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Romantismo no Brasil

Romantismo no Brasil: contextos e expressões

Por prof. Hildalene Pinheiro

CONTEXTO HISTÓRICO

– A chegada da Família Real ao Brasil, em 1808, fez a cultura se desenvolver no Rio de Janeiro.
– A Independência do Brasil, em 1822, conectou nosso país aos acontecimentos políticos das demais colônias
americanas.
– o Brasil era um país essencialmente agrário,dependente do trabalho escravo.
– Os folhetins, publicados nos jornais, atraíam um pequeno público leitor.
– Como muitas pessoas gostavam de acompanhar as histórias, mas não sabiam ler, era costume, nas casas de família, a realização de reuniões periódicas em que alguém lia em voz alta os capítulos dos folhetins.

O Romantismo no Brasil iniciou em 1836 com as obras Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães, e se estendeu até 1881 com o surgimento de uma literatura inédita, Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Dentro desses 45 anos de produção o nosso romantismo literário pode ser compreendido em duas vertentes: POESIA e PROSA.

POESIA ROMÂNTICA BRASILEIRA

1ª geração: Nacionalista/indianista
2ª geração: Byroniana/ultrarromântica
3ª geração: Condoreira/Social

PROSA ROMÂNTICA BRASILEIRA

Romance Indianista, Urbano, Regionalista e Histórico.

ROMANTISMO NO BRASIL

• A poesia foi inicialmente marcada pelo sendo nacionalista e pelo patriotismo, a chamada AFIRMAÇÃO NACIONAL, a qual caracterizava uma tentativa de compreender o que era ser brasileiro. 
• “Tudo pelo Brasil e para o Brasil” a frase marca a publicação de Nitheroy, revista brasiliense:sciencias, letras e arte. Publicada em 1836, em Paris, por iniciativa de Araújo Porto-Alegre, Torres Homem, Pereira da Silva e Gonçalves de Magalhães, a revista se torna uma espécie de porta-voz das novas ideias românticas no Brasil. 
• 1836, Gonçalves de Magalhães publica Suspiros poéticos e Saudades, que se torna importante pelo seu prólogo, o primeiro Manifesto do Romantismo no Brasil.
• Em 1846, Gonçalves Dias publica PRIMEIROS CANTOS, consolidando o Romantismo no Brasil,principalmente na vertente 

A PRIMEIRA GERAÇÃO: NACIONALISTA-INDIANISTA – 1836

• O foco temático dessa geração é o saudosismo, o nacionalismo exaltado e o indianismo, às vezes abordando também o sentimentalismo e a religiosidade. O indígena é exaltado como herói nacional, numa alusão ao cavaleiro medieval europeu, personificando os valores de coragem, valentia e lealdade.
• ANTONIO GONÇALVES DIAS: Nasceu em Caxias, MA, no dia 10 de agosto de 1823 e morreu no litoral maranhense em 3 de
novembro de 1864. Foi casado com Olímpia Carolina da Costa. Entre suas principais obras, pode-se citar:
• Primeiros Cantos: foca na idealização do amor e da pátria.Dessa forma, o autor utiliza-se do culto ao “bom selvagem” e
cria um índio pelos padrões europeus. É nessa publicação que se encontra o poema Canção do Exílio e I Juca Pirama.

O Indianismo promovia o índio à figura de HERÓI NACIONAL, sob o estigma do cavaleiro medieval: com honras, brios, força física, aparência atlética e fiel ao senhor. Porém desprezava a verdadeira cultura do índio brasileiro, principalmente sua língua, fatos estes não esquecidos na poesia de Gonçalves Dias.

I JUCA-PIRAMA – CANTO IV

“Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi: Sou filho das selvas, Nas selvas cresci; Guerreiros, descendo Da tribo tupi. … Sou bravo, sou forte, Sou filho do Norte; Meu canto de morte, Guerreiros, ouvi. Já vi cruas brigas, De tribos imigas, E as duras fadigas Da guerra provei; … Vi lutas de bravos, Vi fortes – escravos! De estranhos ignavos Calcados aos pés. … Meu pai a meu lado Já cego e quebrado, De penas ralado, Firmava-se em mi: Nós ambos, mesquinhos, Por ínvios caminhos, Cobertos d’espinhos Chegamos aqui! O velho no entanto Sofrendo já tanto De fome e quebranto, Só qu’ria morrer!… Então, forasteiro, Caí prisioneiro De um troço guerreiro Com que me encontrei: … Eu era o seu guia Na noite sombria, A só alegria Que Deus lhe deixou: Em mim se apoiava, Em mim se firmava, Em mim descansava, Que filho lhe sou. Ao velho coitado De penas ralado, Já cego e quebrado, Que resta? – Morrer. Enquanto descreve O giro tão breve Da vida que teve, Deixai-me viver!”

