Sala de estudos

Romantismo: segunda geração: o que cai no ENEM e nos vestibulares

A segunda geração do Romantismo é a do mal do século: jovens poetas pessimistas que cantam a morte e o amor impossível. Entenda Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu e Fagundes Varela.

Jovem poeta romântico em desenho animado, de cabelos escuros e ar melancólico, escrevendo versos à luz de uma vela em um quarto escuro, com a lua cheia e nuvens escuras pela janela.
Jovem poeta romântico em desenho animado, de cabelos escuros e ar melancólico, escrevendo versos à luz de uma vela em um quarto escuro, com a lua cheia e nuvens escuras pela janela.
Direto ao assunto
  1. Resumo rápido
  2. O que é a segunda geração do Romantismo?
  3. Contexto histórico: por que tanto pessimismo?
  4. Características da poesia ultrarromântica
  5. Primeira geração x segunda geração: a diferença que cai na prova
  6. Álvares de Azevedo: o maior nome do ultrarromantismo
  7. Casimiro de Abreu: a saudade da infância
  8. Fagundes Varela: entre o pessimismo e o social
  9. Influências europeias: Byron, Musset e Werther
  10. Linguagem, forma e recursos poéticos
  11. O que cai no ENEM e nos vestibulares
  12. Como reconhecer um poema ultrarromântico em segundos
  13. Mapa mental
  14. SAQ — Perguntas curtas com respostas
  15. Questões comentadas (originais, estilo ENEM)
  16. Dica do professor
  17. Atenção/cuidado
  18. Conexão com outras áreas
  19. Leia também
  20. Incidência

Resumo rápido

A segunda geração do Romantismo brasileiro, também chamada de ultrarromantismo ou geração do mal do século, é a fase mais pessimista e sombria do nosso Romantismo. Ela floresce aproximadamente entre 1853 e 1869, depois da primeira geração nacionalista e indianista, e antes da terceira geração, social e abolicionista. Seus poetas são quase todos muito jovens — muitos morreram antes dos 25 anos — e escrevem sobre aquilo que sentiam de forma intensa: a melancolia, o tédio, o amor que não se realiza, o desejo de fugir do mundo e a obsessão pela morte.

O nome “mal do século” resume bem o espírito do grupo. Era como se uma geração inteira sofresse de uma doença da alma: um sentimento de vazio, de desilusão e de inadequação ao mundo. Os ultrarromânticos não se reconheciam na sociedade em que viviam, não encontravam lugar para seus sonhos e transformavam essa frustração em poesia. Daí vêm as imagens que mais aparecem nesses poemas: a noite, a lua, o cemitério, o túmulo, a virgem pálida, a lágrima, o tédio e a morte, vista não como algo assustador, mas como descanso, como libertação e até como uma espécie de noiva.

O maior nome dessa geração é Álvares de Azevedo, autor de Lira dos Vinte Anos e Noite na Taverna. Ao lado dele estão Casimiro de Abreu, o poeta da saudade da infância e autor de Meus Oito Anos, e Fagundes Varela, que mistura o pessimismo ultrarromântico com temas sociais e com a dor pessoal. As influências vêm da Europa: o inglês Lord Byron, com seu herói rebelde e melancólico, o francês Alfred de Musset e o alemão Goethe, com o jovem Werther, que sofre por um amor impossível.

Para a prova, guarde esta ideia central: enquanto a primeira geração romântica olhava para fora — para a nação, para o índio, para a natureza brasileira —, a segunda geração olha para dentro — para o eu, para o sofrimento, para a morte. É o egocentrismo levado ao extremo. E, ao contrário do que muita gente pensa, o ultrarromantismo não é só “poesia triste”: ele tem também ironia, humor negro e uma rebeldia contra as convenções, sobretudo em Álvares de Azevedo, que alterna poemas de amor puro com poemas sarcásticos e boêmios. Essa oscilação tem até nome na teoria dele: a binomia, a convivência de dois lados opostos dentro da mesma obra.

Nesta matéria, você vai entender o contexto histórico dessa geração, suas características, seus principais autores e obras, a diferença clara para a primeira geração, o que o ENEM e os vestibulares mais cobram e como reconhecer um poema ultrarromântico em questão de segundos. No fim, há um mapa mental, perguntas curtas com respostas (SAQ) e questões comentadas originais, no estilo do ENEM, para você treinar de verdade.

O que é a segunda geração do Romantismo?

O Romantismo brasileiro costuma ser dividido em três gerações. A primeira, de 1836 a 1852, é nacionalista e indianista: Gonçalves Dias, com I-Juca-Pirama e Canção do Exílio, transforma o índio em herói nacional e exalta a natureza do Brasil. A segunda, de 1853 a 1869, é a ultrarromântica, voltada para o eu. A terceira, de 1870 a 1881, é social e condoreira: Castro Alves usa a poesia como arma contra a escravidão e em defesa da liberdade. Saber essa divisão já resolve boa parte das questões de literatura, porque a banca quase sempre quer que você identifique a geração pelo tema do poema.

A palavra “ultra” já entrega o sentido: é um romantismo levado ao extremo, além do limite. Se o Romantismo em geral já valorizava o sentimento acima da razão, o eu acima do mundo e a imaginação acima das regras, o ultrarromantismo exagera tudo isso. O sentimento vira sofrimento constante, o eu vira egocentrismo absoluto e a imaginação vira fuga completa da realidade. O poeta não quer mais descrever o Brasil: ele quer descrever a própria dor. E, muitas vezes, ele quer morrer — pelo menos no poema.

É importante entender que essa poesia não nasceu do nada. Ela é filha de um momento histórico específico. Na Europa, depois das revoluções e das guerras napoleônicas, muitos jovens se sentiram órfãos de grandes causas: as promessas de liberdade e de mudança pareciam ter fracassado, e restava um sentimento de vazio. O escritor francês François-René de Chateaubriand chamou isso de “vague des passions”, uma espécie de vazio das paixões. No Brasil, os jovens poetas — estudantes de Direito em São Paulo, muitos deles — liam esses autores europeus, viviam uma vida boêmia e sentiam um descompasso parecido: sonhavam com uma vida intensa, mas encontravam uma sociedade escravocrata, conservadora e provinciana, que não tinha lugar para seus ideais.

Outro ponto ajuda a entender o grupo: a juventude dos autores. Álvares de Azevedo morreu aos 20 anos, em 1852, de tuberculose, depois de sofrer um acidente e uma cirurgia malfeita. Casimiro de Abreu morreu aos 21 anos, também de tuberculose. Fagundes Varela viveu um pouco mais, até os 34 anos, mas perdeu um filho pequeno, o que marcou sua poesia. Não é coincidência que a morte apareça tanto nesses poemas: ela era uma presença real e próxima na vida desses jovens, numa época sem antibióticos, em que a tuberculose — a “doença romântica” — matava muita gente jovem. A poesia transformou essa realidade em tema, em imagem e em obsessão.

Contexto histórico: por que tanto pessimismo?

