão” e pode virar “o qual” — é pronome relativo, com função de sujeito (a revisão estava marcada). A inverte as funções; C e D erram ao chamar o primeiro QUE de expletivo, pois retirá-lo destruiria a frase; E erra porque o primeiro QUE não tem antecedente.
Questão 2. Assinale a frase em que o QUE é partícula expletiva:
a) O filme que assisti ontem ganhou um prêmio.
b) Quero que você revise este capítulo hoje.
c) Foi ela que organizou todo o simulado.
d) A aluna de que falei passou em medicina.
e) Estudou tanto que passou em primeiro lugar.
Gabarito: C. Em “Foi ela que organizou”, o QUE só realça o sujeito: sem o bloco “foi… que”, temos “Ela organizou todo o simulado”, com o mesmo sentido. Em A, o QUE retoma “filme” (relativo). Em B, introduz oração substantiva trocável por “isso” (integrante). Em D, retoma “aluna” com a preposição exigida por “falar de” (relativo). Em E, faz parte da estrutura consecutiva “tanto… que”.
Questão 3. Em “O tema sobre o qual discutimos na aula é atualíssimo”, o QUE é pronome relativo. Sua função sintática dentro da oração subordinada é:
a) sujeito.
b) objeto direto.
c) objeto indireto.
d) adjunto adverbial.
e) adjunto adnominal.
Gabarito: C. Substituindo o relativo pelo antecedente, temos “discutimos sobre o tema”: “discutir” é transitivo indireto com a preposição “sobre”, e “sobre o tema” é objeto indireto. A erra porque o sujeito da subordinada é “nós” (oculto). B erra porque não há objeto direto sem preposição. D erra porque não há circunstância de lugar, tempo ou modo. E erra porque não há relação de posse.
Questão 4. Leia: “Era tão grande o medo que nem conseguiu entrar na sala.” A oração introduzida por QUE é subordinada adverbial:
a) causal.
b) comparativa.
c) consecutiva.
d) final.
e) temporal.
Gabarito: C. A estrutura “tão… que” expressa consequência: o medo era tão grande que, como resultado, ele nem conseguiu entrar — o padrão da consecutiva, com intensificador na principal e resultado na subordinada. A erra porque não há causa, mas resultado. B erra porque não há comparação. D erra porque não há finalidade. E erra porque não há indicação de tempo.
Questão 5. Assinale a alternativa em que o QUE tem valor de substantivo:
a) Que horas são?
b) Há um quê de exagero nessa crítica.
c) Que bela redação você escreveu!
d) Não sei o que responder.
e) Quê?! Você vai desistir agora?
Gabarito: B. Em “um quê de exagero”, o QUE vem precedido de artigo, funciona como nome e por isso recebe acento circunflexo. Em A, é pronome interrogativo adjetivo, acompanhando “horas”. Em C, é advérbio de intensidade (“quão bela”). Em D, é pronome interrogativo em interrogativa indireta. Em E, é interjeição, expressando surpresa.
Questão 6. Observe: “Os candidatos, que estudaram o ano inteiro, foram aprovados.” Sobre a oração destacada, é correto afirmar que:
a) é restritiva, pois vem entre vírgulas.
b) é explicativa, e sua retirada não altera a informação principal.
c) é substantiva, pois funciona como sujeito.
d) é adverbial causal, pois explica o motivo da aprovação.
e) é restritiva, pois delimita quais candidatos foram aprovados.
Gabarito: B. As vírgulas indicam que a oração só acrescenta uma informação sobre candidatos já identificados: todos foram aprovados, e o estudo é um detalhe. Sem ela, “Os candidatos foram aprovados” mantém a informação principal — marca da explicativa. A erra porque restritiva não leva vírgula. C erra porque a oração caracteriza um nome, não é sujeito. D erra porque não há causa, e sim caracterização. E erra porque, sendo explicativa, ela não delimita o grupo.
Dica do professor
Na hora da prova, não comece classificando: comece testando. Tente trocar o QUE por “o qual”; depois, tente trocar a oração inteira por “isso”; depois, tente apagar o QUE. Um desses três testes quase sempre resolve a questão em segundos. E atenção ao entorno: palavras como “mais”, “tão”, “tanto”, “para”, “assim”, “desde”, “ainda” e “mesmo” grudadas no QUE quase sempre formam locuções conjuntivas — classifique a locução, não o QUE sozinho. Para treinar, pegue um parágrafo de jornal, circule todos os QUEs e classifique um por um.
Atenção/cuidado
Os erros mais comuns com o QUE são: confundir pronome relativo com conjunção integrante (relativo tem antecedente; integrante não tem); esquecer a preposição antes do relativo quando o verbo exige (“a cidade de que me lembro”, nunca “a cidade que me lembro”); trocar restritiva por explicativa por causa da vírgula (sem vírgula, restringe; com vírgula, explica); e achar que todo QUE depois de “tão” é comparativo — “tão… que” com consequência é consecutivo. Outro cuidado: “onde” só retoma lugar; para tempo, use “em que” (“a época em que vivi”). E nunca escreva “o aluno cujo a redação”: “cujo” dispensa o artigo.
Conexão com outras áreas
O QUE conecta a gramática à interpretação de texto: entender se uma oração é restritiva ou explicativa muda o sentido do que se lê — e muitas questões de compreensão dependem disso. Na redação, dominar o QUE evita erros de regência e de pontuação que custam pontos na norma culta. Na literatura, poetas e cronistas exploram o QUE expletivo e o interrogativo para criar ênfase e ritmo. E na argumentação, as locuções com QUE (causais, consecutivas, concessivas, condicionais) organizam causas, consequências e concessões — as relações que estruturam um bom argumento.
Incidência
Incidência: Morno — o QUE aparece com frequência no ENEM e nos vestibulares, sobretudo em questões de morfologia e de sintaxe do período composto, e costuma vir disfarçado: a questão pergunta pela classificação de uma oração ou pela função de um termo, e a resposta depende de identificar o QUE. Vale revisar junto as orações adjetivas, as orações substantivas e as orações adverbiais.