I JUCA – PIRAMA – CANTO VIII

Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende
o cobarde do forte
;
Pois choraste, meu filho não és!
Possas tu, descendente maldito
De uma tribo de nobres guerreiros,
Implorando cruéis forasteiros,
Seres presa de vis Aimorés
.
Possas tu, isolado na terra,
Sem arrimo
e sem pátria vagando,
Rejeitado da morte na guerra,
Rejeitado dos homens na paz,
Ser das gentes
o espectro execrado
;
Não encontre amor nas mulheres,
Teus amigos, se amigo tiveres,
Tenham alma inconstante
e falaz!
Não encontre doçura no dia,
Nem as cores da aurora te ameiguem,
E entre as larvas da noite sombria
Nunca possas descanso gozar:
Não encontres um tronco, uma pedra,
Posta ao sol, posta às chuvas e aos ventos,
Padecendo os maiores tormentos,
Onde possas a fronte pousar.

Um amigo não tenhas piedoso
Que o teu corpo na terra embalsame,
Pondo em vaso d’argila cuidoso
Arco e frecha e tacape a teus pés!
Sê maldito, e sozinho na terra;
Pois que a tanta vileza chegaste,
Que em presença da morte choraste,
Tu, cobarde, meu filho não és

2ª GERAÇÃO: ULTRA -ROMÂNTICA/ MAL-DO-SÉCULO/BYRONIANA 

• Deu-se a parir de 1853 com a publicação de LIRA DOS VINTE ANOS, de Álvares de Azevedo
• Marcada pelo pessimismo doentio,a angústia diante da vida,a solidão, ironia e a iminência da morte (morbidez), influenciados pela poesia de Lord Byron, esses poetas oscilavam entre a ingenuidade e o satanismo.Ariel e Caliban.
• Participaram desse movimento, além de Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varella e Junqueira Freire .

Álvares de Azevedo 

Álvares de Azevedo (1831-1852) foi um poeta, escritor e contista, da Segunda Geração Romântica brasileira. Suas poesias
retratam o seu mundo interior. É conhecido como “o poeta da dúvida”. Faz parte dos poetas que deixaram em segundo plano, os temas nacionalistas e indianistas, usados na Primeira Geração Romântica, e mergulharam fundo em seu mundo interior.É Patrono da cadeira n.º 2, da Academia Brasileira de Letras.

IDEIAS ÍNTIMAS

Ossian o bardo é triste como a sombra
Que seus cantos povoa. O Lamartine
É monótono e belo como a noite,
Como a lua no mar e o som das ondas
Mas pranteia uma eterna monodia,
Tem na lira do gênio uma só corda,
Fibra de amor e Deus que um sopro agita:
Se desmaia de amor a Deus se volta,
Se pranteia por Deus de amor suspira.
Basta de Shakespeare. 
Vem tu agora,
Fantástico alemão, poeta ardente
Que ilumina o clarão das gotas pálidas
 Do nobre Johannisberg! Nos teus romances
Meu coração deleita-se. . . Contudo
Parece-me que vou perdendo o gosto,
Vou ficando blasé, passeio os dias Pelo meu corredor, sem companheiro,
Sem ler, nem poetar. Vivo fumando.
Minha casa não tem menores névoas
Que as deste céu d’inverno. . . Solitário
Passo as noites aqui e os dias longos;
Dei-me agora ao charuto em corpo e alma;
Debalde ali de um canto um beijo implora,
Como a beleza que o Sultão despreza,
Meu cachimbo alemão abandonado!
Não passeio a cavalo e não namoro;
Odeio o lansquenê. . . Palavra d’honra:
Se assim me continuam por dois meses
Os diabos azuis nos frouxos membros, Dou na Praia Vermelha ou no Parnaso.