Para entender o mal do século, é preciso olhar para o Brasil do Segundo Reinado. O país vivia sob o governo de Dom Pedro II, com uma economia baseada no café e no trabalho escravizado, com uma política dominada por poucos grupos e com pouca mobilidade social. Os estudantes de Direito da Faculdade de São Paulo — onde Álvares de Azevedo estudou — eram, em geral, filhos da elite, mas se sentiam sufocados pelas convenções: a família esperava que seguissem carreira, casassem, entrassem para a política, enquanto eles sonhavam com a arte, com a liberdade e com amores intensos. Esse choque entre o sonho e a realidade é o motor do ultrarromantismo.

Na Europa, o modelo era o chamado “herói byroniano”, criado pelo poeta inglês Lord Byron. Esse herói é um jovem belo, inteligente, rebelde e melancólico, que desafia as convenções sociais, que sofre por um amor ou por uma culpa do passado e que prefere a morte ou o exílio à vida comum. Álvares de Azevedo leu Byron com paixão e o transformou em referência. O próprio Byron morreu jovem, aos 36 anos, lutando pela independência da Grécia, o que só aumentou sua lenda. Quando você lê um poema ultrarromântico e encontra um eu lírico que se apresenta como incompreendido, rebelde e condenado, está diante desse modelo.

Outro modelo fundamental é o do alemão Johann Wolfgang von Goethe, em Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774). Werther é um jovem que se apaixona por Carlota, já comprometida com outro homem, e, incapaz de suportar esse amor impossível, tira a própria vida. O livro provocou uma onda de identificação em toda a Europa — jovens passaram a se vestir como Werther e a imitar seu comportamento — e se tornou o arquétipo do amor impossível que mata. No Brasil, essa ideia aparece o tempo todo: o poeta ama uma mulher idealizada, pura, distante, que ele nunca alcança, e transforma esse amor em sofrimento e em poesia.

Já o francês Alfred de Musset, outro nome citado sempre ao lado de Byron, representa o poeta que vive intensamente e sofre intensamente, misturando amor, tédio e ironia. A influência francesa chega também por meio de poetas como Lamartine e Victor Hugo, lidos e traduzidos pelos brasileiros. O resultado é uma poesia que combina referências europeias com sentimentos pessoais, sem a preocupação nacionalista da geração anterior. O ultrarromântico não está preocupado em construir a identidade do Brasil: ele está preocupado em expressar a própria alma.

Vale lembrar ainda o ambiente estudantil. A Faculdade de Direito de São Paulo, no Largo de São Francisco, era um centro de vida boêmia: repúblicas de estudantes, noites em tavernas, discussões literárias, amores passageiros e dívidas. Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo, nasce exatamente desse ambiente: jovens reunidos numa taverna, bebendo e contando histórias escandalosas de amor, crime e morte. Essa boemia não é só cenário: ela é parte da atitude ultrarromântica, que desafia a moral burguesa e celebra a vida intensa, mesmo que ela leve à destruição.

Características da poesia ultrarromântica

As características da segunda geração aparecem com tanta regularidade que é possível montar uma espécie de “checklist” para identificar o poema na prova. Veja as principais, com exemplos de como elas se manifestam:

1. Egocentrismo e subjetivismo extremo

Tudo gira em torno do eu. O poeta fala de si, de seus sentimentos, de suas dores, como se o mundo existisse apenas para refletir o que ele sente. A natureza, quando aparece, não é descrita por si mesma, mas como espelho do estado de espírito do poeta: se ele está triste, a noite é escura e a lua é pálida; se ele está apaixonado, o jardim floresce. Esse é o chamado subjetivismo: o mundo exterior é filtrado pelo sentimento interior.

2. Pessimismo, melancolia e tédio

O tom dominante é o da tristeza sem motivo aparente — ou com motivo vago. O poeta se diz cansado da vida, entediado, desiludido, mesmo sendo jovem. O tédio romântico, chamado de spleen pelos ingleses e de ennui pelos franceses, é um sentimento de vazio diante de um mundo que parece não oferecer nada de novo. É diferente da tristeza por um fato concreto: é uma tristeza existencial, um “não sei por que estou triste, mas estou”.

3. Obsessão pela morte e pelo noturno

A morte é o tema mais marcante da geração. Ela aparece como desejo, como descanso, como libertação do sofrimento e, muitas vezes, como figura feminina: a morte é uma noiva pálida, uma virgem fria que espera o poeta. O cenário favorito é o noturno: a noite, a lua, o cemitério, o túmulo, o cadáver, a caveira. Não se trata de terror gratuito, mas de uma identificação: o poeta se sente mais à vontade entre os mortos do que entre os vivos, porque os mortos não o decepcionam.

4. Amor idealizado e impossível

A mulher amada é idealizada até perder qualquer traço real. Ela é pura, pálida, etérea, quase um anjo, uma virgem intocável. O poeta a contempla de longe, sonha com ela, escreve versos para ela, mas não a alcança — e, no fundo, não quer alcançá-la, porque a realização destruiria o ideal. É o amor platônico levado ao extremo: amar é sofrer, e sofrer é provar que o amor é verdadeiro. Quando o amor se realiza, na poesia ultrarromântica, ele quase sempre termina em morte, em separação ou em desilusão.

5. Fuga da realidade e escapismo

Como o mundo real decepciona, o poeta foge: para o sonho, para a imaginação, para a noite, para o álcool, para a morte. O sonho é um refúgio tão importante que muitos poemas se passam inteiramente nele. Em Álvares de Azevedo, o sonho é o lugar onde o amor impossível se realiza — e, por isso mesmo, o despertar é sempre doloroso. A fuga também aparece na forma de exotismo e de passado idealizado, mas, na segunda geração, a fuga principal é para dentro de si mesmo.

6. Ironia, sarcasmo e humor negro

Este é o traço que mais surpreende quem só conhece o lado triste do ultrarromantismo. Sobretudo em Álvares de Azevedo, há poemas irônicos, sarcásticos e até debochados, que riem da própria melancolia, das convenções sociais e do sentimentalismo. É a chamada “segunda parte” da Lira dos Vinte Anos, com poemas como “Namoro a cavalo”, em que o poeta brinca com a situação amorosa. Essa ironia mostra que o ultrarromântico não é apenas um sofredor passivo: ele também é um crítico, que usa o humor para desafiar a moral da época.

7. Religiosidade em crise e satanismo literário

Muitos poemas ultrarromânticos colocam em questão a religião tradicional. O poeta ora, mas duvida; invoca Deus, mas se sente abandonado; ou, ao contrário, celebra figuras rebeldes como Satã, visto como símbolo da rebeldia contra a ordem estabelecida. Esse “satanismo” é literário, não religioso: é uma pose, uma forma de chocar a sociedade conservadora e de afirmar a liberdade do artista. Em Noite na Taverna, os personagens desafiam abertamente a moral cristã, com histórias de crimes e amores proibidos.

Se você precisa memorizar só cinco palavras para a prova, memorize estas: egocentrismo, pessimismo, morte, amor impossível e fuga. Com elas, você já consegue classificar a maioria dos poemas ultrarromânticos e eliminar alternativas erradas em questões de múltipla escolha.

Primeira geração x segunda geração: a diferença que cai na prova

A questão mais clássica sobre o Romantismo brasileiro pede exatamente esta comparação: o que muda da primeira para a segunda geração? A resposta pode ser resumida em uma frase: muda o foco, do nacional para o pessoal. Mas vale detalhar, porque a banca adora cobrar os contrastes ponto a ponto. A tabela abaixo organiza essa diferença de forma clara.