Álvares de Azevedo 

SONETO

Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!
Era a mais bela! Seio palpitando…
Negros olhos as pálpebras abrindo…
Formas nuas no leito resvalando…
Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!
Álvares de Azevedo
SE EU MORRESSE AMANHÃ
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória pressinto em meu futuro!
Que aurora de porvir e que amanhã!
Eu perdera chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! que céu azul! que doce n’alva
Acorda a natureza mais louçã!
Não me batera tanto amor no peito
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
A ânsia de glória, o doloroso afã…
A dor no peito emudecera ao menos
Se eu morresse amanhã!

3ª GERAÇÃO: CONDOREIRA/HUGOANA/POESIA SOCIAL

Deu-se a partir de 1871, com a publicação de ESPUMAS FLUTUANTES, de Castro Alves, que foi um divisor de águas entre a poesia extremamente romântica, da 2ª geração,e poemas voltados mais para o contexto social e político do período, como a ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA e a REPÚBLICA.

Os principais nomes dessa geração são CASTRO ALVES, o Poeta dos Escravos, Sousândrade e Tobias Barreto.

Os temas amorosos, também tratados por esses poetas, eram menos idealizados e as mulheres mais carnais.

Essa geração representa uma transição para o Real.

Antônio Frederico de Castro Alves

Castro Alves (1847-1871) nasceu em Curralinho, atual Castro Alves, Bahia, em 14 de março de 1847. Filho de Antônio José Alves, médico e também professor, e de Clélia Brasília da Silva Castro, filha de coronel. Faleceu em Salvador, no dia 6 de julho de 1871, vitimado pela tuberculose,com apenas 24 anos de idade.

Foi um poeta brasileiro, representante da Terceira Geração Romântica no Brasil. O Poeta dos Escravos expressou em suas poesias a indignação aos graves problemas sociais de seu tempo.
 
É patrono da cadeira nº 7 da Academia Brasileira de Letras.

Características da Obra de Castro Alves

Castro Alves é a maior figura do Romantismo. Desenvolveu uma poesia sensível aos problemas sociais de seu tempo e defendeu as grandes causas da liberdade e da justiça.
Denunciou a crueldade da escravidão e clamou pela liberdade,dando ao romantismo um sentido social e revolucionário que o aproximava do Realismo. Sua poesia era como um grito explosivo a favor dos negros, sendo por isso denominado “O Poeta dos Escravos”. 

Sua poesia é classificada como “Poesia Social”, que aborda o tema do inconformismo e da abolição da escravatura, através da inspiração épica e da linguagem ousada e dramática como nos poemas: Vozes d’África e Navios Negreiros, da obra Os Escravos (1883), que ficou inacabada.

Embora Castro Alves tivesse cmo temsa central da sua obra a escravidão, o poeta escrevia também poemas líricos, inspirados na figura feminina de uma maneira diferente daquelas dos poetas da segunda geração. A mulher perde o status de inatingível e torna-se concreta, estando,eventualmente, ao alcance do eu lírico, como se observa no poema a seguir.

Boa-noite

Boa noite, Maria! Eu vou-me embora.
A lua nas janelas bate em cheio…
Boa noite, Maria! É tarde… é tarde…
Não me apertes assim contra teu seio.
Boa noite!… E tu dizes – Boa noite.
Mas não digas assim por entre beijos…
Mas não me digas descobrindo o peito,
– Mar de amor onde vagam meus desejos.
Julieta do céu! Ouve.. a calhandra
já rumoreja o canto da matina.
Tu dizes que eu menti?… pois foi mentira…
…Quem cantou foi teu hálito, divina!
É noite ainda! Brilha na cambraia
– Desmanchado o roupão, a espádua nua –
o globo de teu peito entre os arminhos
Como entre as névoas se balouça a lua…
Mulher do meu amor! Quando aos meus beijos
Treme tua alma, como a lira ao vento,
Das teclas de teu seio que harmonias,
Que escalas de suspiros, bebo atento!
Ai! Canta a cavatina do delírio,
Ri, suspira, soluça, anseia e chora…
Marion! Marion!… É noite ainda.
Que importa os raios de uma nova aurora?!…
Como um negro e sombrio firmamento,
Sobre mim desenrola teu cabelo…
E deixa-me dormir balbuciando:
– Boa noite! –, formosa Consuelo…
Era um sonho dantesco… o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros… estalar de açoite …
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar …
Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!
Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei -me vós, Senhor Deus!
Se é loucura… se é verdade
Tanto horror perante os céus?!
Ó mar, por que não apagas
Co’a esponja de tuas vagas
De teu manto este borrão?…
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão!