AspectoPrimeira geração (1836–1852)Segunda geração (1853–1869)
Foco principalA nação, o Brasil, a identidade nacionalO eu, o sentimento, o sofrimento pessoal
HeróiO índio, idealizado como herói nacionalO poeta sofredor, o herói byroniano, o jovem melancólico
NaturezaExaltada como símbolo da pátria, exuberante e coloridaEspelho do estado de espírito: noite, lua, cemitério, paisagem sombria
AmorAmor pela pátria, amor idealizado, mas ligado ao nacionalAmor impossível, platônico, que leva ao sofrimento e à morte
Tom dominanteUfanismo, orgulho, saudade da terra natalPessimismo, melancolia, tédio, desejo de morte
Atitude diante do mundoConstruir uma identidade para o país recém-independenteFugir de um mundo que decepciona, pelo sonho ou pela morte
Principais autoresGonçalves Dias, Gonçalves de MagalhãesÁlvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Fagundes Varela
Obras de referênciaCanção do Exílio, I-Juca-Pirama, Suspiros Poéticos e SaudadesLira dos Vinte Anos, Noite na Taverna, Meus Oito Anos

Um exemplo prático ajuda a fixar. Quando Gonçalves Dias escreve “Minha terra tem palmeiras, / Onde canta o sabiá”, ele está falando do Brasil, com saudade, em exílio na Europa. Quando Álvares de Azevedo escreve sobre a morte, sobre a noite ou sobre uma virgem pálida que ele ama sem esperança, ele está falando de si mesmo. O primeiro poema poderia ser um hino à pátria; o segundo, um desabafo pessoal. Na prova, se o poema falar de índio, de pátria e de natureza exuberante, é primeira geração. Se falar de morte, de tédio, de amor impossível e de eu sofredor, é segunda geração. Simples assim — e é exatamente essa simplicidade que a banca espera que você domine.

Cuidado, porém, com um detalhe: a segunda geração não abandona completamente a natureza nem o sentimento nacional. Casimiro de Abreu, por exemplo, escreve sobre a infância no Brasil, sobre a casa paterna, sobre o campo, com uma saudade que lembra Gonçalves Dias. A diferença é que, nele, a saudade é pessoal e nostálgica, não um projeto de construção nacional. O tom é íntimo, não cívico. É essa nuance que separa um poema nostálgico ultrarromântico de um poema nacionalista da primeira geração, e as questões mais difíceis costumam explorar justamente essa fronteira.

Para revisar o movimento anterior, vale reler a matéria sobre o Arcadismo e a análise geral do Romantismo, que mostram como cada escola literária reage à anterior. O ultrarromantismo, por exemplo, é também uma reação ao excesso de nacionalismo da primeira geração: os jovens poetas achavam aquele projeto cansativo e queriam falar de si mesmos.

Álvares de Azevedo: o maior nome do ultrarromantismo

Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1831–1852) é, sem exagero, o poeta mais importante da segunda geração e um dos nomes que mais caem em provas de literatura no Brasil. Estudante de Direito em São Paulo, leitor voraz de Byron, Musset, Goethe e Shakespeare, morreu aos 20 anos e deixou uma obra pequena em quantidade, mas imensa em influência. Seus livros foram publicados postumamente, organizados por amigos, o que explica algumas particularidades de sua obra — e também o mito que se criou em torno dele, o do jovem gênio morto cedo demais.

Sua obra principal é Lira dos Vinte Anos, uma coletânea de poemas dividida em duas partes. A primeira parte é mais sentimental e melancólica: poemas de amor idealizado, de saudade, de morte, de sonho. A segunda parte é irônica, sarcástica e boêmia: poemas que riem do amor, da sociedade e do próprio sentimentalismo. Essa divisão não é acidental: o próprio Álvares de Azevedo a teorizou no prefácio da segunda parte, com o conceito de binomia. Para ele, o poeta tem dois lados que convivem: um lado sério, melancólico, que crê no amor puro, e outro lado irônico, que debocha de tudo. A binomia é, portanto, a coexistência de opostos — amor e ironia, fé e descrença, sonho e realidade — dentro da mesma obra e, às vezes, dentro do mesmo poema.

Entender a binomia é fundamental para não cair em pegadinhas. Uma questão pode apresentar um poema irônico de Álvares de Azevedo, como “Namoro a cavalo”, em que o eu lírico brinca com uma situação amorosa constrangedora, e perguntar a que geração ele pertence. Quem só conhece o lado triste do poeta pode achar que não é ultrarromantismo — mas é, sim: a ironia faz parte da binomia, e é justamente essa oscilação entre o sério e o cômico que caracteriza Álvares de Azevedo. O mesmo vale para poemas como “É ela! É ela!”, em que o poeta descreve a amada com uma idealização extrema, quase sobrenatural.

Outro poema famoso, “Se eu morresse amanhã”, resume o tema da morte na obra do autor. Nele, o eu lírico imagina a própria morte e se pergunta se alguém choraria por ele, se a amada se lembraria dele. A morte não aparece como algo terrível, mas como uma possibilidade melancólica e até doce, um teste para saber se o amor era verdadeiro. Já “Lembrança de morrer” aprofunda esse tema: o poeta pede que, quando ele morrer, a amada se lembre dele, e imagina o próprio túmulo, as flores, o silêncio. São poemas que você precisa conhecer pelo menos pelo tema, porque eles aparecem com frequência em listas de vestibulares como a Fuvest e a Unicamp.

Além da poesia, Álvares de Azevedo escreveu Noite na Taverna, uma novela em prosa que é um dos textos mais ousados da literatura brasileira do século XIX. A estrutura é simples e engenhosa: cinco jovens — Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Hermann e Johann — reunidos numa taverna, à noite, bebendo e contando, cada um por sua vez, uma história de amor, de crime e de morte. As histórias são escandalosas para a época: amores proibidos, assassinatos, necrofilia, pactos com o diabo. O livro só foi publicado em 1855, depois da morte do autor, e chocou os leitores conservadores. Para a prova, guarde: Noite na Taverna é a prosa ultrarromântica por excelência, com narrativas emolduradas (histórias dentro da história), clima noturno, personagens byronianos e desafio aberto à moral burguesa.

Álvares de Azevedo também escreveu a peça Macário, um drama em que o personagem-título, um jovem melancólico, dialoga com Satã — chamado de Penseroso — sobre a vida, a morte e o amor. A peça ficou inacabada e é menos cobrada, mas ajuda a entender o satanismo literário do autor: Satã não é o demônio religioso, mas a voz da rebeldia e da dúvida, que questiona tudo aquilo em que a sociedade manda acreditar. Se uma questão mencionar um diálogo entre um jovem e Satã, pense em Álvares de Azevedo.

Um traço estilístico importante do poeta é o uso de imagens sensoriais e de um vocabulário ligado ao corpo, ao sonho e à morte: lábios pálidos, olhos úmidos, cabelos soltos, véu, mortalha, túmulo, lua. Outro traço é a musicalidade: seus versos são sonoros, com rimas e ritmos que lembram canções, o que facilita a memorização e explica por que tantos de seus poemas foram musicados. Por fim, vale notar a presença do chamado “eu lírico adolescente”: um eu que se apresenta como jovem, inexperiente e sofredor, o que cria uma identificação imediata com o leitor jovem — inclusive com o estudante que está prestando vestibular.