PROSA ROMÂNTICA NO BRASIL

Consideram-se dois marcos para o início dos romances românticos no Brasil.
O filho do pescador, de Teixeira e Sousa, teria sido o primeiro romance publicado, Porém a alta popularidade de “A Moreninha”, de Joaquim Manoel de Macedo, em 1844, faz o folhetim ser considerado o primeiro romance tipicamente brasileiro, pois traçou um perfil dos hábitos da juventude burguesa carioca.

As obras do século XIX, publicadas em forma de folhetins, abordavam a sociedade da época e os traços culturais, servindo
como fonte valiosa de informações para a compreensão da história da sociedade brasileira.

Além de Joaquim Manoel de Macedo, autores como José de Alencar, Álvares de Azevedo, Franklin Távora e Visconde de Taunay
também destacam-se como os principais autores da prosa romântica brasileira.

AS TENDÊNCIAS DOS ROMANCES ROMÂNTICOS BRASILEIROS

Por abordagem temática, ambientação ou temporização os romances podem ser classificados em:

1. ROMANCE URBANO – A vida social da época do segundo reinado é retratada e as tramas incluem intrigas amorosas, traições e situações cotidianas das pessoas que viviam na corte.

ROMANTISMO – PROSA REGIONALISTA

2. ROMANCE REGIONALISTA –

também foi uma forma de resgatar os costumes e a identidade nacional. Nesse tipo de prosa romântica, as histórias se passavam nas diversas regiões do país, na qual, características e costumes de cada região eram mostradas. Isso inclui também a linguagem regional.

AS TENDÊNCIAS DOS ROMANCES ROMÂNTICOS BRASILEIROS

3. ROMANCE INDIANISTA –

Apresenta a idealização do índio, visto como herói nacional. Destaca-se a trilogia de José de Alencar

AS TENDÊNCIAS DOS ROMANCES ROMÂNTICOS BRASILEIROS

4. ROMANCE HISTÓRICO –

Destaca a vida e os costumes de certa época e região da história, misturando fatos reais e fictícios.

Romance Indianista e Histórico 

O Romance Indianista busca na literatura romântica um herói nacional. O índio foi eleito para essa representatividade, considerando que o branco era tido como o colonizador europeu, e o negro, como escravo africano. Porém, não era o ÍNDIO REAL, mas aquele idealizado pelos autores, com CARÁTER DE CAVALEIRO MEDIEVAL.

O índio foi considerado o legítimo representante da América.

OBRAS: O Guarani (1857), Iracema (1865) e Ubirajara (1874) de José de Alencar; Os índios do
Jaguaribe (1862) de Franklin Távora. 

IRACEMA – CURTA

O GUARANI

Sinopse:

A história do amor proibido entre o índio Peri e a jovem branca Ceci. O relacionamento acaba se concretizando com o consentimento do pai da moça, o colonizador Dom Antônio, graças ao ataque dos índios Aimorés à fortaleza de sua família. É quando o fidalgo pede a Peri que salve sua filha.

Ficha Técnica:
País: Brasil
Gênero: Drama
Duração: 91 min.
Ano: 1996
Elenco: Márcio Garcia, Tatiana Issa, Glória Pires, …
Diretor: Norma Bengell

Onde encontrar o filme:

https://www.youtube.com/watch?v=_KhtgxYVEB0&feature=emb_logo

Principais Características

? Nacionalismo
? Estética nativista
? Exaltação da natureza
? Idealização do índio como figura nacional
? Temas históricos
? Resgate de lendas
? Contato do índio com o europeu colonizador

Além das características tradicionais e comuns a todos os romances folhetinescos no ROMANTISMO:

? Idealização do amor e da mulher
? Amor à primeira vista
? Empecilho amoroso: físico, social ou moral
? Sofrimento do casal – coita amorosa, remição do herói
? Peripécia
? Desfecho – feliz ou trágico 

Iracema Pintura José Maria De Medeiros 

TRECHO DO ROMANCE IRACEMA

Iracema inquieta veio pela várzea, seguindo o rasto do esposo até o tabuleiro. As sombras doces vestiam os campos quando ela chegou à beira do lago. 