Casimiro de Abreu: a saudade da infância

Casimiro José Marques de Abreu (1839–1860) é o segundo nome mais importante da geração, e o mais acessível para quem está começando. Sua poesia é mais simples, mais musical e menos sombria que a de Álvares de Azevedo, o que faz dela uma porta de entrada para o ultrarromantismo. Seu livro principal é Primaveras (1859), publicado quando ele tinha apenas 20 anos, em que reúne poemas de amor, de saudade e de nostalgia da infância.

O poema mais famoso de Casimiro é Meus Oito Anos, que quase todo brasileiro conhece pelo menos pelo refrão: “Oh! que saudades que tenho / Da aurora da minha vida, / Da minha infância querida / Que os anos não trazem mais!” O poema é uma recordação da infância passada na fazenda, em Barra de São João, no Rio de Janeiro: as brincadeiras, as frutas, os banhos de rio, a liberdade, a mãe, os primeiros amores inocentes. O tom é de saudade, não de desespero: o poeta não quer morrer, ele quer voltar no tempo. Essa nostalgia da infância é um traço ultrarromântico — a fuga para um passado idealizado —, mas com um tom mais doce e menos mórbido que o de Álvares de Azevedo.

Essa diferença de tom é cobrada em prova. Enquanto Álvares de Azevedo representa o lado sombrio e irônico do ultrarromantismo, Casimiro de Abreu representa o lado sentimental e saudosista. Se a questão apresentar um poema de saudade da infância, de tom simples e musical, com imagens de casa, de mãe e de natureza familiar, a resposta provavelmente é Casimiro de Abreu. Se apresentar um poema de morte, de noite e de ironia, é Álvares de Azevedo. Saber distinguir esses dois “sabores” do ultrarromantismo já garante pontos importantes.

Outros poemas conhecidos de Casimiro incluem “Amor e medo”, em que o eu lírico confessa o medo de amar e de sofrer, e poemas de amor juvenil, em que a amada aparece como uma figura pura e distante, mas sem o erotismo sombrio de Noite na Taverna. Sua linguagem é clara, seus versos são regulares e sua musicalidade é marcante — características que fizeram dele um poeta muito popular em sua época e que explicam por que ele continua sendo lido nas escolas. Casimiro morreu aos 21 anos, de tuberculose, como Álvares de Azevedo, reforçando o mito da geração de poetas que morrem jovens.

Vale destacar ainda que Casimiro de Abreu viveu parte da vida em Portugal, para onde foi trabalhar no comércio, e que essa experiência de distância alimentou sua saudade do Brasil e da infância. É uma saudade parecida com a de Gonçalves Dias em Canção do Exílio, mas com uma diferença fundamental: Gonçalves Dias tem saudade da pátria, Casimiro tem saudade da própria vida, da infância perdida. Uma é saudade cívica, a outra é saudade pessoal. Essa distinção, mais uma vez, é o que separa a primeira da segunda geração.

Fagundes Varela: entre o pessimismo e o social

Luís Nicolau Fagundes Varela (1841–1875) é o terceiro nome central da segunda geração, e o mais difícil de classificar — o que, paradoxalmente, o torna interessante para as provas. Sua obra começa ultrarromântica, com poemas de morte, de melancolia e de amor impossível, mas evolui para temas sociais e para uma poesia mais ligada à realidade brasileira, antecipando, em alguns aspectos, a terceira geração. Por isso, alguns manuais o colocam como uma ponte entre a segunda e a terceira geração.

Seu livro mais conhecido é Noturnas (1861), cujo próprio título já indica o clima: poemas da noite, da morte, da melancolia. Mas Fagundes Varela também escreveu Cantos do Ermo e da Cidade, Vozes da América e, mais tarde, poemas de forte conteúdo social, como “O escravo”, em que denuncia a escravidão. Essa variedade faz dele um autor de transição: ele tem o pessimismo ultrarromântico, mas também tem uma preocupação com o Brasil real que os outros ultrarromânticos não tinham.

A vida pessoal de Fagundes Varela marcou sua obra de forma trágica. Ele perdeu um filho ainda pequeno, Emiliano, e escreveu para ele o famoso poema “Cântico do Calvário”, um dos textos mais comoventes da literatura brasileira, em que o pai se apresenta como um Cristo carregando a cruz da dor pela morte do filho. O poema não é apenas ultrarromântico: ele é profundamente humano, e por isso continua emocionando leitores. Se uma questão mencionar um poema de dor paterna pela morte de um filho, pense em Fagundes Varela.

Outros nomes da geração, menos cobrados, mas que podem aparecer em listas mais completas, incluem Junqueira Freire (1832–1855), autor de Inspirações do Claustro, em que o eu lírico, um monge, oscila entre a fé e o desejo, entre o claustro e o mundo — outra forma de binomia, agora religiosa —, e Aureliano Lessa e Bernardo Guimarães, que também transitaram pelo ultrarromantismo. Não é preciso decorar todos, mas vale conhecer Junqueira Freire, porque sua poesia religiosa e conflituosa aparece em algumas provas, sobretudo nas do Nordeste e nas listas de obras obrigatórias.

AutorDatasObras principaisMarca registrada
Álvares de Azevedo1831–1852Lira dos Vinte Anos, Noite na Taverna, MacárioBinomia, ironia, morte, herói byroniano
Casimiro de Abreu1839–1860Primaveras, Meus Oito AnosSaudade da infância, simplicidade, musicalidade
Fagundes Varela1841–1875Noturnas, Cântico do CalvárioTransição para o social, dor paterna, noturno
Junqueira Freire1832–1855Inspirações do ClaustroConflito entre fé e desejo, vida de monge

Influências europeias: Byron, Musset e Werther

Nenhuma geração do Romantismo brasileiro é tão europeia quanto a segunda. Enquanto a primeira geração buscava uma literatura nacional, com temas brasileiros, a segunda importou modelos prontos da Europa e os adaptou ao sentimento pessoal. Conhecer essas influências não é um detalhe erudito: é uma chave de leitura, porque as questões costumam citar Byron, Musset ou Werther como pista para identificar o ultrarromantismo.

Lord Byron (1788–1824) é a influência maior. Poeta inglês, aristocrata rebelde, exilado por escândalos amorosos, Byron criou em poemas como Childe Harold e Don Juan o herói que leva seu nome: um jovem inteligente, belo e melancólico, que despreza as convenções sociais, que carrega uma culpa secreta e que prefere o exílio ou a morte à vida comum. Álvares de Azevedo imitou esse modelo de forma consciente, a ponto de escrever poemas em que o eu lírico se apresenta como um Byron brasileiro. Quando a prova fala em “herói byroniano”, ela está falando desse tipo: rebelde, sofredor, superior aos outros e condenado.

Alfred de Musset (1810–1857), poeta e dramaturgo francês, representa outra face do mal do século: o jovem que vive intensamente, ama intensamente e sofre intensamente, sem encontrar sentido duradouro em nada. Sua obra mais famosa, Confissão de um Filho do Século, é quase um diagnóstico da geração: jovens que cresceram depois das grandes revoluções, sem causas para lutar, entregues ao tédio e ao prazer imediato. Os ultrarromânticos brasileiros leram Musset como um espelho: viam nele a sua própria desilusão.

Goethe e Werther completam o trio. Os Sofrimentos do Jovem Werther (1774), do alemão Johann Wolfgang von Goethe, conta a história de um jovem que se apaixona por Carlota, noiva de outro homem, e, incapaz de suportar o amor impossível, suicida-se. O livro foi um fenômeno europeu: jovens se vestiam como Werther, copiavam seus gestos e, em casos extremos, imitavam seu fim. Para o ultrarromantismo, Werther é o modelo do amor que mata: amar sem ser correspondido, ou amar alguém inalcançável, é um destino trágico, mas também uma prova de sensibilidade superior. Quem sofre por amor, nessa lógica, é mais profundo do que quem vive um amor tranquilo.

Outras influências incluem o francês Chateaubriand, com o “vague des passions”, o inglês Percy Shelley e o alemão Heinrich Heine, além, é claro, de Shakespeare, lido com paixão por Álvares de Azevedo — tanto que Macário dialoga com Hamlet, a tragédia do jovem melancólico que duvida de tudo. O importante, para a prova, não é decorar a lista inteira, mas entender a ideia: o ultrarromantismo brasileiro é um romantismo de importação, que traduz para o português um sentimento europeu de desilusão juvenil.

Essa europeização tem uma consequência interessante: a segunda geração é a menos “brasileira” do Romantismo, no sentido de temas nacionais. Seus poemas poderiam se passar em qualquer lugar: uma taverna, um quarto escuro, um cemitério, um jardim ao luar. Essa falta de cor local é, paradoxalmente, uma de suas marcas mais fáceis de reconhecer. Se o poema não fala do Brasil, não fala de índio, não fala de palmeiras, mas fala de morte e de amor impossível, desconfie: é segunda geração.

Linguagem, forma e recursos poéticos

A forma dos poemas ultrarromânticos segue, em geral, a tradição romântica: versos rimados, estrofes regulares, linguagem emotiva e musical. Mas há particularidades que vale a pena observar, porque elas aparecem nas análises de texto das provas. A primeira é o vocabulário: palavras ligadas à noite, à morte, à palidez, ao sonho, à lágrima, ao túmulo, à lua e ao silêncio dominam. É um vocabulário sombrio e sensorial, que cria uma atmosfera — o leitor quase “sente” o quarto escuro, o cemitério, a noite fria.

A segunda particularidade é o uso intenso de figuras de linguagem, sobretudo a metáfora, a comparação, a hipérbole e a antítese. A antítese é especialmente importante, porque ela expressa a binomia de Álvares de Azevedo: amor e ódio, vida e morte, sonho e realidade, fé e descrença aparecem lado a lado, em contraste. A hipérbole — o exagero — também é marca do grupo: o poeta não está apenas triste, ele está “morto de tristeza”; não ama apenas, ama “até a morte”. Esse exagero é proposital: ele mostra a intensidade do sentimento romântico.

A terceira particularidade é a presença constante de interjeições, exclamações e perguntas retóricas. O eu lírico se dirige diretamente à amada (“Oh, virgem pálida!”), à morte (“Oh, morte, vem!”), à lua, a Deus. Esse tom de apelo, de invocação, dá aos poemas um caráter quase teatral, como se o poeta estivesse falando sozinho num quarto escuro — o que, muitas vezes, é exatamente a cena descrita.

Na prosa de Noite na Taverna, os recursos são outros: narrativas emolduradas, clima de suspense, reviravoltas, descrições sensoriais de ambientes fechados e noturnos, diálogos carregados de ironia e de desafio. É uma prosa que antecipa, em alguns aspectos, o conto moderno e até o cinema de terror: cada história contada na taverna é um pequeno conto de horror romântico, com um final surpreendente e sombrio. Por isso, Noite na Taverna costuma agradar leitores jovens até hoje — e costuma aparecer em listas de obras, como a da Fuvest, justamente por essa força narrativa.

Um erro comum é achar que a poesia ultrarromântica é “fácil” ou “boba” porque fala de sentimentos. Na verdade, ela exige atenção: o exagero é consciente, a ironia é sofisticada e a intertextualidade — o diálogo com Byron, com Shakespeare, com a Bíblia — é constante. Álvares de Azevedo, em especial, era um leitor erudito, que citava autores em várias línguas e construía poemas cheios de referências. Ler sua poesia sem perceber essas camadas é perder metade do texto.

O que cai no ENEM e nos vestibulares

O ENEM cobra o ultrarromantismo, em geral, de duas formas. A primeira é a identificação de características: a prova apresenta um poema ou um trecho — muitas vezes de Álvares de Azevedo ou de Casimiro de Abreu — e pergunta a que movimento, geração ou característica ele pertence. As alternativas costumam misturar traços de várias escolas: Arcadismo, primeira geração romântica, Realismo, Parnasianismo. Quem domina o “checklist” — morte, amor impossível, egocentrismo, pessimismo, fuga — elimina as erradas com facilidade.

A segunda forma é a interpretação: a prova pede que você relacione o poema com o contexto, com a visão de mundo do autor ou com outro texto. Por exemplo, pode apresentar um poema ultrarromântico e um texto sobre o mal do século, pedindo que você identifique a relação entre eles. Ou pode comparar um poema da primeira geração com um da segunda, pedindo a diferença de foco. Ou ainda pode apresentar um poema irônico de Álvares de Azevedo e perguntar sobre a binomia, sem usar esse nome — falando em “convivência de opostos” ou “oscilação entre sentimentalismo e ironia”.

Os vestibulares tradicionais, como Fuvest, Unicamp e UFRGS, costumam ser mais específicos: cobram obras, autores e poemas pelo nome. Lira dos Vinte Anos e Noite na Taverna já estiveram em listas de obras obrigatórias, e poemas como Meus Oito Anos e “Se eu morresse amanhã” são citados com frequência. Nesses vestibulares, não basta reconhecer o tema: é preciso conhecer a obra, saber quem escreveu o quê e, às vezes, analisar versos específicos. Por isso, a tabela de autores e obras desta matéria é um material de revisão valioso.

Outro tipo de questão frequente é a que mistura literatura com história. O ultrarromantismo pode aparecer ao lado de textos sobre o Segundo Reinado, sobre a escravidão ou sobre a vida estudantil no século XIX, pedindo que você perceba o descompasso entre os sonhos dos jovens e a sociedade em que viviam. Essa interdisciplinaridade é típica do ENEM, que gosta de cruzar áreas do conhecimento, e é também uma das razões pelas quais vale a pena estudar o contexto histórico, e não apenas decorar características.

Por fim, vale notar o que o ENEM raramente cobra sobre a segunda geração: detalhes biográficos obscuros, datas exatas de publicação ou classificações muito rígidas. A prova prefere a compreensão: o que o poema expressa, que visão de mundo ele revela, como ele se relaciona com o Romantismo em geral. Estudar decorando datas é perder tempo; estudar entendendo o sentimento, a atitude e as imagens é ganhar pontos. A seção de questões comentadas no fim desta matéria mostra, na prática, como essas cobranças aparecem.