Seus olhos viram a seta do esposo fincada no chão, o goiamum trespassado, o ramo partido, e encheram-se de pranto.

—Ele manda que Iracema ande para trás, como o goiamum, e guarde sua lembrança, como o maracujá guarda sua flor todo o tempo até morrer. 

A filha dos tabajaras retraiu os passos lentamente, sem volver o corpo, nem tirar os olhos da seta de seu esposo; depois tornou à cabana. Aí sentada à soleira, com a fronte nos joelhos esperou, até que o sono acalentou a dor em seu peito.

José de Alencar

Romance Urbano e Regionalista

LEMBRANDO: Prosa Romântica Brasileira

•Influenciada pelos folhetins franceses;
•Propagava os valores burgueses;
•Idealiza os heróis;
•Tinha as mulheres como público alvo;
•Visavam democratizar a leitura, tornar mais acessível. 

Romance urbano

•As histórias se passam no Rio de Janeiro, que é a capital e o centro urbano da época; ambiente: corte carioca;
•São representados os costumes da elite da época, da vida na corte e os hábitos dos burgueses, por isso também é chamado de romance de costumes, como: os saraus, o teatro, a ópera, as vestimentas
sofisticadas, o comportamento e os temas das conversas dos jovens – a exemplo da política;
• Amor idealizado e dramático, quase sempre com um final feliz 
•Divulgação em folhetins.

PRICIPAIS AUTORES: José de Alencar, Joaquim Manuel de Macêdo e Machado de Assis.

AUTORES E OBRAS

1. José de Alencar
• O escritor mais famoso dessa geração
• Apresenta algumas críticas, mas no final o amor sempre supera tudo
• Também escreveu histórias com mulheres fortes como protagonistas
• Sua principal obra foi a trilogia PERFIL DE MULHER: Lucíola, Diva e Senhora.

2. Joaquim Manuel de Macedo
• Sua escrita é marcada pela ingenuidade, bom humor e ausência de problematização
• Sua obra de maior sucesso foi: A moreninha.

3. Manuel Antônio de Almeida
•Retratava as camadas mais pobres da população
•Foi um marco no abandono da idealização ao escrever sobre a malandragem
•Sua única obra foi: Memórias de um sargento de milícias.

Desejava trazer alguma ideia boa para o nosso folhetim. Mas o senhor sabe o que é uma ideia; é a coisa mais bandoleira e mais volúvel que eu conheço. As ideias são as borboletas do espirito; são, como diz um proverbio oriental a respeito das mulheres, a sombra do nosso corpo que nos acompanha sempre, e que nos foge apenas as queremos apanhar.
[…]
A este pensamento eu acrescentaria que há mulheres que são verdadeiras rosas, e que por isso tem para aqueles que se chegam um perfume e um espinho ao mesmo tempo. […]
Creio que aqueles que dão ao cólera o gênero feminino têm alguma razão, por isso que os maiores
flagelos deste mundo, a guerra, a morte, a fome, a peste, a miséria, a doença, etc., são
representados por mulheres. E o que torna-se mais notável ainda é que os gregos, gente sempre
tida em conta de sábia, quando inventaram os seus deuses fizeram homens Apolo e Cupido, e para
as mulheres escolheram as Parcas, as Fúrias e as Harpias. Se as minhas amáveis leitoras não
gostaram desta razão, que acho muito natural, chamem as contas os pintores e poetas, que são os
autores de tudo isto.
[…]
Quanto a mim, não tenho culpa nenhuma das extravagâncias dos outros, e até estou pronto a admitir a opinião do meu colega A. Karr, que explica aquele fato pela razão de que as senhoras são extremas em tudo, tanto que as mais belas coisas deste mundo são também significadas por mulheres, assim como a beleza, a glória, a justiça, a caridade, a virtude e muitas outras que, como estas, não se encontram comumente pelo mundo, mas que existem no dicionário.
[…]
Por isso, podeis imaginar com que mau humor, e com que terrível disposição de espirito, me prepararei para receber a tal visita, que escolhera uma hora tão impropria, a menos que não fosse uma mulher bonita, para quem estou persuadido que não se inventaram os relógios.
[…]
A alma é mulher, e como tal padece do mal de Eva, da curiosidade;
por isso, apenas há o menor barulho nas ruas, faz o mesmo que
qualquer menina janeleira, atira a costura ao lado e corre à varanda.
[…](ALENCAR. Ao correr da pena.)