Para ampliar a revisão, consulte também a matéria de gêneros literários, que ajuda a distinguir poesia, prosa e drama nas obras de Álvares de Azevedo, e a de Trovadorismo, que mostra como o amor idealizado e distante já aparecia na Idade Média — uma comparação que rende boas questões sobre a tradição do amor cortês.

Como reconhecer um poema ultrarromântico em segundos

Na hora da prova, o tempo é curto, e você precisa de um método rápido. Use este passo a passo diante de qualquer poema que pareça romântico. Primeiro, pergunte: o poema fala do Brasil, do índio, da pátria? Se sim, é primeira geração. Se não, continue. Segundo, pergunte: o poema fala de morte, de noite, de túmulo, de amor impossível, de tédio, de um eu sofredor? Se sim, é segunda geração. Terceiro, pergunte: o tom é irônico, debochado, sarcástico? Se sim, e o autor é Álvares de Azevedo, continua sendo segunda geração — lembre-se da binomia. Quarto, pergunte: o poema fala de saudade da infância, de forma simples e musical? Se sim, pense em Casimiro de Abreu. Quinto, pergunte: o poema fala de escravidão, de liberdade, de causas sociais? Se sim, já é terceira geração, com Castro Alves.

Esse método funciona porque as gerações românticas são, antes de tudo, atitudes diante do mundo. A primeira quer construir a nação. A segunda quer expressar a dor. A terceira quer lutar por causas. Se você identificar a atitude, identifica a geração — mesmo sem conhecer o poema. É claro que há poemas de fronteira, como os de Fagundes Varela, que misturam pessimismo e social, mas eles são a exceção, não a regra, e as provas costumam sinalizar essa ambiguidade no enunciado.

Outro truque útil é prestar atenção no vocabulário. Palavras como “túmulo”, “mortalha”, “caveira”, “noite”, “lua pálida”, “virgem”, “tédio”, “spleen”, “morrer” são sinais fortes de ultrarromantismo. Palavras como “palmeira”, “sabiá”, “guerreiro”, “taba”, “pátria” são sinais de primeira geração. Palavras como “escravo”, “navio negreiro”, “liberdade”, “condor” são sinais de terceira geração. Em muitos casos, só o vocabulário já resolve a questão, antes mesmo de você terminar de ler o poema inteiro.

Por fim, desconfie das alternativas que tentam confundir o ultrarromantismo com o Parnasianismo ou com o Simbolismo. O Parnasianismo, que vem depois, é o oposto do ultrarromantismo em um aspecto central: ele defende a arte pela arte, a forma perfeita, a impessoalidade, o controle do sentimento — tudo o que o ultrarromântico rejeita. O Simbolismo, por sua vez, também gosta da noite e do mistério, mas com uma linguagem mais sugestiva, musical e vaga, sem o sentimentalismo direto do ultrarromantismo. Se o poema é sentimental e direto, é ultrarromântico; se é contido e formal, é parnasiano; se é vago e musical, pode ser simbolista.

Jovem poeta e moça idealizada em desenho animado se despedindo em um jardim ao entardecer, com rosas brancas, árvores ao vento e céu alaranjado e cinzento, em cena de amor idealizado e impossível.
Jovem poeta e moça idealizada em desenho animado se despedindo em um jardim ao entardecer, com rosas brancas, árvores ao vento e céu alaranjado e cinzento, em cena de amor idealizado e impossível.
Jovens estudantes boêmios em desenho animado reunidos à noite em uma taverna antiga, com velas, livros, taças e violão, em clima irônico e melancólico como o de Noite na Taverna.
Jovens estudantes boêmios em desenho animado reunidos à noite em uma taverna antiga, com velas, livros, taças e violão, em clima irônico e melancólico como o de Noite na Taverna.

Mapa mental

  • Segunda geração do Romantismo (ultrarromantismo, mal do século) — 1853 a 1869
    • Características: egocentrismo, subjetivismo, pessimismo, melancolia, tédio, obsessão pela morte, amor idealizado e impossível, fuga da realidade, ironia e humor negro, religiosidade em crise
    • Cenário favorito: noite, lua, cemitério, túmulo, quarto escuro, taverna
    • Figuras centrais: a virgem pálida, o herói byroniano, a morte como noiva
  • Álvares de Azevedo (1831–1852)
    • Lira dos Vinte Anos: duas partes — sentimental e irônica (binomia)
    • Noite na Taverna: prosa, cinco jovens contam histórias de amor, crime e morte
    • Macário: drama, diálogo do jovem com Satã
    • Poemas-chave: “Se eu morresse amanhã”, “Lembrança de morrer”, “É ela! É ela!”, “Namoro a cavalo”
  • Casimiro de Abreu (1839–1860)
    • Primaveras e Meus Oito Anos: saudade da infância, simplicidade, musicalidade
    • Tom mais doce e menos sombrio que o de Álvares de Azevedo
  • Fagundes Varela (1841–1875)
    • Noturnas e Cântico do Calvário: pessimismo, dor paterna, transição para o social
  • Influências europeias
    • Lord Byron: herói rebelde e melancólico
    • Alfred de Musset: desilusão do filho do século
    • Goethe e Werther: amor impossível que leva à morte
  • Diferença para a primeira geração
    • Primeira: nação, índio, natureza exuberante, ufanismo
    • Segunda: eu, sofrimento, morte, amor impossível, pessimismo
  • Para a prova
    • Palavras-chave: morte, noite, tédio, virgem pálida, túmulo, sonho, fuga
    • Não confundir: ironia em Álvares de Azevedo também é ultrarromantismo (binomia)
    • Não confundir: saudade da infância em Casimiro não é nacionalismo, é nostalgia pessoal

SAQ — Perguntas curtas com respostas

Responda de cabeça antes de ler a resposta. O SAQ funciona melhor quando você tenta lembrar, não quando apenas relê.

1. O que é o mal do século?

É o sentimento de vazio, melancolia, tédio e desilusão que marcou a juventude romântica europeia e brasileira do século XIX: a sensação de que o mundo não corresponde aos sonhos e de que resta apenas o sofrimento, a fuga ou a morte.

2. Por que a segunda geração é chamada de ultrarromantismo?

Porque ela leva ao extremo os traços do Romantismo: o sentimento vira sofrimento constante, o eu vira egocentrismo absoluto e a imaginação vira fuga completa da realidade.

3. O que é a binomia em Álvares de Azevedo?

É a convivência de dois lados opostos na mesma obra: um lado sentimental e melancólico, que crê no amor puro e sofre, e outro lado irônico e sarcástico, que debocha do sentimentalismo e das convenções sociais.

4. Qual é a estrutura de Noite na Taverna?

Cinco jovens reunidos numa taverna, à noite, bebendo e contando, cada um por sua vez, uma história de amor, crime e morte. São narrativas emolduradas: histórias dentro da história principal.

5. Qual é o tema central de Meus Oito Anos, de Casimiro de Abreu?

A saudade da infância: o poeta recorda com nostalgia os oito anos vividos na fazenda, as brincadeiras, a liberdade e a inocência, contrastando esse passado idealizado com o presente.

6. Quem é o herói byroniano e por que ele importa?

É o modelo criado por Lord Byron: um jovem belo, inteligente, rebelde e melancólico, que desafia as convenções, carrega uma culpa secreta e prefere o exílio ou a morte à vida comum. Ele é o modelo do eu lírico ultrarromântico.

7. Qual é a diferença central entre a primeira e a segunda geração do Romantismo?

A primeira olha para fora, para a nação, o índio e a natureza brasileira; a segunda olha para dentro, para o eu, o sofrimento e a morte.

8. Por que a morte aparece tanto na poesia ultrarromântica?

Porque ela era uma presença real na vida dos jovens poetas — muitos morreram cedo de tuberculose — e porque, na visão ultrarromântica, a morte aparece como descanso, libertação do sofrimento e até como noiva que espera o poeta.

Questões comentadas (originais, estilo ENEM)

As questões abaixo foram criadas especialmente para esta matéria, no estilo do ENEM. Nenhuma delas foi copiada de provas reais. Leia o texto, tente responder e só depois leia o comentário.

Questão 1

Leia o poema fictício, criado para esta matéria:

“A noite desce, e a lua, pálida e fria, / olha meu quarto como um túmulo vazio. / Eu, que amei sem esperança uma virgem distante, / peço à morte que venha, enfim, buscar-me. / Pois viver é sofrer, e sofrer é amar / quem jamais há de me olhar.”

Os versos apresentam características típicas da segunda geração do Romantismo brasileiro, porque neles predominam:

a) a exaltação da natureza brasileira e do índio como herói nacional.
b) a defesa de uma causa social, como a abolição da escravidão.
c) o egocentrismo, o pessimismo e a idealização de um amor impossível, com a morte vista como libertação.
d) a busca da forma perfeita e da impessoalidade, com controle rigoroso do sentimento.
e) a descrição objetiva da realidade, sem a interferência do sentimento do eu lírico.

Gabarito: C. O poema reúne todos os sinais do ultrarromantismo: o eu sofredor em primeiro plano (egocentrismo), a noite e a lua pálida como cenário, a virgem distante e inalcançável (amor impossível) e a morte desejada como fim do sofrimento. A alternativa A descreve a primeira geração; B, a terceira; D, o Parnasianismo; E, o Realismo. Note como o vocabulário — noite, lua pálida, túmulo, morte — já entrega a geração antes mesmo de uma leitura completa.

Questão 2

Um estudante afirmou: “Álvares de Azevedo não pode ser ultrarromântico, porque escreveu poemas engraçados e irônicos, e o ultrarromantismo é só poesia triste.” A afirmação está:

a) correta, pois a ironia é incompatível com o sentimentalismo romântico.
b) correta, pois os poemas irônicos de Álvares de Azevedo pertencem ao Realismo.
c) incorreta, pois a ironia faz parte da binomia, a convivência de um lado sentimental e outro irônico na obra do autor.
d) incorreta, pois Álvares de Azevedo nunca escreveu poemas irônicos.
e) correta, pois a segunda parte da Lira dos Vinte Anos foi escrita por outro autor.

Gabarito: C. A própria teoria de Álvares de Azevedo, no prefácio da segunda parte da Lira dos Vinte Anos, explica a binomia: o poeta tem dois lados, um sentimental e outro irônico, que convivem. Por isso, um poema debochado como “Namoro a cavalo” é tão ultrarromântico quanto um poema melancólico como “Se eu morresse amanhã”. A pegadinha desta questão é justamente essa: quem reduz o ultrarromantismo a “poesia triste” erra as questões sobre a ironia do autor.

Questão 3

Considere o trecho fictício, criado para esta matéria, em que cinco estudantes, reunidos numa taverna à noite, contam histórias de amores proibidos e de crimes, enquanto bebem e desafiam a moral da época. Essa situação remete diretamente a:

a) I-Juca-Pirama, de Gonçalves Dias.
b) Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo.
c) Meus Oito Anos, de Casimiro de Abreu.
d) Navio Negreiro, de Castro Alves.
e) Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis.

Gabarito: B. A descrição reproduz a estrutura de Noite na Taverna: jovens boêmios numa taverna, à noite, contando histórias escandalosas emolduradas pela situação inicial. Gonçalves Dias (A) é primeira geração, indianista; Casimiro (C) é o poeta da saudade da infância; Castro Alves (D) é terceira geração, social; Machado de Assis (E) é Realismo. O cenário — taverna, noite, bebida, desafio moral — é a pista decisiva.

Questão 4

Leia os versos fictícios, criados para esta matéria:

“Oh! que saudades que tenho / dos dias da minha meninice, / quando o mundo era pequeno / e a vida era só delícia!”

O tema e o tom desses versos aproximam-se sobretudo de:

a) Gonçalves Dias, pela exaltação da pátria e do índio guerreiro.
b) Castro Alves, pela denúncia da escravidão e defesa da liberdade.
c) Casimiro de Abreu, pela saudade nostálgica da infância, em tom simples e musical.
d) Álvares de Azevedo, pela ironia debochada contra o sentimentalismo.
e) Olavo Bilac, pela busca da forma perfeita e da arte pela arte.

Gabarito: C. A saudade da infância, em tom simples, musical e nostálgico, sem o desejo de morte e sem a ironia, é a marca de Casimiro de Abreu, sobretudo em Meus Oito Anos. O poema fictício imita esse modelo: passado idealizado, infância, linguagem clara. Gonçalves Dias (A) teria saudade da pátria, não da infância pessoal; Castro Alves (B) falaria de causas sociais; Álvares de Azevedo irônico (D) debocharia do sentimento; Bilac (E) é parnasiano, impessoal e formal.

Questão 5

O chamado “herói byroniano”, modelo para os poetas da segunda geração romântica, caracteriza-se por ser um jovem:

a) que se dedica à construção da identidade nacional e exalta o índio brasileiro.
b) rebelde, melancólico e incompreendido, que desafia as convenções sociais e prefere o exílio ou a morte à vida comum.
c) que defende causas sociais, como a abolição, usando a poesia como arma política.
d) que busca a perfeição formal e evita qualquer exposição do sentimento pessoal.
e) que observa a realidade com distanciamento científico, sem se envolver emocionalmente.

Gabarito: B. O herói byroniano, criado por Lord Byron, é rebelde, belo, inteligente e melancólico, carrega uma culpa secreta e despreza a vida comum. É esse modelo que Álvares de Azevedo e seus contemporâneos adotam para o eu lírico. A alternativa A é a primeira geração; C, a terceira; D, o Parnasianismo; E, o Realismo e o Naturalismo.

Questão 6

Em um poema da segunda geração romântica, a natureza aparece escura, noturna e silenciosa, com lua pálida e cemitério ao fundo. Esse uso da natureza revela, principalmente:

a) o projeto nacionalista de exaltar as belezas do Brasil para construir a identidade do país.
b) o subjetivismo romântico, em que a paisagem espelha o estado de espírito do eu lírico.
c) a preocupação científica e objetiva de descrever a natureza com precisão.
d) a defesa do campo como lugar de paz, em oposição à corrupção da cidade.
e) a crítica social à destruição ambiental provocada pela economia cafeeira.