PERFIS DE MULHERES – TRILOGIA DE JOSÉ DE ALENCAR

SENHORA – 1875
Foi adaptada para a TV com o título de ESSAS MULHERES, da Record, em 2005.

Autor: José de Alencar 

O PREÇO: 

Aurélia Camargo é a jovem solteira mais rica do Rio de Janeiro. Decide casar-se com
Fernando Seixas e manda seu tutor e tio, Lemos, negociar o casamento. O pretendente aceita o dote de cem contos de réis.
Após o casamento, Aurélia revela que o enlace era parte de sua vingança pelo que houve no passado.

POSSE: 

Aurélia e Seixas vivem um casamento de aparências, humilhações e brigas. Aurélia o faz cumprir apenas as funções sociais de marido e relembra sempre de que é sua SENHORA, uma vez que o “comprou”. Fernando está insatisfeito. QUITAÇÃO: Aurélia revive o passado, justifica a Seixas porque “o comprou”, quando havia tantos no mercado. Antes, ambicioso rapaz a pedira em
casamento. Mas a deixou para se casar com Adelaide Amaral por conta do dote de trinta contos e uma vida de confortos. A
narrativa volta ao momento das núpcias e do acerto de contas. 

O RESGATE: 

Os caprichos de Aurélia se intensificam; cada vez mais ferina, possessiva e vingativa. Seixas consegue o dinheiro que recebeu de dote e o devolve. Pede divórcio.Aurélia entrega-lhe toda sua fortuna. E foram felizes para sempre.

Romance regionalista

• Cor local: apresentação das características de uma região específica;
• Dessa vez o sertanejo é visto como o símbolo nacional;
• As histórias se passam na zona rural e tem a paisagem eos costumes do interior idealizados e exaltados;
• Personagens estereotipados: herói, mocinha, padre,coronel, beata, etc.
• É claro a oposição entre a sociedade rural e seus costumes e os costumes das Corte;
• Divulgação em folhetins.

PRICIPAIS AUTORES: José de Alencar, Bernardo Guimarães,Visconde de Taunay e Franklin Távora.

AUTORES E OBRAS

1.José de Alencar

• Foi criticado por apresentar personagens pouco particularizados; generalizados 
• Os homens sempre eram destacados e as mulheres submissas
• O gaúcho: livro com referências históricas
• O sertanejo: presença da vassalagem amorosa; o protagonista quer apenas proteger a personagem
feminina
•Til: é uma exceção, pois mostra uma protagonista mulher que é forte e corajosa
•Pata da gazela: livro menos famoso.

2. Visconde de Taunay

•Tinha conhecimento real da região sobre a qual escrevia
• Inocência: considerado o Romeu e Julieta do sertão; critica o patriarcalismo (homem é o chefe da
família e as mulheres são submissas); demonstra o choque entre os costumes das pessoas da cidade e
das do interior.

3. Bernardo Guimarães

•Repetição de clichês
•A escrava Isaura: grande sucesso de público
•O seminarista: crítica ao patriarcalismo e ao celibato (estado de solidão espontânea)

INOCÊNCIA – VISCONDE DE TAUNAY

Inocência é um marco do Romantismo e também um dos melhores exemplos de literatura regionalista, revelando detalhadamente a vida sertaneja do interior do Mato Grosso na metade do século passado.

Fiel à tendência romântica, o romance possui no seu núcleo uma história de amor impossível: a jovem cabocla Inocência está
prometida por seu pai ao rude sertanejo Manecão, mas apaixona-se pelo forasteiro Cirino, gerando uma série de conflitos devido ao rigoroso código de honra da época.

O SEMINARISTA – BERNARDO GUIMARÃES
A obra é caracterizada como romance de tese, nela Bernardo Guimarães analisa e critica a imposição da vocação religiosa e o
autoritarismo familiar. O Seminarista narra o drama de Eugênio e Margarida que, na infância passada no sertão mineiro, estabelecem uma amizade que logo vira paixão. O pai de Eugênio, indiferente aos sentimentos do filho, obriga-o a ir para um seminário. Dilacerado entre o amor e a religiosidade, Eugênio segue para o mosteiro.

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