Gabarito: B. No ultrarromantismo, a natureza não é descrita por si mesma, mas como espelho do sentimento: se o poeta está triste, a noite é escura e a lua é pálida. Isso é o subjetivismo, traço central do Romantismo e levado ao extremo na segunda geração. A alternativa A é a primeira geração; C, o Realismo e o cientificismo; D, o Arcadismo, com o fugere urbem; E é um tema contemporâneo, estranho ao século XIX.

Dica do professor

Monte um cartão de revisão com três colunas — primeira, segunda e terceira geração — e, em cada coluna, escreva um autor, uma obra e três palavras-chave. Para a segunda geração, escreva: Álvares de Azevedo, Lira dos Vinte Anos, morte, amor impossível, ironia. Revise esse cartão toda semana, por dois minutos, até a véspera da prova. Esse tipo de revisão espaçada fixa a classificação das gerações melhor do que reler a matéria inteira na véspera. E, sempre que encontrar um poema novo, pergunte primeiro: “Ele quer construir a nação, expressar a dor ou lutar por uma causa?” A resposta já aponta a geração.

Outra dica valiosa: leia pelo menos um poema inteiro de Álvares de Azevedo e um de Casimiro de Abreu em voz alta, com calma. A musicalidade dos versos ajuda a memorizar o tom de cada autor, e o tom é o que a prova mais cobra. Quem já ouviu a melancolia de “Se eu morresse amanhã” e a doçura de Meus Oito Anos dificilmente confunde os dois autores numa questão. Para treinar a leitura de prosa, leia o primeiro capítulo de Noite na Taverna: a atmosfera da taverna, uma vez sentida, nunca mais é esquecida — e nunca mais é confundida com outro livro.

Atenção/cuidado

O erro mais comum sobre a segunda geração é reduzi-la a “poesia triste de quem quer morrer”. Essa simplificação faz o estudante errar questões sobre a ironia de Álvares de Azevedo, sobre a doçura de Casimiro de Abreu e sobre a transição social de Fagundes Varela. O ultrarromantismo tem um lado sombrio dominante, sim, mas também tem humor, nostalgia e crítica social. Não transforme uma geração inteira em um único adjetivo.

Outro erro frequente é confundir o amor ultrarromântico com o amor cortês medieval ou com o amor árcade. No Trovadorismo, a dama é distante por convenção social, e o trovador a serve com vassalagem amorosa; no Arcadismo, o amor é simples, campestre e racional, dentro de um ideal de equilíbrio. No ultrarromantismo, a distância da amada é existencial: ela é inalcançável porque é idealizada até perder a realidade, e o sofrimento por ela é visto como prova de profundidade. São três amores distantes, por motivos diferentes — e a prova adora explorar essa diferença.

Cuidado também com a leitura literal dos poemas de morte. Quando o poeta ultrarromântico diz que quer morrer, ele está, na maioria das vezes, usando a morte como imagem poética, como metáfora do sofrimento e do desejo de libertação, e não fazendo uma declaração biográfica. É um erro grave, e infelizmente comum em redações, tratar esses poemas como documentos sobre a vida real do autor, ou romantizar o sofrimento juvenil como algo bonito. A literatura pode falar da morte com beleza, mas a vida real pede cuidado: se você ou alguém próximo está sofrendo de verdade, procure ajuda de adultos de confiança e de profissionais de saúde. O poema é arte; a dor real merece acolhimento, não poesia.

Por fim, não confunda datas com essências. As datas aproximadas — 1853 a 1869 — ajudam a situar a geração, mas o que define o ultrarromantismo são as características, não o ano de publicação. Um poema publicado em 1850 pode ser ultrarromântico pelo tema, e um poema publicado em 1870 pode ainda carregar traços da geração anterior. Na prova, o tema e o tom valem mais do que a data.

Conexão com outras áreas

História: o mal do século só faz sentido dentro do Segundo Reinado, com sua sociedade escravocrata e conservadora, e dentro do contexto europeu pós-napoleônico, em que uma geração se sentiu órfã de grandes causas. Estudar o ultrarromantismo junto com a história do século XIX rende pontos nas duas matérias. A sala de estudo do cliquevestibular reúne matérias de História que complementam esta leitura.

Filosofia e Sociologia: o pessimismo ultrarromântico dialoga com o pensamento de Schopenhauer, para quem a vida é sofrimento e a arte é uma forma de escapar dele temporariamente, e com a ideia sociológica de anomia, a falta de referências e de pertencimento que marca gerações em transição. O tédio romântico, o spleen, pode ser lido como um sintoma social, não apenas individual.

Psicologia: a melancolia, a idealização do outro e a dificuldade de lidar com a frustração, temas centrais da poesia ultrarromântica, são também temas da psicologia do desenvolvimento, sobretudo na adolescência e na juventude, quando a intensidade emocional e a busca de identidade estão no auge. Ler esses poemas com esse olhar ajuda a entender por que eles continuam falando tão forte aos leitores jovens.

Artes e música: o clima noturno e melancólico do ultrarromantismo aparece na pintura romântica europeia, com suas paisagens ao luar e ruínas, e na música de compositores como Chopin e Schubert, cujas melodias melancólicas foram a trilha sonora da geração. No Brasil, a musicalidade de Casimiro de Abreu e de Álvares de Azevedo fez com que muitos de seus poemas fossem musicados e cantados até hoje.

Língua Portuguesa: a análise dos recursos poéticos do ultrarromantismo — metáfora, antítese, hipérbole, interjeição — é um ótimo treino para as questões de Literatura e de interpretação de texto do ENEM, que exigem atenção à forma como a linguagem constrói o sentido, e não apenas ao tema.

Leia também

Continue a revisão de Literatura com estas matérias da sala de estudo: Quinhentismo, Barroco, Arcadismo, Romantismo: análise de obras e autores, Realismo, Modernismo: primeira geração, Análise de obras da lista Fuvest, Gêneros literários, Trovadorismo, Figuras de linguagem, além das categorias de ENEM, vestibular e Literatura e da sala de estudo. Também vale revisar Realismo e Naturalismo, Modernismo: segunda geração e Modernismo: análise de obras e manifestos.

Incidência

Incidência: ♨️ Morno. A segunda geração do Romantismo aparece com frequência moderada no ENEM e nos vestibulares: não é o tema mais cobrado da literatura brasileira, mas é presença constante, sobretudo por meio de Álvares de Azevedo e de Casimiro de Abreu. Sua importância cresce nos vestibulares com listas de obras, como a Fuvest, e nas provas que comparam as gerações românticas. Vale o investimento: com poucas horas de estudo, você domina um tema que rende questões de identificação, de interpretação e de comparação — três tipos de questão em um só assunto.

Para fechar, volte ao início: a segunda geração é a geração do eu que sofre. Se você lembrar da noite, da lua pálida, da virgem distante, do tédio e da morte desejada, e souber distinguir Álvares de Azevedo, com sua binomia e sua ironia, de Casimiro de Abreu, com sua saudade da infância, e de Fagundes Varela, com sua ponte para o social, você já domina o essencial. O resto — as influências europeias, as obras secundárias, os detalhes de forma — é aprofundamento, que vem com a releitura e com a prática das questões. Bons estudos, e até a próxima matéria da Literatura.